07
jan
2015

A importância do eu autêntico online

Por Ana Carolina Escobar >>

Como as redes sociais podem se tornar uma forma de opressão

A importância do eu autêntico onlineJá imaginou ter que anular a autenticidade do seu próprio ser para poder utilizar uma plataforma digital qualquer? Pois até pouco tempo, o usuário transgênero era obrigado a enquadrar-se na dicotomia “Homem” ou “Mulher”, ignorando o sexo ao qual sentia pertencer, caso desejasse fazer parte de redes como Facebook ou Google+.

Essa discriminação de identidade de gênero, bastante imperceptível para a maioria, cujo sexo biológico não discorda do seu gênero psíquico, – mulheres que não se reconhecem no gênero feminino e homens no masculino – resultava em uma exclusão deste grupo cometida pela própria rede social e, no desrespeito que parece surgir de todas as esferas sociais, inclusive nas formas de interação disponibilizadas na internet.

No entanto, uma vez que as Redes Sociais não são definidas no intuído de segregar e, sim, conectar indivíduos, as inovações pensadas para o digital devem levar em consideração a complexidade dos seus futuros usuários, para que as pessoas se sintam representadas na rede. E é justamente nesse ponto que a importância do eu autêntico online torna-se, ou seja, na possibilidade da pessoa amoldar-se em um perfil conforme se define na vida ‘’real’’.

Pensando nisso, o Google+ anunciou no final de 2014 uma reforma em sua estrutura para uma definição de gênero menos engessada na parte de cadastros. A partir de agora, o usuário poderá selecionar a opção que mais se enquadra com o seu “eu”. Porém, o site de pesquisa não foi o pioneiro nesse grito de respeito à diversidade e aos direitos humanos. No início de 2014, a versão americana do Facebook já alterava suas configurações pelo mesmo motivo: incluir diferentes tipos de identificação de gênero. Mais de 70 opções foram adicionadas, e a rede passou a empregar os pronomes apropriados para cada alternativa.

Em agosto do mesmo ano, a Argentina assumiu o posto de primeiro país da América Latina a oferecer mais opções aos seus usuários quando a rede adicionou 54 opções para identificação de gênero. Dentre as alternativas estão “neutro”, “transgênero” e “poliamoroso”. Reino Unido e Espanha também fazem parte dos países que readaptaram sua estrutura. Em contraponto, o Facebook Brasil (leia-se: em português) ainda não julgou necessária essa alteração na classificação pormenorizada de gênero.

Resta-nos torcer para que os usuários brasileiros não continuem restritos às lógicas computacionais por muito tempo e possam se identificar na rede social como se identificam fora dela. É urgente entendemos que a sexualidade deve ser vivida espontaneamente; não dentro de padrões normativos, e também se faz urgente à adaptação das redes sociais nesse processo, para que elas não sejam uma forma de opressão, mas, sim, de conectividade e interação entre as pessoas.

Referência: http://goo.gl/Q4bdsN

Fontes das imagens: http://migre.me/nZ53S

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