21
jun
2013

Geração “Me me me” e o ativismo

Por Fernanda Sarate >>

Esta geração sempre foi criticada por seus hábitos e sua superficialidade. Recentemente, também, teve participação ativa nos protestos e manifestações ocorridas em diversas partes do Brasil. O que concluir?

Geração “Me me me” e o ativismoNo final de maio, a Revista Time trouxe como matéria de capa: “A geração do eu, eu, eu”. Esta é uma das denominações utilizadas para os Millennials, grupo de pessoas nascidas entre 1980 e 2000.

Na capa da revista, uma definição “preguiçosos e narcisistas”, seguida pela frase de impacto “eles ainda salvarão a todos nós”. Dúbio?  Então assista ao vídeo que a Box 1824, recentemente divulgou, mostrando a visão que estas pessoas têm do trabalho e como encaram o mundo.

Esta geração sempre foi criticada por seus hábitos e sua superficialidade. Recentemente, também, teve participação ativa nos protestos e manifestações ocorridas em diversas partes do Brasil. O que concluir?

Os rótulos, sabemos, sempre são limitadores, cada pessoa tem seu jeito próprio e singular e poderia vir de fábrica com um manual de funcionamento diferente. Porém, estas denominações também nos ajudam a entender, mesmo que de forma mais superficial, alguns comportamentos e características comuns de um grupo.  Desta forma e com estas ressalvas, seguem abaixo algumas características comumente atribuídas aos Millennials ou Geração “eu, eu, eu”, organizadas em artigo do YouPix. Antes, porém, vale uma reflexão: será que as características atribuídas especificamente a esse grupo de pessoas não são, de alguma forma, também, características deste momento no qual todos vivemos, mesmo sendo de gerações diferentes?

Narcisistas: eles possuem necessidade de auto exposição bastante evidente, fotografam com seus celulares todos os principais momentos de seu dia e têm necessidade de autoafirmação. Conforme artigo do YouPix “Sem “likes” na foto a vida não faz sentido”.

Preguiçosos: A tecnologia, que já estava disponível desde que nasceram, pode ter ajudado a torna-los de certa forma preguiçosos, tendo em vista que através dela muitas de suas demandas já podem estar prontas, disponíveis na rede. A confiança de que tudo vai dar certo, pode eliminar, em alguns casos, um esforço extra para a conclusão de seus projetos.

Gente boa: normalmente são mais abertos e tolerantes às diferenças, adaptáveis, se sentem confortáveis em se relacionar com diferentes tipos de pessoas.

Ansiosos: são pessoas que estão mais dependentes da tecnologia e essa dependência acaba gerando uma ansiedade e uma necessidade de estar conectado o tempo inteiro.

Alienados: nesta matéria da Time, a revista reforça que esta é a geração com menor engajamento civil e participação política que já tivemos.

Apesar deste rótulo, vimos esta geração se articulando e participando ativamente das manifestações recentes que ocorreram – e ainda ocorrem – em todo o país e outras partes do mundo. Até pouco tempo se dizia que o ativismo máximo praticado por este público era o “sofativismo”, termo utilizado pejorativamente para caracterizar o ativista que não sai do sofá, que não gera mudança ou resultado efetivo, que não vai para a rua utilizando, em grande parte das vezes, a internet como forma de manifestação. E, novamente contrariando, vemos que esta geração também pode ter voz ativa e poder de mobilização e que a internet pode ser muito mais que um fim, mas um meio para aprofundamento, para gerar discussões e alinhar ações de grande expressividade.

Se esta geração pode salvar a todos, como afirma a Revista Time? Pode parecer místico ou utópico, mas acredito que todos, independente de geração ou rótulo, temos em nós mesmos o poder de mudança.

Fonte:

http://youpix.com.br/comportamento/narcisistas-preguicosos-e-gente-boa-conheca-a-geracao-me-me-me/

http://g1.globo.com/platb/instanteposterior/2013/05/15/eu-eu-eu/

Fonte da imagem:

http://noticias.uol.com.br/album/2013/06/12/aumento-de-tarifa-do-transporte-coletivo-gera-protestos-pelo-pais.htm

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  • Maria Alana Brinker

    Oi, Fer!

    Também acredito que a mudança está em nós. Acompanhei de perto uma das manifestações na última semana, para ser mais exata a que aconteceu dia 17/06, e percebi que a grande maioria das pessoas (excluindo os baderneiros, que estavam com a cara tapada e não se misturavam aos manifestantes pacíficos) era formada por estudantes. Essa geração, na qual estamos incluídas, não se contenta com “nãos”, quer mais atenção para si e tal. Ao mesmo tempo que isso pode parecer egocêntrico e chato, também pode ser a causa para que essa revolta tenha saído do sofá.

    Eu acredito nas pessoas. Acredito no poder da mudança, nas coisas boas que cada um é capaz de fazer.

    Como de costume, teu post está muito legal!

    Bjs!