Por Emanuela da Silva

O Brasil elege a primeira mulher para a presidência, Dilma Rousseff. Mãe, avó, economista por formação, ex-ministra, guerrilheira. O discurso da vitória foi marcado por declarações e apoio às mulheres, focado na igualdade, no direito de expressão e na liberdade aos cultos religiosos. Essa não é a primeira vez que o país é governado por uma mulher. Vale lembrar que a pioneira foi a Princesa Isabel, no século 19, responsável pela Lei Áurea – que extinguiu a escravidão no território brasileiro.

Durante a campanha eleitoral, os vídeos do partido petista citavam várias vezes a prisão da eleita, e a condição de subversiva para o regime. (Os Anos de Chumbo, como é conhecido o período militar, e os acontecimentos que o envolvem ficaram à margem da história deste país por muitos anos. Milhares de pessoas desapareceram e até hoje as famílias destes presos políticos vivem à sombra deste fantasma, e jamais saberão o paradeiro destes brasileiros perseguidos pelo regime.)

O Jornal Nacional entrevistou Dilma um dia após sua vitória. Na ocasião, o âncora Bonner mostrou várias fases da vida dela. Sobre os escândalos, apenas citaram o que envolvia Erenice Guerra. Durante o período eleitoral, atribuíram a este  escândalo o atraso da vitória, e, por isso, o segundo turno. As acusações e tons ríspidos dos debates foram esquecidos; todos queriam falar sobre a candidata eleita. Traçaram um paralelo da militante ativista na década de 70, bem como a trajetória da família desde a chegada ao Brasil. Foi comparada, inclusive, à Joana D’ Arc. Sobre a polêmica do aborto, nada foi citado. Também mostraram a luta pela cura do câncer, e a biografia repleta de depoimentos, até do ex-marido.

Mas estamos falando de realidade e não de um drama da novela das oito. Independente do resultado das eleições, a imprensa não pode ser omissa diante dos fatos. Não vamos colocar nossa presidenta num altar como mártir da Ditadura. Sejamos realistas: lutas armadas, sequestros, falsidade ideológica no período militar… Ela terá que enfrentar a polêmica sobre a legalização do aborto, o escândalo da Casa Civil e da Receita Federal, a apuração dos fatos que denigrem a credibilidade do povo brasileiro nos órgãos governamentais.

A ELEIÇÃO ACABOU. CRÍTICAS E PENDÊNCIAS FICARAM.

No site Observatório da Impressa, o jornalista Rolf Kuntz fala sobre as diferenças e semelhanças dos candidatos e suas propostas. Confira a matéria Campanha fecha com grand finale. O site da Folha mostra  uma entrevista com Fernando Henrique Cardoso, atual presidente de honra do PSDB, que dá a posição do partido e faz uma análise das propostas eleitorais, do andamento da campanha e comenta o governo Lula. Questionado sobre a vitória de Dilma, ele comenta: “Nós não sabemos não só o que ela pensa, mas como é que ela faz. O Brasil deu um cheque em branco para a Dilma”. Veja a matéria na íntegra aqui.

Dilma monta sua equipe governista. A oposição aguarda suas primeiras ações e se ela considerará lembrar os erros do governo passado. Tudo é questão de escolha, não é mesmo?

A mídia cobriu as acusações dos então rivais Dilma e Serra, mas em nenhum momento traçou um perfil sobre a equipe de apoio aos candidatos. O principal articulista da campanha de Dilma foi Antonio Palocci, ex-ministro envolvido no Escândalo do Mensalão. Vale lembrar que o papel da mídia brasileira é diferente do papel da norte-americana, que apóia o candidato abertamente, mas comporta-se de forma tendenciosa ou nula muitas vezes.

O dever da mídia é mostrar a realidade dos fatos, lembrar de forma fiel acontecimentos que integraram a memória nacional sem características ficcionais – típicas das telenovelas – independente de posição partidária.

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>> Veja também: Neuromarketing na Política é ético?

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