Por Maria Alana Brinker

Este post também foi publicado em ocappuccino.blogspot.com

Este é o quinto post da série O Marketing e Seus Desdobramentos.

Estão se aproximando as eleições e mais uma vez assistimos a uma série de estratégias de Marketing sendo utilizadas para alavancar as intenções de voto. Não importa o partido, a categoria na qual concorre, hoje, todo político que se preze tem que ter na equipe de assessores bons marketeiros, se deseja vencer uma eleição.

Já passou a época em que o eleitor se orientava pelos ideais do partido. Há décadas, o mundo é dominado pela propaganda individual dos candidatos, lançados como produtos, construindo uma imagem espetacularizada e mais guiada por estética e  fama do que pelas boas ideias. Infelizmente, em alguns casos o partido acaba se apoiando na imagem do candidato. Quanta fragilidade!

Você já analisou seu candidato antes de votar?

Jânio Quadros e seu slogan: Varrer a corrupção!

Já parou para analisar bem sua escolha de voto alguma vez? Foi atrás de informações sobre as trajetórias dos candidatos, pesquisou para saber se as promessas que fizeram em eleições anteriores foram cumpridas, quais as ideologias dos partidos etc.? Provavelmente, não! E, lamentavelmente, isso ocorre com quase todos nós. Afinal, quem precisa “gastar” tempo com isso se basta seguirmos o que as pesquisas mostram?

Segundo o site Portal do Marketing, nossa decisão de voto é influenciada por três componentes distintos: ideológico, político e eleitoral.

“O voto político é firmado de forma direta, numa relação pessoal entre candidato e eleitor. Em cidades pequenas esse fator é grande e chega a 80% da motivação dos votos.

O voto ideológico influencia apenas uma pequena parcela dos eleitores. O discurso de esquerda, de direita, do socialismo ou liberalismo afeta pouco mais de 5% do eleitorado, atingindo o máximo de 10% no mercado nacional.

O voto eleitoral representa o esforço concentrado de conquista do eleitor, é o campo de atuação do marketing político [sic]. Sua influência cresce com o tamanho do universo eleitoral. Chega a atingir até 70% das decisões de voto.”

Essas definições são de um texto publicado em 2002, mas que já mostrava como somos altamente influenciados pelas estratégias de Marketing Político.

A Política é um espetáculo!

Em 2008, o teacher Obama, amparado por uma talentosa equipe de estrategistas em Comunicação, ensinou que, apesar de o espetáculo não ser dispensável, já não é tão necessário como antes. Graças à Internet, se o candidato não dispõe de muitos recursos para montar grandes comícios e seu próprio palco onde subirão atores Globais e cantores sertanejos – adaptei para o Brasil – que lhe darão apoio, ainda pode fazer um ótimo trabalho de divulgação na Web.

Obama investiu pesado na comunicação com os diversos públicos que compunham seu eleitorado. Ele, realmente, se diferenciou dos concorrentes, inovando no foco de sua campanha, que era baseado não só na imagem do candidato, mas na comunicação via web. O resultado? Grande arrecadação de fundos e uma das maiores famas da história presidencial conquistada por um político pouco conhecido antes das eleições.

Os marketeiros de Obama inovaram na maneira de se comunicar com os diferentes segmentos de eleitores, a ponto de trabalharem com todas as mídias sociais que você conhece e criarem um site com informações direcionadas para cada público: Womem, Students, Jewish Americans, Environmentalists, Obama Pride (para o público GLS), African Americans, Asian Americans & Pacific Islanders, Americans Abroad, Kids, Latinos, Veterans & Military Families, Sportsmen, Small Business, Seniors, Rural Americans, Republicans, People of Faith, Labor, Generation Obama (GO), Americans with Disabilities, Arab Americans, European & Mediterranean American e First Americans.

As últimas eleições norte-americanas mostraram que a utilização das ferramentas da Web 2.0 (como Facebook, Twitter, YouTube, Flickr etc.) em campanhas eleitorais é uma tendência que só vem a melhorar a comunicação entre candidato e eleitor, já que facilita o acesso a informações e estimula o debate através de fóruns de discussão ou mesmo Tweets. Os marketeiros da política, por sua vez, se esbaldam nestas facilidades, desfrutando de toda a popularidade das mídias sociais para fazer o que quiserem com a imagem de seus clientes.

Claro que, se Obama tentasse se eleger em um país como o Brasil, onde grande parte da população ainda não tem acesso à Internet – para falar a verdade, nem ao ensino de qualidade – é bem provável que suas táticas não fizessem tanto sucesso. Apesar dos nossos candidatos terem estes recursos ao seu dispor, ainda dependem muito de showmícios e mídias massivas, o que acaba influenciando na formação das alianças partidárias. Este é o caso, por exemplo, do PT e do PMDB – apesar de serem rivais em várias cidades e estados, uniram-se para apoiar a candidatura de Dilma Rousseff à presidência.

O tempo da propaganda eleitoral gratuita é determinado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), e aumenta conforme a quantidade de representantes que o partido tem no país. Por isso, quanto mais deputados federais e senadores um partido tiver, maior será o período de exposição a que ele tem direito, seja na TV ou no rádio. Além de influenciar na união de partidos concorrentes, a desigualdade de tempo acaba dificultando a ascenção de partidos menores. Só para termos uma noção do que essas alianças significam, segundo José Dirceu (PT – SP) em entrevista à Rede Brasil Atual, PMDB e PT juntos podem eleger mais de 200 deputados, mais de 35 senadores e, aproximadamente, 15 governadores, o que representaria 39% da Câmara, 42% do Senado e metade dos executivos das unidades da federação. Agora, imagine todo este poder concentrado nas mãos de apenas dois partidos, até onde vai a democracia em casos como este?

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>> Veja, também, os outros posts da série:

Pepsi e Coca-Cola são iguais? O Neuromarketing responde.

Marketing de Relacionamento e CRM: descubra o que seu cliente realmente quer!

Buzz Marketing e Viral: notoriedade sem gastar muito

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