26
ago
2016

Harry Potter e o Consumo de Experiência

 

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Fonte: http://goo.gl/uGFNFS

A história do bruxo órfão que travou uma eterna batalha contra “aquele que não deve ser nomeado” é conhecida no mundo todo (a não ser que você tenha morado em uma caverna nos últimos 16 anos). O sucesso da saga transformou sua autora, J. K. Rowling, na primeira pessoa a ficar bilionária com a venda de seus livros e dos direitos autorais de seus personagens. Harry Potter é exemplo de sucesso literário e de bilheteria, possui um amplo número de leitores que consomem e transformam a história, inseridos – ou não – em um fandom

A saga é hoje estudada e analisada por meio de diversas facetas com a comunicação. Mas a partir da oportunidade de conhecer alguns lugares, percebi que seu consumo talvez nunca seja medido a contento. Eu nunca havia percebido que Harry Potter promovia consumo de experiência e turismo. Explico. Pode-se dizer que o turismo de cidades de três países diferentes foram potencializados a partir da criação de J. K. Rowling: Portugal, Escócia e Inglaterra.

Em Portugal, Harry Potter pode ser “experienciado” em Porto, cidade onde J. K. lecionou inglês durante os anos de 1991 e 1993. Foi em Porto que ela conheceu Jorge Arantes, com quem casou-se e teve uma filha. No mesmo ano do nascimento de sua filha, o casamento acaba e é aí que J. K. volta para o Reino Unido, junto com os três capítulos inciais de Harry Potter. Este universo começou a tomar forma em Porto, e “reza a lenda” que as vestes dos estudantes portugueses lhe serviram de inspiração. Em Porto, seu lugar predileto era a Livraria Lello, também utilizada para a produção dos livros. Além disso, o ambiente da livraria serviu de inspiração para a criação da Floreios & Borrões, lugar onde os alunos de Hogwarts compram seus livros em  Harry Potter e A Câmara Secreta.

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Floreios & Borrões | Fonte: https://goo.gl/B47Gfq

 

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Livraria Lello | Fonte: Homo Literatus

 

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Fonte: autora.

 

Na Escócia, mais precisamente na cidade de Edimburgo, há o café The Elephante House, uma das principais cafeterias utilizadas por J. K. Rowling para escrever a saga Harry Potter. O local tornou-se uma atração turística da cidade. Sempre que eu passava por sua rua, havia turistas observando e fotografando, assim como no interior do estabelecimento. Foi também em Edimburgo que J. K. Rowling terminou a saga ao finalizar o livro Harry Potter e as Relíquias da morte. Este feito foi realizado, porém, em um quarto do Hotel Balmoral e registrado com um recado na parede. Se a estadia já era cara, ao saber do recado, o hotel aumentou ainda mais o valor para passar uma noite no quarto, cobrando quase 6.000,00 reais a diária.

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Café The Elephante House | Fonte: autora.

 

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Café The Elephante House | Fonte: autora.

 

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Café The Elephante House | Fonte: autora.

 

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Hotel Balmoral | Fonte: Twitter.

 

Londres, na Inglaterra, é a cidade perfeita para os fãs de Harry Potter visitarem. Primeiro, você pode conhecer os estúdios da Warner Bros (sugiro que você compre seu ingresso antes da viagem) e ver os cenários dos filmes e de quebra experimentar uma cerveja amanteigada. Você pode ir ver a peça Harry Potter e a Criança Amaldiçoada (só a fachada me deixou de queixo caído). Pode ainda ir tirar uma foto na Plataforma 9 ¾, que fica colada à uma loja especializada onde você poderá comprar desde um lápis até uma varinha da Hermione.

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Estúdios da Warner Bros | Fonte: https://goo.gl/dj07hK

 

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Fonte: autora.

 

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Fonte: autora.

 

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Fonte: autora.

 

É perceptível que Harry Potter promove o turismo enquanto consumo de experiência. Os responsáveis por tais estabelecimentos utilizam a relação entre o local e a história para potencializar seu lucro. Há diversos elementos que nos lembram tal relação, além da promoção de passeios ou eventos temáticos. Barbosa e Campbell (2006) centram-se em conceber que o consumo também é construído através da experiência, do acesso, não apenas por meio da aquisição de um produto ou serviço. Consumir não significa apenas exaurir algo, mas também experienciar. Nestes locais, o turista (leitor ou não da saga) tem a possibilidade de viver intensamente a aura construída em torno de Harry Potter. A “magia” proporcionada pela literatura ou pelo cinema é vivido de forma plena e intensa.

 

Referências:

BARBOSA, Livia. Cultura, consumo e identidade: limpeza e poluição na sociedade brasileira contemporânea. In: BARBOSA, Lívia; CAMPBELL, Colin (Org.). Cultura, consumo e identidade. Rio de Janeiro: FGV, 2006. 

 

 

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