Por Gabriela Cerqueira >>

Contando histórias: o storytelling como exercício da responsabilidade histórica das organizaçõesQuando concluí o bacharelado em Comunicação Social: habilitação em Relações Públicas, apresentei monografia sobre o Centro Histórico-Cultural Santa Casa, localizado em Porto Alegre. A percepção que tive na época foi de que, sem essa iniciativa, a história da saúde no Rio Grande do Sul iria se perder para sempre. Em tempos onde a cobrança da sociedade pela participação das organizações no desenvolvimento regional tornou-se regra, o exercício da responsabilidade histórica mostra-se como elemento chave do relacionamento das empresas com a comunidade.

Toda organização está inserida em uma comunidade, então o seu desenvolvimento guarda a história desse local e das pessoas que ali convivem em determinado período. Desse modo, as ações de preservação da história da organização não podem ser reduzidas a guardar arquivos, relatórios e fotografias em uma sala fechada. Essas ações devem ser disponibilizadas ao público externo, visto que a história não é apenas da empresa, mas de toda aquela comunidade.

Mas, como tornar as iniciativas de preservação da história atrativas para os públicos? É aqui que se insere o storytelling, termo que em português poderia ser entendido como técnica de contar histórias (para mais informações consulte os textos de Rodrigo Cogo, relações-públicas gaúcho que se dedica ao tema). O que pode tornar uma narrativa mais interessante para as pessoas? Deixar elas participarem do processo dando voz aos atores que contribuíram para a história. O relações-públicas tem no público interno da organização pessoas que são verdadeiras “histórias vivas”, circulando pelos corredores com suas memórias. Infelizmente, nem sempre há essa percepção, e quando um funcionário que teve grande participação no desenvolvimento da empresa falece, um pedaço importante da história se perde. Quando os fatos são contados através dos colaboradores, há a riqueza de detalhes e o significado do momento para cada um, o que não se abstrai de um documento.

Para o público externo, a história da organização preserva fatos importantes da história da comunidade, visto que o desenvolvimento é conjunto. Com as novas tecnologias de informação e comunicação não é preciso a construção de um Louvre da empresa para disponibilizar a história para a comunidade. Basta um hotsite alusivo a alguma data comemorativa. Os aniversários de data cheia, como 10 anos, são uma ótima oportunidade para o lançamento desse tipo de ação.

Atuo há quase 3 anos na Força Aérea Brasileira, e a organização atualmente realiza uma série de ações voltadas para “dar voz” ao seu efetivo. Uma dessas ações foi o “Especialistas da FAB”, programa da FAB TV (disponível no portal www.fab.mil.br) realizado por ocasião das comemorações do Dia do Especialista da Aeronáutica (25 de março), com matérias sobre as diferentes especialidades dos sargentos da FAB, contadas pelos militares que desempenham essas funções. Em conjunto com essa ação, utilizando a estratégia de cross media (uso de vários meios para divulgar uma campanha), os especialistas também foram entrevistados para o NOTAER (jornal interno) e temas sobre a data foram replicados em todas as mídias sociais da FAB no período.

Todo ano a Força Aérea Brasileira lança um tema para as suas campanhas, que fica estampado no material de expediente (agendas, calendários etc.) e norteia as pautas que serão realizadas no período. Em 2014, o tema é “Presente na vida dos brasileiros” e a palavra do mês é “integração”. Quer promover a integração entre a sua organização e seus diversos públicos? Esteja presente, convide a todos para contar histórias. Nada melhor do que uma boa roda de chimarrão (ou da bebida da sua região) para promover a cooperação. Até o próximo post.

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