10
ago
2012

Doação de órgãos via Facebook. Ético ou não?

Por Marina Alano >>

Na última semana, foi liberada aos usuários brasileiros do Facebook a opção de declararem-se doadores de órgãos. A rede social habilitou a categoria “Doador de órgãos” no perfil do usuário como parte da opção “Saúde e bem-estar”, sob a epígrafe “Acontecimento cotidiano”. Uma vez ativada, a condição de doador poderá ser compartilhada de forma pública, com amigos e com a família. O internauta poderá indicar onde reside, desde quando é doador e as razões que o levaram a tomar essa decisão. Essa informação, segundo os criadores da rede social, tem o intuito de fomentar a prática entre seus milhões de participantes.

Esse fato, além de contribuir para uma causa social, como a dificuldade de haver doadores de órgãos no mundo inteiro, também destaca uma importante questão: o número de informações que as marcas e empresas têm sobre nós e a forma como isso é utilizado. Indo mais além podemos também pensar um pouco sobre a questão ética do uso dessas informações.

A palavra “ética” está relacionada ao modo de viver, a estilos de vida, e tem como fundamentação teórica buscar a melhor forma de viver e conviver. A evolução tecnológica ocorreu de forma muito rápida. Em poucos anos, informações até então privadas estão sendo usadas todos os dias, com ou sem nosso consentimento.  No mundo digital, nada mais é segredo. Sabem a que horas você acorda, quem são seus amigos, que tipo de música gosta, posição política, sabem onde você está agora, nesse exato momento. É o Big Brother virtual, onde suas informações podem ou não ser usadas contra você.

Atualmente não existe um Código de Ética para as redes sociais públicas. Em termos jurídicos, nos últimos anos, começaram a surgir os primeiros “problemas” relacionados ao mundo digital, e creio que é apenas o começo.  É sabido que diversas corporações utilizam as informações disponibilizadas nas redes sociais para a seleção de candidatos. No mundo 2.0 você é avaliado pelo o que curte ou compartilha. Será que é justo?

A grande questão  nisso tudo é a forma descontrolada como essas informações estão e irão ser usadas futuramente. Como profissional da área de Marketing Digital é impossível não atentar para esses fatos. Preocupa-me a falta de controle ou até mesmo o bom senso que algumas marcas estão tendo ao invadir a privacidade das pessoas. Não querendo ser retrógrada diante dos novos recursos tecnológicos (até porque sou apaixonada pela praticidade e melhorias desse mundo “moderno”), apenas faço o questionamento como usuária e profissional: essa evolução não está sendo feita de maneira desordenada? Será que não estamos sendo um pouco passivos diante disso tudo? É uma questão a se pensar! E, citando Aldous Huxley, no livro Admirável Mundo Novo: a melhor forma de dominar é fazendo com que os escravos amem sua escravidão. Familiar?

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