Guest Post por Cristiane Herold>>

Durante o período universitário nos cursos de comunicação, pouco se fala ou se lê sobre o aspecto de aprendizagem organizacional ou gestão do conhecimento dentro das organizações. Muitas vezes esse assunto aparece como gestão da informação e nas características mais administrativas e programadas. Porém, a comunicação tem muito a contribuir e receber com esse processo.

A comunicação tem relação com o processo de aprendizagem organizacional?A sobrevivência e crescimento das organizações muitas vezes estão ligados com a capacidade da gestão de identificar mudanças e aproveitar novas oportunidades e possibilidades. Uma das maneiras de encontrar soluções e inovar situações é a aplicação dos conhecimentos adquiridos e compartilhados com experiências do próprio grupo de trabalho.

Segundo Nonaka e Takeuchi (1997) o conhecimento é adquirido quando existe contato com situações que propiciem novas experiências, e essas experiências estão em âmbitos dos mais diversos, entre eles o de experimentar em conjunto. Os autores ainda afirmam que “as pessoas são os agentes responsáveis pela criação e disseminação do conhecimento.” Isso independente do cargo ou atividade que exerce.

É possível identificar que existe uma natureza evolutiva no ambiente organizacional que reúne cada vez mais diferentes personalidades e diferentes anseios por parte dos integrantes dos grupos de trabalho, propiciando para a organização uma significativa diversidade de conhecimento. A facilidade dos jovens profissionais, por exemplo, em participar de processos inovadores e criativos além de apresentar um perfil multidisciplinar, pode ser um facilitador para a criação de conhecimento e construção de aprendizagem organizacional.

Participar de grupos ou equipes para desenvolver uma mesma atividade ou trabalho pode ser uma experiência extraordinária ou decepcionante, isso pode ser relacionado com o perfil dos integrantes ou com o ambiente/clima propiciado para o desenvolvimento das tarefas. O mais importante é que as pessoas da equipe funcionem juntas, que o objetivo em comum seja mais importante e trabalhado do que os objetivos individuais, dessa forma o aprender será alcançado nos dois âmbitos.

O conhecimento envolvido nas organizações já tem sido citado desde as teorias iniciais sobre administração, tanto pela linha chamada cientifica, quanto pela de relações humanas. A aprendizagem pela praticidade já era bem intensa nas oficinas artesanais no período da revolução industrial, principalmente quando acontecia a transferência de conhecimento durante os afazeres.

Nos anos 80 esse assunto passa a estar mais presente na realidade das organizações, pois surgem novas abordagens sobre aprendizado organizacional, sociedade do conhecimento e estratégia competitiva. O conhecimento dentro da organização precisa ser trabalhado de forma coesa e integrado com todos os processos, pois é ele que vai nortear o processo de aprendizagem dentro da organização. A criação do conhecimento organizacional é entendida como a capacidade de uma empresa de criar novo conhecimento, difundi-lo na organização como um todo e incorporá-lo a produtos, serviços e sistemas.

O conhecimento humano é classificado de duas formas: tácito e explicito. Essa classificação é definida pelo filósofo Michael Polany (1966). A maioria das organizações, principalmente ocidentais, ainda tem em sua concepção a visão de uma organização como uma máquina para processamento de informações e se utilizam mais do conhecimento explícito, já que este é visto como algo formal e sistemático.

O conhecimento tácito, pode se dizer, que é o grande tesouro e desafio como gestão dentro das organizações e esta forma de conhecimento é rica em habilidades, que está intrínseca nas ações e experiências de cada indivíduo, abrangendo emoções, valores e ideal. Conclusões, insights e palpites subjetivos, incluem-se nessa categoria, e muitas desses momentos podem surgir em ambientes e situações criadas pelo setor de comunicação. Não só criadas, mas aproveitadas em forma de estreitamento de laços dentro da organização, transparência e confiança nas atividades e principalmente na criação de uma cultura colaborativa e participativa.

Dar espaço para que a aprendizagem organizacional aconteça, é mais um aliado na captação e retenção de talentos, é uma oportunidade de se criar uma organização que aprende e permanecer de fato em comunicação com seus colaboradores.

Referências

FLEURY, Maria Tereza Leme. JR, Moacir de Miranda Oliveira (org.). Gestão Estratégica do conhecimento: integrando aprendizagem, conhecimento e competências. – 1 ed.– São Paulo: Atlas, 2012.

Ministério da Educação, portal.mec. gov.br

NONAKA, Ikujiro. TAKEUCHI, Hirotaka. Criação de conhecimento na empresa. Como as empresas geram a dinâmica de inovação. IkujiroNonaka ,Hirotaka Takeuchi : tradução de Ana Beatriz Rodrigues, Priscilla Martins Celeste. – Rio de Janeiro: Elsevier, 1997.

RODRIGUEZ, Martius Vicente Rodriguez. Gestão do conhecimento e inovação nas empresas. Rio de Janeiro: Qualitymark Editora, 2010.

SENGE, Peter M. A quinta disciplina. Arte e prática da organização que aprende. Tradução : Gabriel Zide Neto, OP Traduções. – 25ª ed. – Rio de Janeiro: Best Seller, 2009.

ARGYRIS, C.; SCHÖN, D. A.Organizationallearning II:  theory, method, and practice. New York: Addison – Wesley, 1996.

BITTENCOURT, Cláudia Cristina (org.). Aprendizagem Organizacional e Gestão do Conhecimento. Coleção EAD.  São Leopoldo: Unisinos, 2011.

Fonte da imagem: http://www.fontedetalentos.com.br/images/blog/28.jpg

Cristiane HeroldCristiane Herold é formada em Relações Públicas pela Unisinos e especialista em Gestão do Conhecimento. Trabalhou durante 7 anos na área de relacionamento com o cliente na AES SUL e há 5 anos estou  na Agência Experimental de Comunicação da Unisinos com a responsabilidade de orientar e auxiliar os alunos de Relações Públicas que realizam estágio na agência, onde praticam várias atividades relacionadas com a profissão; gestão de redes sociais, programa de rádio, pesquisas de mercado, planejamentos e campanhas de comunicação, ações, eventos. “Aprendemos juntos o tempo todo.”
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