Por Fernanda Sarate >>

A metáfora de Sísifo traz a essência de um trabalho sem sentido. O que o motiva a trabalhar? E como encontrar significado em seu trabalho?

post_trabalho_2Ele executava diariamente um trabalho rotineiro, cansativo, sempre igual, que não apresentava desafios, as horas de seu dia pareciam não ter fim. Não, não é o seu ex-colega de trabalho, trata-se de Sísifo que, na mitologia grega, desafiou os deuses e foi punido pela eternidade com a missão de empurrar uma pedra de uma montanha até o topo, sendo que a pedra rolava sempre para baixo, obrigando-o a recomeçar a tarefa. Esta é a essência de um trabalho sem sentido. Infelizmente esta condição não é exclusiva do mito e, sim, a realidade de muitos.

Até há pouco tempo, para a pergunta ‘o que o motiva a trabalhar?’ havia pequena variedade de respostas disponíveis. Hoje, além do dinheiro, aparecem com frequência respostas como significado, possibilidade de criação, desafios, orgulho e identidade.

Se perguntarmos para algum escalador profissional, ele certamente não fornecerá uma justificativa simplista para sua motivação. Sabemos que este tipo de trabalho é árduo, com diversos momentos difíceis e, muitas vezes, a remuneração não é suficiente. Então, por que, depois de alcançar o topo de uma montanha, ele se recupera e sobe novamente?

Este comportamento mostra que nos importamos em atingir um fim, que um desafio faz brilhar nosso olho. A isso o psicólogo Mihaly Csikszentmihalyi chamou de experiência de fluxo. Conforme o estudioso “em geral, os melhores momentos (de nossa vida) ocorrem quando o corpo ou a mente de uma pessoa são exigidos até o seu limite, num esforço voluntário para realizar algo difícil e de grande valor”.

Apesar do fato de o trabalho ocupar boa parte de nosso tempo, suas condições clássicas baseadas em lotes e filas de tarefas raramente conduzem ao fluxo psicológico. Nestas condições se consegue ver apenas uma pequena parte da tarefa, geralmente não se recebe feedback imediato e o trabalho exige apenas uma pequena parte de nossa concentração e habilidades. Adam Smith constatou que a fabricação de alfinetes apresentava 12 passos diferentes e que se somente uma pessoa executasse estes 12 passos, a produção seria lenta. Já se fossem pessoas diferentes para cada passo, a produção poderia aumentar substancialmente. Esta lógica funcionou durante algum tempo, porém, se você montou o alfinete, participando de todas as etapas do processo, é possível que você tenha mais claro seu propósito, que veja significado em seu trabalho e que esteja mais motivado para sua execução, apresentando um rendimento superior em relação à situação de quem participa apenas de uma etapa do processo.

Aproveite este início de semana para prestar atenção nas suas atividades rotineiras, em como você se sente em relação a elas, tentando priorizar as que lhe trazem mais satisfação e que tenham maior potencial de produzir fluxo e, então, responda àquela pergunta inicial: o que o motiva a trabalhar?

Trace um plano de ação para que seja possível trabalhar com aquelas atividades que realmente gerem fluxo para você e que exijam mais de suas habilidades, que lhe desafiem positivamente e tragam significado ao seu trabalho. Não seja um companheiro de Sísifo. Boa sorte e bons desafios! 😉

Palestra de Dan Ariely, no TEDxRiodelaPlata – What makes us feel good about our work?
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 Fonte da imagem: http://www.skipprichard.com/wp-content/uploads/2012/05/I-love-my-job-583×388.jpg

 Livro: A descoberta do fluxo – a psicologia do envolvimento na vida cotidiana, de Mihaly Csikszentmihalyi

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