Por Sabrina Raupp >>

Ao nosso redor existem diversas empresas que buscam se qualificar, ser a melhor, servir de referência para o mercado. Mas, até que ponto elas querem, realmente, ser a melhor? Será que muitas delas não querem apenas aparentarem ser a melhor?

Há uma grande diferença entre ser e parecer. Vocês devem saber disso. No caso de uma empresa, “ser algo” é quando toda a empresa comprova que é. Ou seja, quando o produto ou serviço demonstra ser o que a empresa promete que sejam, quando os funcionários acreditam nessa promessa, quando a administração investe nisso e quando todos os que trabalham para ela continuar sendo o que é e sentem orgulho de dizer que fazem parte disso.

O estado de “ser” depende de vários fatores, mas o principal é o humano. São as pessoas que trabalham em uma empresa que vão modificá-la, melhorá-la e trabalhar para que ela evolua. Embora alguns programas de qualidade digam que a maior parte dos problemas está nos processos e não nas pessoas, são elas que elaboram os processos. Digo que o fator principal é o humano porque se esse não acreditar que a mudança é necessária para a empresa se tornar o que quer ser, ela nunca chegará a isso. Ou então, irá apenas parecer.

Muitas empresas parecem legais, mas quando olhadas bem de perto, hum… que decepção! A busca pela qualidade fez aumentar a procura pelos programas que auxiliam as organizações a entrarem em padrões para conseguir a tão almejada certificação. E, após conseguirem, as empresas exibem o selo da qualidade e, por pouco, não dizem diretamente às concorrentes: somos melhores que vocês!

Porém, em alguns lugares, a qualidade só está no selo. O tipo de empresa que busca a “qualidade” do selo só para aparecer é aquela que os próprios funcionários não acreditam que a empresa possa tê-la. E, se eles não acreditam, o que resta para o público externo? Os administradores – refiro-me aos dirigentes de empresas – dão inicio aos programas de qualidade sem conversar com seus funcionários, sem fazer eles crerem nessa ideia. Nesses casos, o que se escuta do público interno é: Ih! Isso nunca vai funcionar aqui. Nossa, quanta besteira! Ah não, dá muito trabalho. Assim, as mudanças são executadas só para os avaliadores. Após eles irem embora, tudo começa a voltar ao normal.

Pode ser um pensamento um tanto quanto utópico, mas acredito que se as empresas buscassem se qualificar para ser o melhor que elas podem ser, não melhor que a concorrente, realmente conseguiriam ter e oferecer qualidade em seus processos. Mas, como eu disse, seria necessário trabalhar primeiro o fator humano – a começar pelos gestores.

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