19
set
2012

O Jogo do Planejamento Estratégico (parte 1)

Por Rodrigo Boehl >>

Quais são as barreiras que tornam tão difícil a execução da estratégia, mesmo pelas melhores organizações, e como podemos identificar se elas fazem parte da realidade da nossa organização?

Um relato publicado na Fortune 1000, em 1999, apontava que 70% dos erros cometidos pelos CEO não resultaram da estratégia deficiente e sim da má execução do planejamento. Em novembro de 2010, foi publicado pela revista HSM Management o dossiê denominado a Hora da Execução, apontando que dez entre dez CEOs, nas mais variadas pesquisas, afirmam: a execução da estratégia traçada é sua maior dificuldade, sua principal preocupação, seu desafio número um.

Com certeza, existem muitas barreiras além das que irei citar neste post, porém, considero que as mais relevantes e perceptíveis aos olhos daqueles que continuamente conspiram a favor da execução da estratégia são: barreira da visão, barreira humana, barreira gerencial e barreira dos recursos. Este será o primeiro do conjunto de três post em que irei abordar o tema do Planejamento Estratégico.

Tenho observado que há uma enxurrada de conceitos e ferramentas que buscam auxiliar a gestão empresarial, porém, como em uma casa, não podemos construir o telhado sem antes montarmos um alicerce forte para a construção das paredes que irão apoiar o telhado. Com as organizações é a mesma coisa: precisamos ter um alicerce forte. Considero estes o Planejamento Estratégico e o Balanced Score Card.

Este post será o primeiro do conjunto de três com foco em barreiras à execução da estratégia, fundamentos do BSC e criação do pensamento estratégico. A ordem está ao contrário propositalmente, pois, conforme Steve Jobs, quando ligamos os pontos de trás para a frente as coisas fazem mais sentido! Boa leitura e reflexão sobre as barreiras.

A BARREIRA DA VISÃO

O fato de que apenas 5% da força de trabalho entendem a estratégia não me surpreende, pois muitas vezes o plano estratégico é o quadro que fica na parede, não é algo natural no dia a dia da organização e da força de trabalho.

Limitamos a orientar as pessoas por meio de procedimentos operacionais padrões como na época da industrialização, onde o valor agregado estava relacionado diretamente com a utilização eficaz dos bens tangíveis. Só que estamos na era do conhecimento, onde o valor mais importante é gerado nas relações, informações e criação e disseminação de conhecimento organizacional. São valores intangíveis e não podemos restringir a capacidade dos funcionários de entender a estratégia e como eles são peças-chave da execução e alcance de metas e objetivos. Mais do que nunca as pessoas precisam de propósitos e se sentirem participativas na construção e no desenvolvimento de suas organizações. Cabe à organização tornar claro e engajar toda a força de trabalho no contexto da visão estratégica.

A BARREIRA HUMANA

Muitas empresas utilizam como forma de benefício e incentivos a remuneração financeira, mas devemos nos questionar se isso está apoiando o plano estratégico, estando atrelados a metas estratégicas de longo prazo, ou se está ligado somente a metas financeiras de curto prazo.

A resposta para a pergunta é fundamental, pois podemos estar alinhando incentivos de forma destrutiva. Mantemos o realizado do orçamento, porém evitamos que as pessoas da equipe realizassem o treinamento de uma nova tecnologia ou do conhecimento que poderia melhorar o método de gerenciamento de projetos.

A BARREIRA DOS RECURSOS

60% das organizações não vinculam o orçamento à estratégia. Isso ocorre porque elas realizam os processos de forma separada. Um grupo está trabalhando a estratégia, definindo as oportunidades que devem ser capturadas, as posições que devem ser mantidas e os riscos que devem ser minimizados, enquanto o grupo do financeiro está elaborando o orçamento operacional e a projeção de receitas.

É importante destacar que planejamento sem orçamento é somente um quadro grande e bonito na parede, seus objetivos e intenções estratégicas estão prejudicados pela falta de recurso e visão de curto prazo.

A BARREIRA GERENCIAL

Você já parou para observar como os fóruns ou os rituais do grupo gerencial estão sendo realizados, quais são as pautas dos encontros, como o grupo gerencial tem gasto o seu tempo em suas reuniões mensais ou quinzenas? Normalmente este é o retrato da maioria da empresas, onde o grupo gerencial é extremamente operacional e movimentado por intenções. Poucos são os que questionam se o processo atende o que foi definido na estratégia ou se o que fazemos efetivamente é estratégico.

Ficamos limitados somente à análise de resultados passados, resultados financeiros e buscando soluções para anomalias, defeitos e problemas. Esquecemos do enfoque  estratégico de analisar os profundos impactos que as ações e operações estão gerando no plano estratégico e nas atividades geradoras de valor.

As barreiras nos ajudam a entender que são muitos os fatores a serem trabalhados dentro da organização para que possamos criar a cultura da execução da estratégia, onde as pessoas sabem o que, como e onde impactam no plano estratégico da organização, criam momentos para avaliar e discutir as estratégias e principalmente questionar se o que está sendo feito é realmente estratégico para a organização.

Estratégia deve ser entendida como uma conspiração para o sucesso.

Fonte: Revista HSM de Novembro de 2010.

Livro: Balanced score Card – Paul R. Niven

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