Por Rodrigo Boehl >>

“Sei o que devo fazer, mas na hora de transformar intenção em ação eu fracasso sem ter começado”. Se você se identifica com esta situação e vem tentando encontrar a resposta de por que continua fazendo o que não dá certo, este post será uma luz!

A resistência à mudança. Quais as causas e como superá-la?Existe uma explicação científica de por que isso acontece e como podemos trabalhar para mudar esta situação. A integração da psicologia (estudo da mente humana e do comportamento humano) com a neurociência (estudo da anatomia e fisiologia do cérebro) tem avançado nas pesquisas sobre a natureza humana e as alterações em nosso comportamento. A tecnologia de imagem como ressonância magnética funcional, tomografia por emissão de pósitrons, análise de ondas e eletroencefalografia quantitativa demostram conexões até então desconhecidas no cérebro e que podem nos ajudar a entender a razão de sermos resistentes à mudança ou à aquisição de novos hábitos, mesmo que estes sejam a diferença entre o sucesso e o fracasso.

A primeira delas está relacionada com a natureza do cérebro, quando nos deparamos com uma nova experiência processamos a informação de modo comparativo, ou seja, relacionamos o que está acontecendo com algum padrão já ocorrido. Este processamento ativa o córtex pré-frontal, uma seção do cérebro carregada de energia que é estimulada pela memória utilizada de trabalho ou de curto prazo. Por outro lado, as nossas atividades rotineiras, como trocar a marcha ao dirigir sem olhar para o câmbio ou sair de casa e não se lembrar de ter fechado a porta são processadas na gânglia basal – esta parte do cérebro é o ponto onde os circuitos neurais de hábitos estabelecidos são formados e armazenados. Fisiologicamente, esta região precisa de uma quantidade menor de energia para funcionar do que a memória de trabalho, isto porque ela integra comportamentos moldados por treinamento e experiência. A gânglia basal executa atividades sem a ação do pensamento consciente, portanto, fadiga-se com facilidade e armazena uma quantidade limitada de informações. Sendo assim, qualquer atividade que não seja um hábito exige muito esforço, na forma de atenção e busca de mudança.

Em segundo lugar, mudar trás desconforto. Esta sensação de que mudar é difícil está associada com o funcionamento básico do cérebro.  O cérebro humano desenvolveu uma poderosa capacidade de detectar o que os neurocientistas chamam de “erros”: diferenças percebidas entre as expectativas e a realidade. Os sinais de erros são gerados por uma parte do cérebro chamada de córtex órbito-frontal, localizado acima dos globos oculares e interligado aos circuitos neurais de medo e de dor no cérebro, que ficam na estrutura chamada de amigdala.

Edmund Rolls foi pioneiro neste tema na universidade de Oxford no início da década de 80. Em um estudo com macacos ele descobriu que os erros produziam explosões neurais muito mais intensos do que os causados por estímulos conhecidos. Quando estas partes são ativadas há uma grande transferência de energia metabólica da região pré-frontal, que promove as funções intelectuais mais complexas. Os sinais de erros podem então nos levar a agir de forma impulsiva, onde os instintos animais assumem o comando como: sobrevivência, domínio territorial, hábitos, lutar, fugir e congelar.

COMO FACILITAR A MUDANÇA, ENTÃO?

Há 20 anos os cientistas cognitivos descobriram que o cérebro é capaz de promover mudanças internas significativas em respostas a mudanças ambientais. A atenção produz continuamente os padrões do cérebro, que dependem de onde o indivíduo coloca a sua atenção. Este fato pode ser observado nas empresas, onde profissionais de diferentes áreas (Finanças, Marketing, Design e Recursos Humanos) apresentam diferenças psicológicas que não permitem que eles enxerguem o mundo da mesma maneira.

O fato é que nossas expectativas, sejam elas conscientes ou residentes em nossos centros cerebrais, têm papel importante na formação dos nossos mapas mentais. Para que possamos facilitar a mudança em nossos hábitos será preciso mudar o nosso comportamento em larga escala. Precisamos provocar novas experiências e criar insights. Mark Jung-Beeman, do Instituto de Neurociência da Northwestern Unversity, usou as tecnologias de imagem FMR e eletroencefalograma para estudar os momentos de insight. Constatou a presença de explosões repentinas de oscilações de alta frequência que propiciam a criação de novas conexões em várias partes do cérebro, conexões com potencial de enriquecer nossos recursos mentais e superar a resistência do cérebro à mudança. Mas para atingir este resultado, dada a memória de trabalho limitada do cérebro, precisamos realizar um esforço deliberado para assimilar insights, dando atenção a eles constantemente, pois o foco significa poder! Nós somos o que fazemos repetidamente. A excelência, portanto, não é um ato, mas um hábito, já dizia Aristóteles.

Fontes: “The Neuroscience of leadership” by David Rock e Jeffrey Schwartz.

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