Por Felipe Uhr >>

555_679Constantemente ouço e vejo por aí, com pessoas que converso ou através de manifestos pela internet, uma forte cobrança aos grandes veículos de comunicação. As grandes mídias. Cobra-se por informação. Mas que tipo de informação? Desde o primeiro dia que ingressei na faculdade de Jornalismo, em 2005, discute-se isso: o que é informação? Mas informação para quem? Na verdade, isso é discutido muito antes de meus pais se conhecerem. É um tema/assunto que envolve muitas variáveis. Mas vamos tratar nesse texto apenas de um caso mais especifico. Não há dúvida que por atrás da informação há um forte interesse. De quem? De todos os gêneros, político, econômico, cultural e social. E há mais. Certamente eles maquiam a busca pela informação.

Decidi escrever sobre esse tema já que há muito tempo se discute sobre isso: o silêncio da mídia. Até que ponto um veículo, jornal, rádio etc se propõe ou não a dar mais ou menos informação sobre um determinado tema? Há diversos casos por aí onde obviamente não era interesse do jornal publicar notícias sobre um específico caso. Não podemos esquecer que tanto os grandes veículos de imprensa, que compreendem TV, Internet, Rádio e Jornal, vivem de publicidade que são feitas por empresas. Elas vivem de sua imagem que podem ou não deflagradas pela mídia. Vou dar dois exemplos de casos onde alguns grandes grupos jornalísticos não noticiam periodicamente, ou com deveriam, alguns fatos. Depois farei uma breve reflexão sobre os casos. Segue:

 

  1. Operação Zelotes – A operação deflagrada pela Polícia Federal no início do ano apontou uma lista de diversas empresas em um esquema junto ao Conselho Administrativo de Recursos Financeiros, o Carf. Nesse Conselho Federal eram julgados processos de sonegação fiscal. As empresas davam dinheiro aos conselheiros do Carf que, internamente, comandavam as decisões e reduziam a pena ou absolviam as multas. Assim acontecia o esquema que tinha sob suspeita, no começo, pelo menos 74 casos envolvendo 19 bilhões de reais – um valor tão alto quanto às corrupções da Lava-Jato. Mas por que um caso de corrupção de semelhança tão grave não foi abordado como deveria pela maioria dos grandes jornais? No Rio Grande do Sul isso é sabido. Uma das empresas investigadas seria a Rede Brasil Sul (RBS). O maior veículo de comunicação do Sul do Brasil, e filiado à Rede Globo, teria sonegado mais de um bilhão de reais. Obviamente a empresa pouco falou sobre esse assunto. Deu uma nota oficial dizendo ser transparente e que não está envolvida no caso de corrupção e que “confia na atuação das instituições responsáveis pela apuração para o devido esclarecimento dos fatos, que, como sempre, seguirão tendo cobertura normal de nossos veículos.” A verdade é que, em comparação com outros veículos de notícias, pouco se sabe sobre a Zelotes através dos jornais da família Sirotzsky. Não é surpreendente se pararmos pra pensar logicamente. Agora, porque outros grandes veículos também não dão muita abrangência como no caso da Operação Lava-Jato? Fácil. Como citei anteriormente, a Policia Federal investiga mais de uma dezena de empresas que estariam envolvidas na fraude de sonegação. Entre elas, grandes grupos como Bradesco, Mitsubishi e Ford que são também importantes anunciantes dos principais jornais do País. Isso te esclarece alguma coisa? Vamos ao segundo caso.
  2. Caso Mariana – Nos últimos dias muito tem se comentado e comparado a maneira como a Globo, maior empresa de Comunicação do Brasil, e uma das maiores do mundo, abordou a tragédia em Mariana e o lamentável atentado terrorista em Paris ocorrido na última sexta-feira. O fato é que todos os veículos da família Marinho deram ampla cobertura aos atentados na França e pouco haviam noticiado sobre a tragédia ambiental ocorrida na cidade mineira. Sem entrar no mérito do que deve ser prioridade de informação, mas tanto um atentado terrorista quanto uma tragédia que sucumbe um vilarejo e que de proporções ambientais ainda incalculáveis, devem ser amplamente noticiadas. O fato é que no dia 5 de novembro, o Jornal Nacional, o noticiário de maior audiência de TV do País, desprende quase 3 minutos dos quase 40 que possui (às vezes menos, às vezes mais) para dar a notícia do rompimento da barragem que atingiu o distrito de Bento Ribeiro, pertencente ao município de Mariana. Já no dia 14 de novembro, dia do atentado na França, o mesmo noticiário dedicou pelo menos 20 minutos com uma cobertura sobreo terrorismo na Europa. Pode-se notar a grande diferença na cobertura jornalística dada a ambos os fatos. No dia 6 o Jornal Nacional dá uma atenção muito maior ao fato ocorrente na cidade mineira, o que vem acontecendo até os dias de hoje, quando já se mostra de forma mais transparente o que aconteceu e vem acontecendo após o rompimento das barragens. Não se pode culpar a Globo pela falta de informação, já que seus veículos vêm dando sim informações sobre a tragédia. Sabe-se hoje que a Samarco, empresa responsável pelas barragens, tem parte de seu controle pela Vale, que tem entre um de seus vários sócios, empresas ligadas a Globo. Há uma forte onda de interesses envolvidos, tanto quanto ao que se refere à cobertura jornalística e à veracidade dos fatos. Mas a verdade é que sempre foi assim. É verdade também que a gravidade do ocorrente em Mariana e suas consequências ambientais sob o Rio Doce e consequentemente em outras cidades do País fizeram com que o tema naturalmente ganhasse mais repercussão e com isso fosse mais noticiada. Há de se observar agora qual será o comportamento da emissora ao emitir as informações sobre os culpados do incidente envolvendo as barragens.

Conclusão
Tanto no caso os fatos envolvendo a Zelotes quanto a de Mariana sobrevive a linha tênue entre a informação e o interesse das grandes corporações. É o grande dilema que vive o jornalismo ou o jornalista. Não se trata aqui do cerceamento da informação e das diferentes abordagens que ela recebe, mas me parece claro que, no caso de Mariana, por exemplo, veículos de imprensa que não tem nenhum envolvimento comercial (publicidade) com a Vale, irão dar notícias com muito mais contundência que os que têm. É a selvageria do capitalismo eu diria assim. Não é à toa que jornais independentes (que não tem o rabo preso pode-se dizer) sobrevivem às migalhas, porém, oferecendo um conteúdo menos tendencioso e mais imparcial. Mas até eles sofrem, pois também dependem de algum tipo de publicidade para sobreviver. Citei os dois casos acima, mas há diversas outras situações. Por exemplo: a prefeitura de uma cidade que põe seu anúncio em um jornal representativo do município. Até que ponto esperar daquele jornal notícias que não sejam tendenciosas a respeito da administração daquele governo.
O certo seria imparcialidade ou pelo menos uma visão menos tendenciosa nas notícias o que, infelizmente, ocorre cada vez menos nos dias de hoje. O certo é que muitas vezes o interesse controla a informação.

Imagem retirada do site: http://www.domtotal.com/

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