Por Maria Alana Brinker

O post de hoje é sobre uma história verídica e vergonhosa das eleições 2010, aqui no Rio Grande do Sul.

Pouco após o dia 04 de outubro, em que todos os brasileiros tiveram a “oportunidade obrigatória” de sair às ruas para exercer a cidadania e a democracia, um amigo relatou-me que foi acompanhar a namorada para votar no colégio Cecília Meireles, na cidade de Viamão (zona 59). Quando sua namorada mostrou a carteira de identidade e o título de eleitora para a mesária, foi informada de que, inacreditavelmente, já havia votado! Espantada pela resposta da mesária, que também participava da festa da “democracia obrigatória”, a namorada dele perguntou o que tinha ocorrido, já que ela ainda não havia votado. Com um ponto de interrogação no meio da testa, a mesária começou a olhar para os colegas, que também não sabiam o que fazer naquela situação. Num ímpeto de tentarem corrigir o erro, ficaram olhando, inutilmente, papeis e manuais que estavam sobre a mesa. Mas, ao que tudo indica, não havia nada explicando o que fazer quando alguém vota no lugar de outra pessoa.

RESUMINDO O DESFECHO

A namorada do meu amigo não conseguiu votar, mas teve seu voto registrado por outra eleitora, a qual terá, agora, que justificar o seu. Como ela pensa que votou, não fará isso, e só saberá que está em falta com a Festa da Democracia quando precisar do CPF para efetuar alguma compra. Aí ela passará vergonha, e provavelmente ficará muito estressada, pois escutará do vendedor de sei lá o quê que seu CPF está irregular, e terá que ir ao TRE, retirar uma senha e ficar esperando um bom tempo para descobrir que sua colaboração cidadã não foi registrada.

MORAL DA HISTÓRIA

Na mesma semana em que soube deste fato, vi uma notícia na televisão que relatava o mesmo ocorrido, só que em outro estado do Brasil. Quantas vezes será que isso se repetiu? E o que mais de errado deve ter acontecido durante as eleições que nós, eleitores, não ficamos sabendo? Como os profissionais de TI e de Comunicação do TRE não prevêem soluções para erros assim? Bem, se prevêem, pelo menos os mesários não tomam conhecimento ao serem convocados.

Se você souber de mais algum problema relacionado às eleições, deixe um comentário neste post. Afinal, as mídias sociais também servem para compartilharmos informações como estas, que nos deixam mais atentos aos problemas que ocorrem “por baixo dos panos”.

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>> Veja também: Pepsi e Coca-Cola são iguais? O Neuromarketing responde.

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  • Somos tratados como palhaços mesmo … elegemos analfabetos , vendemos nosso voto .. esse é o nosso país, esse é o retrato do eleitor brasileiro

    • Rainer Drummer

      Sim, elegemos pessoas funcionalmente analfabetas, pessoas com segundo grau, terceiro grau, mestres, doutores…Lula tem curso técnico de 2º grau reconhecido pelo MEC, Collor tem dois ou três cursos superiores…então não é por aí. Quanto à questão ora tratada, é um absurdo ter acontecido. Quando fui mesário, há alguns anos, era obrigado a conferir a ID e o CPF na listagem que o TRE nos mandava…e ainda éramos orientados a confrontar a foto da ID com o “semblante” do(a) eleitor(a) e as assinaturas da folha do TRE com a da ID…ou a pessoa que votou no lugar dela falsificou uma ID e votou duas vezes, uma como se fosse a reclamante e outra como ela mesma, ou faltou critério aos mesários na conferência de dados. Se a pessoa tivesse que ter levado o título, bom, tb poderia falsificar um do mesmo modo. Então não acho que seja o caso de se exigir dois ou mais documentos, mas sim de um maior rigorismo dos mesários ao confrontar dados, assinaturas, fotos…
      Falsificações em eleições sempre houve; esta não será a última. De qualquer modo, é caso de polícia e deveria ter sido lavrado um B.O. por precaução.

  • Marco

    Olha, conhecendo a cultura do povo desse nosso país, é bem provável que esse tipo de coisa foi bem comum por aí… Duas coisas poderiam ter sido: ou foi uma fraude na cara dura, alguém conseguiu se passar pela pessoa de propósito, ou foi falta de atenção dos mesários, que registraram algum voto errado. De qualquer forma, é muita cara de pau ou falta de responsabilidade, duas coisas que não são compatíveis com a seriedade de faltar com o dever de votar, mas que são típicas do “jeitinho brasileiro” de levar as coisas.
    De fato, o voto obrigatório só dá chance para este tipo de situação ocorrer. Se o voto fosse facultativo, as pessoas pelo menos teriam que se identificar direito e quem fosse de fato votar teria interesse em conferir se o mesário está fazendo direito seu trabalho. Mas não, está todo mundo cumprindo tabela mesmo, então no fim das contas não faz diferença…

    • Marco,

      Também acho que o voto não deveria ser obrigatório. Se ele fosse espontâneo, provavelmente haveria uma seleção natural das pessoas que realmente têm vontade de votar. Claro que a quantidade de cidadãos a comparecer nas urnas se reduziria muito, mas, pelo menos, a chance das escolhas serem melhores, mais bem pensadas, aumentaria.

      Abraço!

  • Marina,

    Certamente, deveria ser exigido um grau mínimo de instrução para os candidatos à qualquer cargo político – questão de bom senso, né. Mas, infelizmente, a política aqui no Brasil é encarada de maneira espetacularizada. O que quero dizer é que os candidatos se mostram como um produto – não importando quem sejam, que nível de instrução têm, quais experiências etc. -, que deve ser vendido à qualquer custo. Isso é possível comprovar pelo mote e pelos slogans das campanhas de 2010. Durante as eleições, observei campanhas onde o slogan era simplesmente “Na hora de votar faça o L de L…”, “Fez muito mais!”, “Pior do que tá não fica, vote em Tiririca.”, Paulo B…, o homem do tempo.”, e lá vão tantos outros slogans ridículos e que não dizem nada sobre o candidato, apenas visam facilitar ao eleitor a memorização do número, e não incentivá-lo a conhecer suas propostas e feitos.

    Abraço!

  • Rainer,

    Aqui no Brasil, já acompanhamos escândalos de políticos com diferentes níveis de instrução; mesmo assim, acredito que deveria ser exigido um grau mínimo de escolaridade, pelo menos o ensino médio completo, para o indivíduo que tenha a pretensão de se candidatar a cargos políticos.

    Com relação ao ocorrido com a namorada do meu amigo, certamente foi uma grande falha do TRE, que, até onde sabemos, não preparou nada, nenhum recurso prevendo algum erro desse tipo. É em situações assim que vemos a fragilidade do nosso sistema eleitoral. A tecnologia avançou, criando urnas eletrônicas, mas parece que as instituições públicas não conseguem acompanhar esta evolução junto.

    Provavelmente, se tivessem feito um BO e registrado o ocorrido por precaução, erros assim seriam menos frequentes.

    Abraço!

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