23
out
2010

Neuromarketing na Política é ético?

Por Maria Alana Brinker

Este post também foi publicado em ocappuccino.blogspot.com

Nas agências, a realidade é que publicitários e marketeiros quebrem a cabeça para fazer campanhas cada vez mais atraentes, que atinjam os objetivos do cliente: atrair, convencer, vender e fidelizar cada vez mais. Certo? Mas, e se esse processo ficasse mais curto e fácil? Se ao invés de estudar, estudar e estudar o comportamento do consumidor bastasse utilizar ondas de ressonância magnética para saber qual direcionamento dar às ações de Marketing?

VOCÊ DIZ SIM, MAS SEU CÉREBRO “DIZ” NÃO

De acordo com uma entrevista veiculada no blog do Estadão, pesquisas e estudos revelaram que:

  1. peças publicitárias que utilizam apelo não chamam a atenção das áreas do cérebro responsáveis pela decisão de compra, como a da memória e a de tomada de decisão;
  2. consumidores expostos ao símbolo da sua marca preferida apresentam a mesma atividade cerebral de pessoas muito religiosas frente ao símbolo de sua religião;
  3. Pepsi e Coca-Cola são iguais.

No Brasil, algumas empresas chegam a investir R$ 7 milhões em pesquisas sobre Neuromarketing, o que já indica uma tendência que daqui a pouco tempo também poderá fazer parte das estratégias de campanhas políticas em nosso país. Mas, ter acesso a informações que nem você, teoricamente, sabe, é ético? Investigar o que seu subconsciente pensa é invasão de privacidade?

Como já vimos no post anterior, a técnica do Neuromarketing utiliza ressonância magnética para identificar as áreas do cérebro que são estimuladas quando a pessoa em teste for exposta a determinadas imagens, sons, cheiros e situações, identificando o que ela realmente sente, e não o que acha ou diz que sente. Com certeza, esta técnica nos leva a entender melhor o comportamento do consumidor. E, no caso da política, do eleitor.

NEUROMARKETING É ÉTICO?

A técnica facilita, e muito, o entendimento do comportamento do consumidor, mas também pode causar prejuízos para as nossas decisões. Imagine, por exemplo, que campanhas políticas mais atraentes e difíceis de não se deixar envolver podem ser uma realidade muito próxima dos brasileiros. No futuro, elas poderão influenciar fortemente na escolha de candidatos e mudar o rumo de uma eleição.

Hoje, utilizar Neuromarketing é praticamente inviável financeiramente para a maioria das empresas e políticos, por causa do elevadíssimo custo. Mas, assim como todas as tecnologias, ela tende a ter o preço reduzido após alguns anos no mercado, tendo seu acesso ampliado, e podendo tornar-se comum em diversos segmentos, inclusive na política. A questão ética envolve, no entanto, muito mais do que uma suposta invasão do subconsciente. Envolve mudanças no comportamento das pessoas, que poderão gerar aumento nas vendas de produtos como cigarros, por exemplo.

Para evitar que consumidores e eleitores sejam expostos a propagandas feitas com base nesse tipo de estudo sem estarem bem informados, a World Business Academy solicitou ao Congresso norte-americano a investigação do uso comercial e político do Neuromarketing para que o público tenha conhecimento de quem o utiliza (lembrando que nos Estados Unidos esta técnica é utilizada há mais tempo do que no Brasil). Tomara que antes das atividades neurais brasileiras serem mapeadas algum órgão de regulamentação da propaganda também tome uma atitude assim.

Para entender mais esta polêmica, veja a campanha Stop Neuromarketing, World Business Academy.

.

>> Veja também: Pepsi e Coca-Cola são iguais? O Neuromarketing responde.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...