Por Felipe Uhr >>

O post de hoje traz uma entrevista com a relações-públicas e professora Andreia Silveira Athaydes. Com mais de 20 anos de experiência profissional, ela integrou a diretoria executiva da Associação Riograndense de Imprensa (ARI) e foi conselheira efetiva do Conselho Federal dos Profissionais de Relações Públicas (CONRERP), na Coordenadoria de Integração América Latina. A educadora falou para o Comunicação & Tendências sobre o mercado e o papel do RPs nas empresas, algumas campanhas que geraram repercussão e a regularização do profissional para atuar nas assessorias. Confira como foi!

Entrevista: Andréia Athaydes fala do mercado para os RPs e das polêmicas sobre o registro profissional e a assessoria de imprensaComunicação & Tendências – Qual a situação atual do mercado de Relações Públicas no Brasil?
Andreia Athaydes – Em relação aos anos 60, quando a profissão se institucionalizou no país, ele se ampliou 100% e cada vez mais cresce. O que nós percebemos é que existem graus de desenvolvimento diferenciados em relação à cada região do Brasil. São Paulo, sem dúvida, é a capital econômica, então tudo o que acontece lá acontece mais rápido. Há uma maior sintonia, como em outros países mais desenvolvidos, e ela vai se espalhando para o resto do país com o tempo. Em termos de reconhecimento ou necessidade, os empresários e a própria população começaram a entender valores intangíveis nos negócios, e um desses valores é o relacionamento.

C&T – Qual o papel do RP nas empresas? Elas já se deram conta da importância desse profissional?
A. A. – O papel do RP é ser o gestor de relacionamento de uma organização com diferentes segmentos de públicos. O fato é que qualquer organização é um conjunto de pessoas que precisa se relacionar com outros grupos de pessoas. Esse relacionamento tem que convergir interesses, e a área de Relações Públicas foi constituída para ser uma das áreas da Comunicação que faz a gestão de relacionamento dessa organização com seus públicos no sentido de ter uma relação equilibrada pensando na reputação. É claro, se área de Relações Públicas se expandiu é por que o empresário sabe que não adianta ter só bons produtos a preços compatíves e com qualidade. O que diferencia uma empresa da outra é a reputação. E reputação só se faz com relacionamento. A área de Relações Públicas acabou se voltando para isso. Nos anos 50 e 60 era algo interessante mas que veio pelas multinacionais que eram as empresas que já tinham essa vivência e experiência, e aqui nós estavamos começando Relações Públicas, por isso no começo ainda era considerado perfumaria. Hoje o empresário brasileiro já entendeu que para competir ele precisa de reputação, e é onde entra o RP.

C&T – O profissional de RP já entendeu que deve ter esse papel na empresa?
A.A. – Acho que sim. O que talvez a gente possa discutir é como ele busca essa formação. Os jovens profissionais que estão entrando na faculdade e fazendo o curso já entendem esse papel. O que nós temos que ter como discussão, aqui no país, é como “eu” me transformo num gestor estratégico da comunicação dos relacionamentos e onde e qual tipo de conhecimento buscar. Somos praticamente um continente e por isso nós temos muitas diferenças de compreensão. Por isso, há grupos de profissionais que sabem que são importantes, sabem do seu papel estratégico mas ainda estão em fase de se apropiar do conhecimento que vai garantir esse papel pra ele.

C&T – Em virtude disso, o RP é mais valorizado nas regiões onde o desenvolvimento econômico é maior?
A.A – Na verdade, ele é mais exigido onde é mais chamado por ter mais oferta. Nosso país é muito grande e há tantas realidades que a gente pode generalizar e compreender que há regiões que não atingiram a plenitude do seu desenvolvimento econômico social e que ali elas terão mais dificuldades para utilizar o que nós compreedemos na teoria como relações públicas excelentes. O que não impede que uma empresa em uma região pouco desenvolvida introduza RP no seu negócio. Há esse paradoxo de desenvolvimento econômico social no Brasil e as Relações Públicas têm de se adaptar a esse paradoxo.

C&T – Recentemente aconteceram algumas campanhas publicitárias que tiveram uma má interpretação da opinião pública. Até que ponto o profissional de Relações Públicas pode interferir para que questões sociais, como o machismo por exemplo, não sejam deflagrados na campanha?
A.A – O primeira dever de casa é analisar o perfil de público. E quando a gente analisa perfil de público não é somente pegar os dados demográficos, mas sim também fazer uma análise sociológica. E isso de modo geral está faltando nos nossos meios de comunicação. Vivemos em uma sociedade imediatista e que a gente não está conseguindo captar todas as informações e analisar o contexto. Há, de novo, um paradoxo. Estamos vivendo com ações de vanguarda junto a movimentos reacionários. Ao mesmo tempo em que há pessoas que defendem casais poliamorosos existem pessoas que defendem a família constituída pelo homem e a mulher, onde esta tem que cuidar da casa e do filho. Então, a gente tem esse ambiente paradoxal e que, na verdade, é uma etapa. O profissional também necessita fazer uma análise mais apurada do público, e isso às vezes implica em conhecimentos que não estão na Comunicação, como a Sociologia e a Psicologia. Por isso, as assessorias de comunicação poderiam, de repente, poder contar com profissionais de outras áreas que pudessem fazer essa interpretação do social.

C&T – E na falta desse profissional de outra área, o que fazemos?
A.A – A gente trabalha com o que nós temos e com esse conhecimento. Somos profissionais que estamos em constante formação. Nos adaptamos aos nossos clientes. Às vezes nossa adaptação não é tão compatível devido a algumas demandas. Então, é importante, sim, uma análise mais profunda sobre com quem eu me relaciono. Isso requer pesquisa, e aqui no Brasil isso ainda é muito caro e não são todas as empresas que estão dispostas a bancar isso. Na falta dela, nós podemos recorrer às entidades, às associações interessadas, pois às vezes elas patrocinam pesquisas que os resultados podem ser compartilhados. Temos que saber onde buscar essas informações.

Clique aqui e confira segunda parte da entrevista!

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