14
abr
2011

Fusão e Comunicação (Parte 1)

Por Sabrina Raupp >>

Em novembro passado, foi publicado neste blog um post meu sobre fusões organizacionais em que comentei sobre o case Real-Santander. Dias após a publicação, entraram em contato comigo para dizer que a fusão entre os bancos não teria sido tão amigável como estava sendo “pintado”.

Meu interesse por este caso cresceu e estou aproveitando para pesquisá-lo melhor no trabalho de conclusão da minha especialização em Planejamento de Comunicação e em Gestão de Crise de Imagem. O que isso tem a ver com o blog? Bom, como publiquei primeiramente aqui, quero dividir com vocês o que fiquei sabendo até agora.

Apesar da literatura escassa sobre a atuação da Comunicação em casos de fusões e incorporações, descobri que quase nada é mencionado sobre a relação com os funcionários, colaboradores ou trabalhadores (seja lá como você prefere nominar). A grande maioria somente menciona a relação com os consumidores /clientes, como se estes não fossem afetados pelo que acontece com o público interno!

jornal Zero Hora - 20 de janeiro de 2009, pág. 21

Sobre o case Real-Santander, em meio à boataria sobre milhares de demissões e protestos dos funcionários, os representantes do Santander recusavam-se a falar com a imprensa, como se percebe nesta nota do jornal Zero Hora (à esquerda) e numa matéria do jornal Folha de São Paulo – clique aqui para lê-la.

Para termos uma ideia sobre como deve ter sido tenso o clima dentro das agências e da sede administrativa do Real, um executivo do ABN Real falou à Revista Exame o seguinte: “Na semana em que o Santander oficializou sua oferta, o banco parecia um velório. Não havia piadas nem conversas de corredor”. Leia a entrevista na íntegra aqui. Desde 2007, quando a negociação iniciou, até este ano, houve manifestações públicas dos trabalhadores do Santander e do extinto Real.

Enquanto escrevo meu trabalho sobre a importância de “fazer junto” com os funcionários, aguardo o contato das partes envolvidas neste case para darem sua versão do ocorrido. Ressalto que os fatos levantados aqui são baseados em matérias de jornais e revistas.

No meu próximo post, falarei sobre uma postura mais correta para a empresa adotar em casos de fusões. Até lá!

.

>> Veja também: Case Santander: Vamos fazer juntos?

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
  • Sabrina,

    Li seus dois textos sobre o tema aqui, e o da Marina também.

    Sou ex-funcionário do Real. Vivi na organização exatamente o tempo da mudança, do processo de compra do ABN Amro pelo consórcio. Da chegada do Santander e do início do processo de transição, foi o quanto o meu estágio durou até que eu tinha que ser contratado, o que não aconteceu por motivos óbvios que virão a seguir.

    Posso dizer que trabalhar a comunicação de um processo como este é algo gigantesco e muito complicado. Os dois bancos juntos beiravam 55 mil funcionários, praticamente uma pequena cidade. Comunicar-se com eles é algo complicado principalmente quando a grande maior parte está em agências espalhadas pelo país.

    Dois comentários rápidos para não me alongar muito:

    O lance do juntos, pra mim ( e não não sei como ele apareceu) foi a coisa mais bem pensada da história. Isto pq tenta criar um ar de novidade BOA para tudo, ou seja, novidade boa para funcionários, clientes, comunidade, etc… Sabemos que na prática não é bem assim que funciona e nem foi o que aconteceu.
    Clientes insatisfeitos com a mudança, com o processo, com o atendimento (que caiu muit0). Eu fui um dos que fechou a conta por lá, por incompetência e desorganização da instituição que admiro MUITO!
    Funcionários também chateados, preocupados, sem informação, sempre apreensivos e esperando as “sextas-feiras negras” – dias das demissões coletivas.

    Demissões acontecem e são fundamentais, o capitalismo funciona pra dar dinheiro e não pra ser bonzinho com as pessoas (não que eu concorde com isto) mas se queremos empresas boazinhas talvez devêssemos viver no socialismo ou, no mínimo, pensar no interesse coletivo e não no individual (das empresas, claro [aham…]). É muita ingenuidade achar que num processo como este não acontecerão demissões, e mais ainda tomar as dores do sindicato, que está aí pra isto mesmo, defender os funcionários. Só que na prática os cortes são fundamentais para que a empresa possa se reestruturar, estabilizar e voltar a crescer.

    Sou fã do Juntos, acho que foi uma ótima sacada, mas o banco teve vários tropeços bestas que prejudicaram MUITO mais do que o trabalho das campanhas. Matérias da IstoÉ Dinheiro, do Valor etc… estão aí pra isto. Itaú e Unibanco foram muito mais rápidos e efetivos nesta integração sem cometer trapalhadas que o Santander cometeu.

    Boa sorte em seu trabalho 🙂

    Pedro Prochno
    @prochno
    http://www.blogrelacoes.com.br

    • Sabrina

      Olá Pedro,

      Fiquei muito feliz ao ler seu comentário! Primeiro, porque és ex-funcionário do Real e participou do processo, segundo, porque eu estava querendo muito saber a opinião de alguém que houvesse participado do processo de fusão.

      Concordo contigo, e com a Marina, que a idéia do “Vamos fazer juntos” foi a melhor coissa que aconteceu para eles em relação à imagem da instituição. Também sou fã dessa idéia, acho os comerciais incríveis e as peças gráficas muito bem elaboradas.

      Quanto às demissões, sim, também concordo que elas sejam essenciais em casos como este. No que tenho lido sobre fusões, as empresas ganham mesmo é na sinergia. E, claro, em uma fusão diversos cargos devem repetir-se sem necessidade, o que ocasionam demissões.

      O que pretendo com o meu trabalho é analisar os fatos para encontrar uma maneira de tornar o fato menos desastroso. Acredito que uma fusão como o Real-Santander é uma crise anunciada, pois certamente haveriam muitas demissões. Por isso, busco um meio de prevenir e gerenciar essa crise.

      Espero que continue acompanhando o blog e comentando nossos posts.
      Obrigado pela participação!

  • Marina Alano

    Com certeza o conceito de “Juntos” , e como isso foi trabalhado junto a mídia foram muito bem realizados. A agência Talent e a empresa receberam premios relativos às campanhas.
    Como nem tudo vive de imagem , é importante ressaltar o outro lado da moeda.
    Parabéns pelo Post Sabrina , e é uma pena que não houve investimento no conceito dentro da organização juntamente com os colaboradores.
    Infezlimente é uma realidade as empresas não olharem para um todo.

    • Sabrina

      É isso aí Marina!
      A campanha foi um sucesso, mas a organização não fez a sua parte. Infelizmente existe esse tipo de prática.

      Obrigado pelo comentário!

  • Sabrina,

    Li seus dois textos sobre o tema aqui, e o da Marina também.

    Sou ex-funcionário do Real. Vivi na organização exatamente o tempo da mudança, do processo de compra do ABN Amro pelo consórcio. Da chegada do Santander e do início do processo de transição, foi o quanto o meu estágio durou até que eu tinha que ser contratado, o que não aconteceu por motivos óbvios que virão a seguir.

    Posso dizer que trabalhar a comunicação de um processo como este é algo gigantesco e muito complicado. Os dois bancos juntos beiravam 55 mil funcionários, praticamente uma pequena cidade. Comunicar-se com eles é algo complicado principalmente quando a grande maior parte está em agências espalhadas pelo país.

    Dois comentários rápidos para não me alongar muito:

    O lance do juntos, pra mim ( e não não sei como ele apareceu) foi a coisa mais bem pensada da história. Isto pq tenta criar um ar de novidade BOA para tudo, ou seja, novidade boa para funcionários, clientes, comunidade, etc… Sabemos que na prática não é bem assim que funciona e nem foi o que aconteceu.
    Clientes insatisfeitos com a mudança, com o processo, com o atendimento (que caiu muit0). Eu fui um dos que fechou a conta por lá, por incompetência e desorganização da instituição que admiro MUITO!
    Funcionários também chateados, preocupados, sem informação, sempre apreensivos e esperando as “sextas-feiras negras” – dias das demissões coletivas.

    Demissões acontecem e são fundamentais, o capitalismo funciona pra dar dinheiro e não pra ser bonzinho com as pessoas (não que eu concorde com isto) mas se queremos empresas boazinhas talvez devêssemos viver no socialismo ou, no mínimo, pensar no interesse coletivo e não no individual (das empresas, claro [aham…]). É muita ingenuidade achar que num processo como este não acontecerão demissões, e mais ainda tomar as dores do sindicato, que está aí pra isto mesmo, defender os funcionários. Só que na prática os cortes são fundamentais para que a empresa possa se reestruturar, estabilizar e voltar a crescer.

    Sou fã do Juntos, acho que foi uma ótima sacada, mas o banco teve vários tropeços bestas que prejudicaram MUITO mais do que o trabalho das campanhas. Matérias da IstoÉ Dinheiro, do Valor etc… estão aí pra isto. Itaú e Unibanco foram muito mais rápidos e efetivos nesta integração sem cometer trapalhadas que o Santander cometeu.

    Boa sorte em seu trabalho 🙂

    Pedro Prochno
    @prochno
    http://www.blogrelacoes.com.br

    • Marina Alano

      Com certeza o conceito de “Juntos” , e como isso foi trabalhado junto a mídia foram muito bem realizados. A agência Talent e a empresa receberam premios relativos às campanhas.
      Como nem tudo vive de imagem , é importante ressaltar o outro lado da moeda.
      Parabéns pelo Post Sabrina , e é uma pena que não houve investimento no conceito dentro da organização juntamente com os colaboradores.
      Infezlimente é uma realidade as empresas não olharem para um todo.

      • Sabrina

        É isso aí Marina!
        A campanha foi um sucesso, mas a organização não fez a sua parte. Infelizmente existe esse tipo de prática.

        Obrigado pelo comentário!

    • Sabrina

      Olá Pedro,

      Fiquei muito feliz ao ler seu comentário! Primeiro, porque és ex-funcionário do Real e participou do processo, segundo, porque eu estava querendo muito saber a opinião de alguém que houvesse participado do processo de fusão.

      Concordo contigo, e com a Marina, que a idéia do “Vamos fazer juntos” foi a melhor coissa que aconteceu para eles em relação à imagem da instituição. Também sou fã dessa idéia, acho os comerciais incríveis e as peças gráficas muito bem elaboradas.

      Quanto às demissões, sim, também concordo que elas sejam essenciais em casos como este. No que tenho lido sobre fusões, as empresas ganham mesmo é na sinergia. E, claro, em uma fusão diversos cargos devem repetir-se sem necessidade, o que ocasionam demissões.

      O que pretendo com o meu trabalho é analisar os fatos para encontrar uma maneira de tornar o fato menos desastroso. Acredito que uma fusão como o Real-Santander é uma crise anunciada, pois certamente haveriam muitas demissões. Por isso, busco um meio de prevenir e gerenciar essa crise.

      Espero que continue acompanhando o blog e comentando nossos posts.
      Obrigado pela participação!