Por Tauana Jeffman >>

Por que e o que você compartilha nas redes sociais? Você já parou para pensar o que os conteúdos que se espalham pela internet têm em comum? Você sabe o que é mídia propagável?

http://www.chadecerebro.com.br/wp-content/uploads/2013/05/Quando-usar-memes-numa-estrat%C3%A9gia-de-marketing-digital.pngAtravés das palavras de Henry Jenkins, Joshua Green e Sam Ford (2014, p. 25), entendemos os meios de comunicação tradicionais como componentes do que os autores chamam de mídia mainstream​, que se diferenciam da mídia propagável. Entender os princípios da mídia propagável ​é também entender por que um conteúdo se espalha nas redes sociais e outros não. O que influencia na decisão do público no momento em que este compartilha uma notícia em seu Facebook ou posta um tweet. Tais decisões, como sabemos, “estão remodelando o próprio cenário da mídia”.

Para que uma mídia, ou um conteúdo, torne­-se propagável, é imprescindível que recursos técnicos sejam disponibilizados para tais fins, facilitando sua circulação. O objetivo da mentalidade propagável é criar conteúdos que “vários públicos possam espalhar por diferentes motivos, convidando as pessoas a moldar o contexto do material conforme o compartilham no âmbito de suas redes sociais” (Jenkins; Green; Ford, 2014, p. 29).

O público desempenha um papel ativo na propagação dos conteúdos. São os seus valores, interesses e propósitos que definem o que tem valor ao ponto de merecer ser propagado. É importante enfatizarmos a importância do público neste processo, pois todo material propagado é refeito. Seja de modo figurado, quando o conteúdo é inserido em conversas por meio de diversas plataformas; ou de modo literal, quando o conteúdo é sampleado ou remixado. Logo, o público é um propagador e um gerador de conteúdo. É peça essencial em um mundo onde o que não se propaga, morre ( Jenkins; Green; Ford, 2014, p. 234).

Mas o que torna uma mídia propagável, além da facilidade de acesso e compartilhamento de conteúdo por parte do público? Há cinco princípios básicos que tornam o conteúdo apto a ser propagado, segundo Jenkins, Green e Ford (2014, p. 246):

1. Disponível quando e onde o público quiser (o público precisa ter fácil acesso ao conteúdo);|
2. Portátil (o público pode compartilhar um texto de mídia em diversas plataformas, como os links do YouTube, por exemplo);
3. Facilmente reutilizável em uma série de maneiras (o conteúdo deve ser rico o sufciente para gerar conversas, outras publicações ou até mesmo sampleamentos e remixagem);
4. Relevante para os vários públicos (relevância é fundamental e não pode ser restrita a um único grupo) e
5. Parte de um fluxo constante de material (o público deve ser constantemente nutrido com conteúdo relevante e que tenha sentido em um conjunto maior).

A propagação de um conteúdo dificilmente resulta da solicitação direta de uma empresa, um anunciante ou um produtor. A propagabilidade se dá de forma orgânica, e é o público que toma esta decisão. Resta a tais empresas, anunciantes e produtores entenderem como se dá este processo, motivando e facilitando seu desenvolvimento. Contudo, nenhum esforço será útil se o texto de mídia criado não envolver as pessoas, fazendo com que estas se sintam tocadas e considerem que compartilhá­lo com seus amigos vale a pena, transmitindo seus valores e significados (Jenkins; Green; Ford, 2014, p. 249).

Cada vez que o conteúdo for reconfigurado e compartilhado, poderá ser novamente recontextualizado por outros públicos e, assim, compartilhado novamente. Deste modo, a mídia se espalhará como um dente­de­leão, ao sabor do vento. JENKINS, Henry; GREEN, Joshua; FORD, Sam. Cultura da conexão: ​criando valor e significado por meio da mídia propagável. São Paulo: Aleph, 2014. Imagem: https://socialspirit.com.br/perfil/jojonass/jornal/suplica­e­dente­de­leao­639639.

Fonte da imagem: http://www.chadecerebro.com.br/wp-content/uploads/2013/05/Quando-usar-memes-numa-estrat%C3%A9gia-de-marketing-digital.png

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