Por Maria Alana Brinker >>

Todo mundo tem talento, é só uma questão de se mover até descobrir o seu. (George Lucas)

Criatividade não é sinônimo de talento. Entenda por quê.No meu post de dezembro, Todos podem ser criativos. Verdade ou mentira?, o assunto, como vocês podem perceber pelo título, tratou sobre o mito de que só é criativo quem já nasceu com o dom. A discussão do tema deu o que falar nas mídias sociais e eu prometi que em janeiro o traria novamente, agora abordando a diferença entre criatividade e talento.

CRIATIVIDADE X TALENTO

A criatividade depende mais do ato em si do que de DNA e, por isso, embora muitas vezes misturemos as definições, é diferente dizer que uma pessoa tem talento e que ela é criativa. Ou seja, ter um não é sinônimo de ter o outro. Você já vai entender por quê.

Ideias vêm a qualquer momento, mas, principalmente, quando paramos, repousamos. Elas não surgem por acaso, mas aparecem “[…] nas áreas às quais nos dedicamos intensamente e nas quais nos concentramos durante o estado de consciência.” Nesse trecho, Rollo May, no livro A Coragem de Criar – que também utilizei como referência no primeiro post sobre criatividade – fala do processo de ter ideias: concentrar-se em um problema e, em seguida, esquecê-lo para que as inspirações venham quando a mente estiver “desintonizada” nele. (Veja como identificar insights aqui.)

Já o talento, segundo May, ” […] pode ter correlatos neurológicos e pode ser estudado como algo que foi “dado” à pessoa. O indivíduo pode ter talento, quer faça uso dele ou não; pode ser a medida da pessoa. Mas a criatividade só existe no ato. Se fôssemos puristas, não diríamos a “pessoa criativa”, mas o ato criativo. Em certos casos, como o de Picasso, existe grande talento, aliado a um encontro especial, tendo como resultado uma magnífica criatividade. Às vezes existem grande talento e criatividade falha […] Há também pessoas com grande capacidade criativa e pouco talento.” (Pág. 34)

Apenas ter ideias não significa ser talentoso. Mas criar, colocar a mão na massa e fazer com que elas tornem-se concretas sim. Daí penso em reuniões de briefing intersetoriais ou com clientes, onde, geralmente, há uma enxurrada de pitacos até que alguém diga: “É fácil ter ideias, o difícil é tirá-las do papel.” Pura verdade!

Portanto, se você escreve no currículo que é criativo tenha em mente que na hora da entrevista poderá ser questionado sobre o que você fez para colocar essa criatividade em prática. Ideias não custam dinheiro, recursos, tempo e nem geram conflitos. Agora, executá-las requer pensar em tudo isso e ainda acrescentar jogo de cintura.

Referência: May, Rollo. A Coragem de Criar. Tradução de Aulyde Soares Rodrigues. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1982, 4a edição.

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