27
jun
2012

O consumo pode ser uma atitude sustentável?

Por Fernanda Sarate >>

A busca pela sustentabilidade é um caminho sem volta. Seja no âmbito da atitude pessoal ou empresarial, nunca esteve tão em voga. E não é à toa.

Hoje, sabemos que nosso padrão de vida ultrapassa em 30% a capacidade de recuperação dos recursos naturais do planeta e que, se continuarmos neste mesmo passo, em 2030 seriam necessários dois planetas Terra para darem conta de nosso estilo de vida. (Lima e Vieira, 2008)

O QUE É POSSÍVEL FAZER PARA MUDAR ESSE QUADRO?

São inúmeras as atitudes sustentáveis que estão surgindo e conquistando a adesão do cidadão e das organizações. Aqui, neste espaço para comunicadores, cabe destacar uma delas, que é recomendada por Tim Jackson, professor de desenvolvimento sustentável da Universidade de Surrey, na região de Londres. Segundo Jackson, “A atitude mais sensata que cada um de nós pode adotar para um mundo mais sustentável é comprar menos”. (SILVA, 2008). Porém, comprar menos não significa parar de consumir. O ser humano é, basicamente, um ser consumidor. A atividade de consumo acompanha o homem desde os primeiros tempos, o ato de consumir se faz presente em qualquer sociedade humana. O rótulo de “sociedade de consumo” é incansavelmente utilizado para denominar a sociedade atual. Porém, esta classificação, muitas vezes, é utilizada de forma confusa ou imprecisa. Conforme aponta Barbosa, a priori, o consumo seria uma atividade característica de qualquer sociedade humana, visto que o ser humano até poderia viver sem produzir, mas não passa a sua vida sem consumir (BARBOSA; CAMPBELL, 2006, p. 7).

Outra questão importante é diferenciarmos o consumo do consumismo. Bauman, citando Campbell (2004), aponta que se tem este momento de ruptura e de transposição do consumo para o consumismo quando este passa a exercer um papel central na vida do indivíduo, tornando-se seu propósito de existência. (BAUMAN, 2008, p. 38). O autor ainda esclarece que o consumismo possui entre seus atributos o desperdício e o excesso. (BAUMAN, 2008, p. 41-53).

Assim, antes de lançarmos um olhar reprovador sobre a atividade de consumo, que é vital tanto para o ser humano quanto para a sociedade, é importante avaliarmos como reduzir o consumismo, este anseio que não está vinculado à satisfação de determinada necessidade mas, sim, a um desejo mais exacerbado, “um motivo autogerado e autopropelido que não precisa de outra justificação ou ‘causa’ […], que tem a si mesmo como objeto constante e por esta razão está fadado a permanecer insaciável […]”. (BAUMAN, 2001,p.88).

É este sentimento de insaciabilidade, de eterna busca que nunca resulta em algo satisfatório ou desejos que nunca são plenamente satisfeitos que geram o círculo vicioso do consumismo. Enquanto comunicadores, é importante sempre lembrarmos desta diferenciação.

ENTÃO, COMO O CONSUMO PODE SER UMA ATITUDE SUSTENTÁVEL?

Inúmeras respostas e reações já estão presentes e em desenvolvimento em nossa sociedade. Percebe-se, hoje, um esforço crescente em se vincular o desenvolvimento a uma sociedade economicamente viável, mas, também, socialmente justa e ambientalmente sadia, reconhecendo a interdependência de três pilares, chamados de 3 P´s – people (pessoas), planet (planeta) e profit (lucro).

Assim, é importante que em nossos planos de comunicação e em nossas atitudes diárias busquemos sempre a maximização dos impactos positivos gerados pela atividade e a minimização ou neutralização dos negativos, visando um equilíbrio entre satisfação pessoal e a sustentabilidade de nosso planeta.

Referências Bibliográficas:

BARBOSA, Lívia; CAMPBELL, Colin. (Orgs.) Cultura, consumo e identidade. Rio de Janeiro: FGV, 2006.

BAUMAN, Zygmunt. Vida para consumo: a transformação das pessoas em mercadoria. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2008.

______. Modernidade liquida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.

LIMA, Roberta de Abreu e VIEIRA, Vanessa. A Terra Não Aguenta. 2008. Disponível em:

<http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/ambiente/conteudo_398962.shtml>. Acesso em: 16 de nov. 2009.

SILVA, Estela. Do jeito que está, não dá para ficar. 2008. Disponível em: <http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/desenvolvimento/conteudo_410952.shtml>. Acesso em 16 de nov. 2009.

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