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Por Emanuela da Silva

A mídia televisiva tem um papel fundamental na cultura brasileira desde a chegada da televisão em 1950. Todos, ou a maioria dos acontecimentos, são vistos através dela. Apesar de estarmos no período de integração com as redes sociais, ela não perdeu seu reinado.  Pelo contrário, apropria-se das novas tecnologias que fazem parte do processo de comunicação.  Se nos anos 50 tínhamos um telespectador passivo diante da tela, hoje os telespectadores são ativos, ávidos pela interatividade. A televisão deixou de ser apenas informativa, tonou-se  lúdica e também um instrumento de ligação entre a emissora e o público através de programas como os realitys shows (BBB, A fazenda, Ídolos etc). Sob o caráter de entretenimento, estes programas movimentam milhões de reais durante a exibição.

A TV é um grande empreendimento no ramo das comunicações, já que lança tendências para os consumidores sedentos por novidades. Os produtos anunciados são vendidos de forma direta ou indireta a milhões de brasileiros. Concordo com Beth Saad, quando diz que as empresas de comunicações – pequenas, médias ou de grande porte – engajaram-se no processo de transformação paradigmática, incluindo o papel formador e transformador da opinião da sociedade.

O poder da mídia é imenso, e a mensagem pode ser passada de maneira sutil como acontece nas telenovelas, onde os assuntos retratados viram debate na conversa de bar, nas comunidades na web… Usamos os produtos anunciados, confiamos na qualidade deles seduzidos pelos comerciais que assistimos. Memorizamos jargões, personagens e marcas. A vida real e a ficção se mesclam neste ambiente.

Além dos realitys polêmicos, nos deparamos com os telejornais.  Alguém lembra do caso Bruno? Que de uma hora para outra passou de jogador do Flamengo famoso, ídolo e milionário para bandido? A cada detalhe que a polícia dava sobre o desaparecimento de sua suposta amante, a maneira de noticiar mudava em questão de dias. Como nas novelas, o caso teve repercussão – inclusive internacional -, e de repente o ídolo torna-se um vilão, frio, calculista e ameaçador. Para tentar desvincular-se da imagem do jogador, o Flamengo retirou a camisa de Bruno de circulação de todas as lojas, além de tomar algumas decisões que foram revogadas. A especulação em torno do caso elevou a audiência das emissoras, que adotaram este assunto quase como exclusividade durante na época. Cada emissora tentava trazer novos fatos para o caso, declarações de parentes, a biografia de Bruno, depoimentos de amigos e outras pessoas próximas de ambos.

AFINAL, A IMPRENSA CONTRIBUIU COM O QUÊ?

Analisando friamente o acontecimento, podemos afirmar que a cobertura exagerada da imprensa não contribuiu para uma solução, já que isto cabe à justiça. O caso Bruno é apenas mais um episódio da “teledramaturgia” do jornalismo brasileiro. Não é o primeiro e nem será o último.

O papel da mídia é, sem dúvida, informar, mas não influenciar, supor ou ao menos cogitar responsabilidades que não a compete.  O trabalho investigativo da imprensa é fundamental, desde que haja coerência e não seja feito com o objetivo de aumentar a audiência, transformando num espetáculo hollywoodiano as notícias para a sociedade.  O caráter informativo não deve ceder lugar para a comercialização de jornais, revistas, sites e outros meios noticiosos.

Quando deixamos a sociedade do espetáculo ser mais importante do que os fatos e transformamos os noticiários em shows, esquecemos do nosso dever para com a divulgação das informações. Não refletimos, crescemos ou evoluímos. Portanto, o processo educativo fica aprisionado pela imagem que assistimos sem análise, e, se a tomamos como verdade absoluta viramos escravos da tecnologia – neste caso, a televisiva.  Ou seja, a sociedade é feita de pessoas, e são elas que constroem e destroem conceitos. Somos seres pensantes, e devemos ver além do que nos mostram.

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Veja também: A sua liberdade termina onde começa a minha. E a da imprensa?

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