11
set
2012

O outro lado da web 2.0

Por Marina Alano >>

Na corrida desenfreada atrás de tudo que é novidade estamos esquecendo valores antigos como percepção e vivência. 

A evolução humana, digital e global nos impeliu para um corrida insana de ir atrás do que é nova tecnologia, meme do momento, hipster ou amazing num ritmo cada vez mais assustador. O grande ponto nessa “pressa por informação” está no nível de qualidade em que absorvemos tudo isso. Se dermos uma olhada nas coisas que curtimos e nas de nossos amigos chegaremos à triste conclusão de que basicamente estamos tendo as mesmas referências e gostando todos das mesmas coisas. Qual o problema nisso tudo?

Bom, talvez você já tenha, como eu, se enchido um pouco dessa chuva de informação que chega pra você e que em 80% não traz nada de tão interessante e inovador assim. Refletindo um pouco sobre o quão maçante isso tudo é, percebi que ao mesmo tempo em que curtimos tudo, seguimos tudo, assistimos a tudo, não processamos nada e, por fim, nos limitamos sem notar.

Sim, meus caros, a limitação vem do pacote pronto que você faz download, das soluções iguais que a internet lhe dá todos os dias. Sem querer tirar todo o mérito da parte legal dessa expressão do social que a web 2.0 nos trouxe (que já não está ficando tão legal assim). Questiono até que ponto estamos sendo induzidos a ficar estagnados? Quer um exemplo? O que houve realmente de original nos últimos três anos? Se você conseguir citar mais de dez coisas é muito, não é mesmo? Bom, trazendo pra nossa vida pessoal e profissional, cite as três últimas soluções realmente inovadoras que você teve nos últimos meses, suas últimas sacadas geniais?

A verdade é essa, não estamos fazendo nada de realmente “cool” nos últimos tempos. O quadro atual é uma nuvem de ideias velhas com roupagem nova, e muitos de nós perdidos no meio disso tudo totalmente cegos e limitados quando o assunto é inovação, originalidade, criatividade. E só para assustar mais um pouco, os clientes também já estão saturados de pacotes de soluções prontas. Sorry, está na hora de nos reinventarmos, de cogitar a possibilidade de que a solução nem sempre está atrás da tela do PC, mas através de experiências e tentativas, do pensar fora da caixa.

Pense nas pessoas que realmente mudaram o mundo com suas ações, se pesquisarmos suas histórias de vida veremos que muitas nem nasceram no boom digital. Mas com certeza suas vidas foram cheias de experiências, erros e percepções até chegarem ao verdadeiro objetivo. O que ocorre, atualmente, com a nossa geração é que na sede (e claro, da cobrança da sociedade) de parecermos tão inteligentes e informados, não estamos tendo tempo de ter essa mesma vivência, de experimentar e errar, coisas essas que são fundamentais para o crescimento e, consequentemente, a evolução.

Infelizmente, estamos caminhando para um mundo de soluções prontas e da extinção do pensamento livre e criativo. Na corrida desenfreada atrás de tudo que é novidade estamos esquecendo valores antigos como percepção e vivência. Fazendo um parêntese sobre tudo isso, cabe refletir se realmente esse crescimento está nos levando a inovar. Como diria Tim Brown, em Design Thinking, inovação é causar impacto na vida das pessoas e transformar para sempre a forma dessas pessoas viverem e trabalharem, ou seja, inovação é valor percebido!

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