Por Emanuela da Silva

As eleições pautam as conversas em todo o país. Entretanto, falar sobre elas e expor a opinião pode causar problemas, como a “demissão”, ou dispensa, da colunista e psicanalista Maria Rita Kehl, do jornal O Estado de São Paulo.  Maria Rita escreveu um artigo cujo título foi Dois Pesos, analisando o posicionamento político do Jornal (a favor de Serra) e elogiando ações do atual partido na presidência.

A decisão d’O Estado de São Paulo provocou revolta entre os profissionais da área, que organizaram um manifesto em forma de abaixo- assinado pela Internet. O caso teve enorme proporção, a ponto do diretor do Jornal, Ricardo Gandour, conceder uma entrevista à Revista Imprensa explicando a versão do Jornal sobre o caso.  O Portal Imprensa divulgou o desenrolar do caso. Essa questão trouxe de volta a velha polêmica da liberdade de expressão (veja, aqui, mais detalhes).

O primeiro turno acabou. Agora, o Brasil está a caminho do segundo turno. Jornais, revistas e rede sociais, todas estão focadas para o assunto do momento: eleições. Enquanto a mídia brasileira dedica a atenção para o cenário político, os demais acontecimentos tornam-se secundários.  Policiais baleando inocentes, as secas no Amazonas, greves, protestos, tiroteios, rebeliões nas instituições carcerárias etc. A declaração polêmica sobre o aborto gerou debates, fóruns, discussões e entrevistas. Nem a revelação de outro envolvido no assassinato do casal Ritchthofen teve tamanha repercussão no período eleitoral; tampouco os maus súbitos dos suspeitos envolvidos no desaparecimento de Eliza Samúdio durante a audiência. Não é para menos, a eleição movimenta milhões de reais e o resultado dela sempre beneficia ou prejudica alguém. Mas a marcha para as urnas continua, e acusações mútuas seguem ao longo da campanha.

O Brasil é um país cômico, pois elege para deputado um humorista e ele precisa provar que não é analfabeto. Detalhe: foi o deputado mais bem votado do país. Enquanto isso, guardas municipais são afastados por extorsão no RJ e uma onda de arrastões na cidade maravilhosa acontece. Nem o tricampeonato da seleção masculina de vôlei foi tão noticiado quanto as declarações de Dilma e Serra.  O jogo entre a seleção brasileira de basquete representada pelo time do Joinville (SC) termina em pancadaria na China. O regaste dos 33 mineiros do Chile a comoção mundial diante do drama destes trabalhadores. As propagandas eleitorais à cada dia com mais personagens, fatos e futuras medidas aliadas a acusações aos adversários.

A TECNOLOGIA EM PROL DA POLÍTICA

É inegável que essas eleições estão sendo marcadas pelo uso das redes sociais em grande escala. Muitos candidatos adotaram o marketing político e a tecnologia para se promoverem, usando sites de relacionamentos e mídias sociais (Orkut, Twitter, Facebook, MSN, Flickr, entre outros). As formas de divulgação são as mais diversas: enquanto uns mandam suas propostas para os usuários, outros lotam as caixas de e-mails com denúncias, fatos não divulgados nas mídias tradicionais e propagandas. O bom uso das ferramentas pode ser uma faca de dois gumes para os candidatos, pois respostas mal interpretadas, fotos sem legendas, vídeos, conversas recortadas podem arruinar a carreira ou mudar o resultados nas urnas. As redes e as mídias sociais deram poder para a mídia em geral e para os cidadãos exporem idéias e argumentos com verdades e mentiras sem limites. Resta saber como fica a credibilidade das redes pós-eleições.

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>> Veja também: Eleições 2010: erros na “Festa da Democracia Obrigatória”

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