01
mar
2016

Falando em cinema…

Por Elvira Costa >>

Desde o último domingo, a premiação do Oscar é um dos assuntos mais comentados. Para orgulho do nosso setor, Spotlight levou o prêmio de melhor filme. Baseado em fatos reais, o filme narra a investigação dos repórteres do jornal norte-americano The Boston Globe sobre abusos sexuais cometidos por padres. Na “vida real”, tal foi a relevância dessa investigação, que o jornal foi vencedor do Prêmio Pulitzer de Serviço Público, dedicado a reconhecer o mérito de jornais que, como o nome do prêmio indica, se destacam com matérias de grande interesse público. Quanto ao filme, como já dizia Glória Pires, não sou capaz de opinar, não vi (ainda).

Mas, em homenagem à sétima arte, preparamos uma lista de filmes imperdíveis para quem busca inspiração na vida profissional. Às vezes, só o que a gente precisa é de pipoca e guaraná em frente à telona para que a boa ideia surja. Então, vamos ao cinema!

O Articulador

Em O Articulador, Al Pacino é Eli, um RP decadente / Imagem: Reprodução

Em O Articulador, Al Pacino é Eli, um RP decadente / Imagem: Reprodução

O Articulador é estrelado por ninguém menos que Al Pacino, fato que já faz dele um grande filme. Além disso, mostra a realidade de um relações-públicas atuante no setor de entretenimento/celebridades. É um exemplo dos casos de “RP de pessoa” e, no filme, Eli (Al Pacino) se considera uma babá de celebridades. Então, o enredo ilustra as situações às quais são expostas os profissionais que trabalham com celebridades.

Wall Street – Poder e Cobiça

Gordon Gekko (Michael Douglas) é um investidor poderoso e Bud Fox (Charlie Sheen) um jovem em busca de sucesso profissional e poder / Imagem: Reprodução

Gordon Gekko (Michael Douglas) é um investidor poderoso e Bud Fox (Charlie Sheen) um jovem em busca de sucesso profissional e poder. Por Gekko, Michael Douglas ganhou Oscar de melhor ator / Imagem: Reprodução

Dirigido pelo aclamado Oliver Stone, estrelado por Michael Douglas, Martin Sheen e Charlie Sheen, Wall Street é uma história muito bem sintetizada em seu título, é sobre poder e cobiça. Mais que isso, é sobre as consequências nefastas que a ambição desmedida pode trazer para a vida de uma pessoa.

Bud Fox (Charlie Sheen) é um jovem e ambicioso corretor de ações, que sonha em fazer negócios com o magnata Gordon Gekko (Michael Douglas), que encarna o típico negociador Yankee dos anos 1980: pouco flexível, manipulador e muito ambicioso. Carl Fox (Martin Sheen), pai de Bud Fox, é trabalhador, sindicalista, e se preocupa com o estilo de vida do seu filho.

Workaholic, Bud Fox trabalha até altas madrugadas em busca dos seus objetivos, o que pode ser inspirador sobre a necessidade de trabalhar duro para vencer. O problema é onde ele quer chegar e os meios que emprega para bater suas metas.

Em 2010, foi lançado Wall Street – o dinheiro nunca dorme, com foco na especulação imobiliária e na crise econômica global.

O Discurso do Rei

O Discurso do Rei mostra a luta do duque Albert para vencer a a dificuldade de falar em público / Imagem: Reprodução

O Discurso do Rei mostra a luta do duque Albert para vencer a a dificuldade de falar em público / Imagem: Reprodução

Um drama sobre a família real inglesa que não é mais um entre tantos que existem, por ser, no mínimo, curioso. Retrata os conflitos do nobre Albert, duque de York, em relação à sua gagueira. Mas que ironia um nobre, de quem se espera empatia com o público, ter problemas para falar em público. Em razão dessa deficiência ele passa a se tratar com um terapeuta da fala, surgindo uma amizade dessa relação. Para piorar a situação de Albert, seu pai era um grande orador. Só que Albert pode nos deixar nervosos em algumas cenas, angustiados com a sua dificuldade, mas também mostra que mesmo uma pessoa de quem se espera total destreza com o discurso pode ter problemas. A família real britânica é humana, afinal.

Tem Colin Firth no elenco – o Mr. Darcy de uma das versões de Orgulho e Preconceito, o namorado de Bridget Jones também, ah! E tem Geoffrey Rusch, o capitão Barbosa de Piratas do Caribe. Geofrey é também um dos grandes atores da atualidade, afinal, se reconhece um bom ator pela sua versatilidade. E Geoffrey consegue ir do sarcástico e irreverente capitão Barbosa ao comedido Lioinel Logue, em O Discurso do Rei, passando por Leon Trotsky, em Frida.

Boa noite e Boa Sorte

Boa Noite e Boa Sorte ilustra os bastidores da CBS na década de 1950 / Imagem: Reprodução

Boa Noite e Boa Sorte ilustra os bastidores da CBS na década de 1950 / Imagem: Reprodução

Também baseado em fatos reais, Boa Noite e Boa Sorte fala do tempo em que a TV ainda era novidade nos Estados Unidos e os jornalistas já lidavam com um dos principais desafios da profissão: dar voz a todos os envolvidos na notícia. Edward R. Morrow (David Strathairn) é um âncora de TV e Fred Friedly (George Clooney) é produtor. Juntos, eles buscam cobrir e investigar a caça do senador Joseph McCarthy aos comunistas. No filme, George Clooney preferiu usar cenas reais do senador McCarthy, de arquivos.

Boa Noite e Boa Sorte aborda um tema recorrente, que é a relação entre a política e a mídia. Mostra como a imprensa é capaz de pressionar políticos e vice-versa, ilustra noções sobre pauta, roteiro, relacionamento com a imprensa, entre outros assuntos que fazem parte do cotidiano de qualquer jornalista. É um filme em preto e branco, dirigido e estrelado por George Clooney. É um “clássico sem ser antigo”!

O povo contra Larry Flynt

Larry clamou por liberdade de imprensa para publicar material pornográfico. Não por acaso, foi parar nos tribunais / Imagem: Reprodução

Larry Flynt clamou por liberdade de imprensa para publicar material pornográfico. Não por acaso, foi parar nos tribunais / Imagem: Reprodução

Baseado em fatos reais, o filme conta a história do icônico Larry Flynt, fundador da Larry Flynt Publications. Editora de material pornográfico, tem entre as principais publicações a Hustler. Enquanto a Playboy mostrava a “garota do lado”, os ensaios da Hustler eram mais ousados – dizem os críticos que Larry Flynt era um “Hugh Hefner do proletariado”, em alusão ao igualmente polêmico fundador da Playboy.

O filme mostra a trajetória de Larry desde o início, a rivalidade com a Playboy, a batalha judicial por causa do conteúdo das publicações, e o poder conquistado por Larry em razão do sucesso da Hustler. É um filme interessante de se ver para fazer reflexões sobre temas como liberdade de imprensa, censura, moral e pudor. Também tem cenas engraçadas, de humor ácido. É um bom filme. O roteiro é de Scott Alexander e Larry Karaszewski, com produção de Oliver Stone.

Indica um filme?

Todo mundo tem alguns filmes na lista dos preferidos, aqueles que a gente indica para os amigos, que tem cenas que permanecem na memória. Entre tantas cenas boas – tem o “como se diz big mac em francês”; “farei uma proposta que ele não poderá recusar”; “senhora robinson, está tentando me seduzir, não está?” (nenhuma das três cenas é dos filmes acima; são Pulp Fiction, O Poderoso Chefão e A Primeira Noite de Um Homem, respectivamente). O primeiro serve para divertir, o segundo rende uma aula de gestão de negócios, negociação e outros temas, o terceiro é água com açúcar da boa.

Tem muito filme para fazer rir, chorar, ter medo, as possibilidades de emoção são inúmeras. Tem muito filme que pode nos ensinar alguma lição para a vida profissional. Os de hoje são apenas alguns deles, indicados com o devido cuidado de não cair no spoiler. Boa sessão!

 

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