Por Daniele Carlini >>

A Associação Brasileira de Relações Públicas do Rio Grande do Sul e Santa Catariana – ABRP RS/SC, completou 2 anos no último dia 06 de junho.

Final de 2015, procurando cursos e atividades da minha área, me deparei com um congresso que falaria sobre os “Novos Rumos no Mercado de Relações Públicas”. Nem acreditei que estava diante de um congresso na minha área, acontecendo em Porto Alegre e que estava falando das expectativas ‘do mercado’ para a minha profissão! Vocês, colegas RPs, sabem o quão difícil é encontrar iniciativas como essa, principalmente no Sul do país.

Pesquisando dados do evento, descobri que o organizador era a Associação Brasileira de Relações Públicas RS/SC. Estando formada desde 2010, nunca havia ouvido falar na entidade. Buscando mais informações, encontrei muita gente legal, conhecida, bons profissionais (mercado e academia), que estavam envolvidos de alguma forma ou, simplesmente, pareciam apoiar a Associação. Qual não foi minha surpresa, quando vi que a ABRP RS/SC oferecia diversos cursos na área da comunicação, com preços super acessíveis. Bom, como a economia – principalmente para autônomos, que é meu caso – não andava lá essas coisas e é sempre bom se atualizar, confesso que meu ímpeto em me associar partiu da necessidade de unir custo-benefício para me manter estudando. Mas, passado seis meses e renovado minha associação junto à entidade, posso dizer que virei fã incondicional dessa equipe que, voluntariamente, se dedica tanto para unir, educar, ativar e criar expectativas para nossa profissão!

Pode parecer até post promocional, mas não. Essa entrevista surgiu da oportunidade de dar (re)conhecimento a todo esforço do Marcelo, da Juliana, da Patrícia, da Tuane, da Michele, do Vinícius e dos demais que estiveram presentes anteriormente, mas não compõem a diretoria atual. E, ainda, é uma oportunidade de apresentar a nova aliança entre a ABRP RS/SC e o Comunicação & Tendências, já que fomos convidados a cobrir alguns dos cursos da Associação e postar pra vocês aqui no blog todas as partes mais bacanas aprendidas em aula!

Espero que gostem das perguntas e, quaisquer dúvidas que restarem sobre o papel da ABRP RS/SC na atuação em prol da nossa profissão (e dos colegas comunicadores), tanto o C&T, quanto a entidade, estamos disponíveis para ajudar.

 

Presidente da ABRP RS/SC fala dos dois anos de retomada das atividades da Associação

Marcelo Tavares

Comunicação & Tendências: A ABRP RS/SC completou 2 anos de atividades no último dia 6. Como surgiu a ideia de reativar a Associação?Marcelo Tavares: No final de 2013, eu e mais um grupo de profissionais formos convidados pelo Conrerp 4ª Região, a discutir sobre a importância da Associação e a reabertura da entidade. Foi muito interessante participar deste processo desde o início, pois muitos de nós não tínhamos o conhecimento da história da ABRP no RS e SC, então o estudo que tivemos foi muito interessante, não apenas para agregar conhecimento, mas para repensarmos sobre a nossa trajetória profissional. O profissional de Relações Públicas da atualidade tem muitos desafios que talvez nossos precursores não tinham, e precisamos refletir sobre este cenário. A sociedade passou por transformações e a nossa profissão também precisa fazer parte deste movimento.

C&T: Qual o principal objetivo da Associação?|
M.T.: Nosso maior objetivo é (RE)unir esforços para agregar os profissionais e acadêmicos de Relações Públicas e fortalecer a nossa imagem perante à sociedade. Não é uma tarefa fácil, e sempre fomos cientes disto, mas acreditamos que é necessário. A cada novo associado, a cada cursista novo (em nossos cursos), vibramos e ficamos muito felizes. O trabalho de todos da diretoria é extremamente voluntário, e acreditamos muito na colaboratividade, afinal é através da união de esforços que conseguiremos demonstrar força e solidez para a categoria. Evidente que para esta união, é fundamental reunir diferentes opiniões, acatar posicionamentos divergentes e mediar este contexto, mas neste aspecto, também cremos que os Relações Públicas são os profissionais mais aptos nestas demandas de relacionamentos.

C&T: Para ser associado da ABRP, é necessário estar registrado junto ao Conselho. Por que a Associação tem esta diretriz?
M.T.: Nossa defesa é pela valorização profissional SEMPRE, e acreditamos que ela perpassa a questão do registro profissional. Este foi um assunto de uma grande discussão, e sempre tivemos posicionamentos divergentes, mas sempre chegamos ao consenso de que o Conselho existe por uma determinação legal e a ela não cabe questionamento algum. Somos a única habilitação da Comunicação Social a ter a sua atividade regulamentada e isto é (e deve) ser motivo de orgulho. Entendemos os questionamentos de diversos profissionais que, por ventura não estejam registrados, e a todos estes colegas defendemos a importância do registro junto ao Conrerp, isto sempre com muito diálogo e transparência.

C&T: Os cursos promovidos pela Associação buscam sempre trazer uma visão acadêmica e outra de mercado. Como você vê a importância desta junção para os profissionais de RP?
M.T.: Os cursos foram demandas que ouvimos desde o princípio das discussões de reabertura da entidade. Inicialmente, começamos a trabalhar com temas muito pontuais e solicitados pelos colegas e, a partir deste movimento, foi nascendo uma rede de contatos, de networking, muito interessante e acreditamos que isto seja essencial e muito positivo para o nosso trabalho. Aliar a visão da academia e do mercado foi um escopo interessante e tem tido um bom reflexo nas nossas pesquisas de satisfação. Nunca podemos esquecer que teoria e prática caminham lado a lado, uma fundamentando a outra, num processo dialético e constante. Por isso, vemos também neste modelo uma possibilidade de promover uma aproximação da academia e do mercado e esta é uma das nossas premissas.

C&T: Ainda sobre os cursos, quais as temáticas que tem sido mais solicitadas pelos profissionais?
M.T.: Já recebemos indicativos de diversas temáticas e cabe ressaltar que as nossas pesquisas de satisfação, além dos feedbacks nas redes sociais e site, são um importante canal deste relacionamento com o nosso público. Acolhemos todas as considerações e sugestões e fazemos um grande esforço para promovê-las. Neste ano, tivemos um grande sucesso com os cursos de Eventos Corporativos e Social Media e Gestão de Conteúdo, por exemplo, no primeiro quase chegamos ao número de inscritos do nosso primeiro Congresso, no ano passado, e no segundo, tivemos que abrir duas turmas, e atendemos mais de 80 pessoas. Creio que estas sejam temáticas muito recorrentes do profissional, mas isto não desmerece as outras, em hipótese alguma, visto que nosso perfil profissional exige uma qualificação muito generalizada e abrangente.

C&T: Como é o relacionamento da ABRP RS/SC com as outras regionais do país? Você nota alguma diferença entre os profissionais que atuam no mercado do Sul com os demais?
M.T.: Temos um bom relacionamento com as outras ABRPs e já realizamos algumas atividades em conjunto como, por exemplo, a discussão de um posicionamento da entidade sobre a atualização da nossa lei de regulamentação, em 2014. Acredito que cada Estado tenha uma peculiaridade e possíveis adversidades distintas para os colegas de profissão, e este seja, talvez, o que diferencie a atuação de cada seccional da entidade. No RS, por exemplo, temos um alto número de profissionais registrados no Conrerp (se pensarmos na proporcionalidade dos egressos de RP), mas o nosso mercado é muito competitivo e desafiador para o profissional recém formado. Este é um cenário muito diferente de SP ou RJ, por exemplo, então não há como fazer comparações entre os profissionais e mercados se não ponderarmos estas peculiaridades regionais.

C&T: Você é professor universitário. Como vê a mudança da graduação em Relações Públicas de habilitação, para titulação?
M.T.: No ano passado, produzi um artigo para o Intercom Nacional falando desta temática. Trata-se de uma Resolução do Conselho Nacional de Educação, que definiu novas diretrizes curriculares para os cursos de graduação em Relações Públicas, ainda em 2013, e o prazo limite para as Instituições de ensino superiores se adequarem era de dois anos, considerando todos os alunos ingressantes após a publicação da Resolução. Cabe lembrar ainda, que esta era uma discussão dentro do ambiente acadêmico desde 2009, e que tivemos muitos representantes nesta comissão de estudo da nova diretriz e, de uma forma geral, eu vejo como positiva este processo, que vem legitimar mais a nossa profissão. Dadas as devidas proporções, e talvez este não seja o melhor exemplo, mas a área das engenharias possui diversas habilitações (civil, química, mecânica, etc…). Creio que a Comunicação seja um campo do conhecimento que permita esta diferenciação da titulação. Evidente que isto, pelo menos pra mim, não significa uma segregação ou separação dos colegas jornalista e publicitários, em hipótese alguma, mas serve como um marco para as áreas. Para as Universidades fica um enorme desafio de formar um profissional com perfil generalista e competências mínimas mais extensas do que a normatização anterior previa, e isto é um reflexo da mudança da sociedade que comentamos antes, de nada adianta termos um profissional executor (tarefeiro) se ele não pensar e/ou questionar a dimensão da sociedade em que ele está inserido.

C&T: Estamos em um momento crucial no país, com personagens, instituições e empresas sendo colocadas em posições bastante delicadas. Mais do que nunca, a atividade de Gestão de Reputação e Imagem tem sido necessária. Neste contexto, quais as oportunidades que enxerga para o profissional de RP?
M.T.: Acredito que somos os profissionais da gestão da imagem, sejam elas de organizações (públicas, privadas ou do terceiro setor), de figuras públicas, políticos…temos uma vasta formação para trabalhar com esta área. Muitos dos cases que vemos nas redes sociais, por exemplo, são frutos de estudos e, na sua maioria, percebemos que não há uma orientação profissional da nossa área. Vivemos numa sociedade em redes, como diria Castells e, neste sentido, as organizações precisam estar cientes que os seus relacionamentos são tomados de outros formatos e possibilidades. Hoje em dia, o público vai te acionar pelas redes sociais e, principalmente, o contato com a sua empresa é o que define a sua imagem. Isto nos traz uma imensa responsabilidade no (RE)pensar as estratégias de comunicação e, por isso, mais do que nunca, a sociedade precisa de muitos Relações Públicas.

C&T: Como vê o mercado de Relações Públicas para os próximos 3 a 5 anos?
M.T.: Por vezes, me considero um entusiasta e digo para todos que nunca tivemos tantas oportunidade para a nossa atuação profissional. Sempre ouço “Ah, Marcelo, mas minha mãe não sabe o que eu faço” e costumo responder com “Que bacana que a tua mãe não sabe, uma excelente oportunidade de tu ir lá e explicar pra ela!”. Este talvez seja o nosso maior desafio profissional, provar e comunicar para os outros o que um RP pode fazer, porque as pessoas não sabem e não têm a obrigação de saber. A obrigação é nossa de dizer e de nos posicionarmos. Com todos os clientes que atendi na minha experiência profissional, nunca um me chamou porque queria um Relações Públicas, e sim me chamavam porque tinham demandas de comunicação a resolver em suas organizações, e sempre me posicionei da seguinte forma: “Prazer, eu sou Relações Públicas e vou te auxiliar neste e naquele sentido”! Temos diversas possibilidades de atuação, temos campo para todos os colegas. E sou capaz de dizer mais: precisaríamos de mais RPs no mercado para dar conta das possibilidades de atuação, mas para isso também é preciso que haja um profissional perspicaz e perceptivo para entender as demandas do mercado e da sociedade.

C&T: Se pudesse dar uma dica aos profissionais de RP (iniciantes ou não), qual seria?
M.T.: Bem seriam várias e eu ficaria aqui um bom tempo discorrendo, mas tem algumas que são primordiais e as elenco da seguinte forma:

  • Atualize-se sempre. Busque o mais variado e diversificado tipo de CONHECIMENTO, pois ele sempre vai te ajudar e ser útil.
  • Faça muito NETWORKING e contatos. Aquele nosso colega do curso de inglês de hoje, poderá ser o nosso cliente de amanhã.
  • Trabalhe sempre de forma COLABORATIVA. Nem sempre você será o melhor em uma determinada área, neste caso, você precisará ter parceiros certos que te ajudarão em determinados projetos e vice-versa.
  • E, talvez o mais importante, deposite AMOR em tudo que você fizer, pois assim tuas experiências farão muito sentido para ti e para os outros também.

Sobre a ABRP RS/SC

A ABRP RS/SC é uma entidade da área de Relações Públicas que atua nos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, com a finalidade de congregar todos os profissionais da região sul e difundir a atividade no mercado profissional. A entidade faz parte da história da profissão e foi fundada em São Paulo no ano de 1954. Desde 2014, foi reaberta a Seccional RS e SC, atuando com eventos e palestras de formação para profissionais e acadêmicos de comunicação. Para ser um associado, basta acessar “Associe-se” no site. Em casos de dúvidas, o contato é abrp@abrprssc.com ou pelos fones 51 9346.3555 e 51 9942.9645.

Fonte das imagens: banco ABRP RS/SC | RP Bruna Teixeira

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...