16
mar
2011

Internet: uma brincadeira perigosa

Por Emanuela da Silva

A velocidade do mundo virtual e os seus benefícios são inegáveis; no entanto, as redes sociais nem sempre são usadas de maneira saudável. O número de casos policiais como pedofilia, pornografia infantil e outros envolvendo as novas tecnologias cresce assustadoramente. Foram 976 casos registrados no período de 1° de janeiro à 1° março de 2011 na Central Nacional de Crimes Cibernéticos, 40% são por pedofilia e pornografia infantil. No ano passado, 32.255 registros tinham relação com redes sociais, o que representa 47% dos registros. São muitos os casos ligados às redes, mas muita gente não denuncia por vergonha ou por outros motivos. O fato é que a abordagem virtual é um tipo de crime complicado de descobrir, o anonimato e a vulnerabilidade das redes também são fatores a serem considerados. Ainda não temos uma legislação especifica para crimes virtuais, embora haja projetos e ações para tentar diminuir esta prática nociva à sociedade. Os estados com maiores índices de pedofilia e crimes contra menores são Goiás, Maranhão, Santa Catarina e São Paulo, segundo informações da Polícia Federal em 2010.

PERFIS DO ABUSADOR E DA VÍTIMA

A pedofilia, atualmente, é definida simultaneamente como doença, distúrbio psicológico e desvio sexual (ou parafilia) segundo os manuais de classificação dos transtornos mentais e de comportamento da OMS (Organização Mundial de Saúde). O perfil do pedófilo é muito difícil de ser traçado, porque ele pode ser de qualquer raça, religião, orientação sexual, classe social e localização geográfica. Ele ainda pode ser familiar ou amigo da família da vítima. Algumas características comuns do abusador são: geralmente do sexo masculino, quase sem amigo da vítima, gosta demais de atividades infantis, tem hábitos de criança como colecionar carrinhos, bonecas e afins. É persistente até ganhar a confiança da criança, torna-se amigo e, finalmente, realiza o seu desejo sexual.

A psicanalista e psicóloga jurídica Tamara Brockhausen, especialista em reconhecer crianças que sofreram abuso sexual, pondera que são muitos os sintomas que podem se apresentar, mas nem sempre eles significam que o menor foi violentado de fato. Uma das principais características é a mudança brusca de comportamento. Ainda entre os sinais, estão: dificuldade de contato com pessoas do mesmo sexo do abusador – se foi um homem, a criança pode ter medo de se aproximar de pessoas do sexo masculino; comportamento regressivo – quando ela volta a fazer xixi na cama ou chupar o dedo, por exemplo; atitude sexualizada excessiva; medo de sair de casa ou da escola; alterações de apetite; raiva e depressão.

PEDOFILIA, INTERNET E EDUCAÇÃO

Campanhas e medidas estão sendo divulgadas e discutidas na busca de soluções para este crime. Estudantes de direito, policiais federais, ONGs, junto aos órgãos responsáveis pela proteção do menor estão debatendo as medidas cabíveis para solucionar o problema. Pais, professores e alunos também estão discutindo sobre o uso adequado da internet. O pedófilo pode ser qualquer pessoa, um dos cuidados com as crianças na frente dos computadores deve ser o monitoramento dos pais. Esses podem manter horários para que seus filhos possam usar a internet, saber os sites que eles visitam, bloquear conteúdos impróprios. Certos cuidados devem ser tomados imediatamente, se você souber de algum caso, denuncie. Lamentável que durante o carnaval o site de denuncias na web ficou fora do ar para manutenção. Com toda certeza isso não poderia ter acontecido. Quantos casos deixaram de ser registrados?

Dia 08 de fevereiro foi o Dia Internacional da Internet Segura e Combate à Pedofilia. Esta data é comemorada de forma simultânea em 65 países e é voltada à conscientização do uso da internet. Assista ao vídeo da campanha:

No Brasil, há vários encontros para debater o problema. Em Pernambuco, acontece um circuito de palestras nas escolas, por iniciativa da polícia federal, com base na cartilha da Safernet do Brasil, uma associação civil de direito privado, referência nacional contra a violação dos direitos humanos na internet.

Saiba mais detalhes:

www.ohoje.com.br/cidades/16-12-2010-goias-lidera-casos-de-pedofilia-na-internet

http://www.safernet.org.br/site/institucional

http://investindonascriancas.blogspot.com/2010/01/especialistas-dao-dicas-de-como.html

http://www.serpro.gov.br/noticias-antigas/noticias-2005-1/20050906_02

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>> Veja também: Afinal, o que é comunicação sustentável?

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