15
abr
2016

O valor da comunicação em tempos hipermodernos

Por Daniela Seibt >>

Para inaugurar minha coluna neste espaço, decidi falar sobre algo que parece tão óbvio, mas que sempre merece um reforço: o valor da comunicação.

Anos atrás, jovem ainda, quando optei por fazer a faculdade de relações públicas (e confesso que no início queria o jornalismo), não compreendia de fato o que significava estudar comunicação. Com o passar do tempo, aprendi a pensar sobre o tema e fui descobrindo belos caminhos, numa trajetória que venho construindo a cada nova possibilidade de reflexão.

O valor da comunicação em tempos hipermodernosA comunicação é a base da convivência humana. Comunicar significa compartilhar, tornar comum e está na essência do relacionamento entre as pessoas. Comunicar-se é relacionar-se, é buscar o outro. Muito além da simples interação, da transmissão de informações, a comunicação é um sistema complexo alimentado pela experiência das relações. Comunicação é performance, onde estão em jogo as condições sociais e culturais do contexto em que emissores/receptores transmitem/recebem suas mensagens. A comunicação é um processo que envolve negociação de sentidos, tolerar e compreender o outro, e se traduz na fala, nas palavras, no calor da voz.

Da mesma forma que nas relações humanas, as práticas de comunicação nas organizações assumem papel fundamental na criação e elaboração de significados, reproduzindo o esforço da instituição no engajamento de equipes, na fidelização de públicos, na construção e manutenção de uma imagem sólida e no fortalecimento da reputação, ativos de valor intangível na sociedade contemporânea e geradores de vantagem competitiva em relação à concorrência.

A hipermodernidade (conceito introduzido pelo filósofo francês Gilles Lipovetsky) trouxe consigo uma escala infinita do “sempre mais” e do “mais rápido”, o que afetou diretamente as relações humanas, a relação entre os tempos (passado, presente e futuro) e consequentemente a comunicação. Iniciou-se, com isso, uma busca por novos referenciais e um desafio constante de se transpor a efemeridade. Nas empresas, por exemplo, são os projetos de memória que ganham força como estratégia de comunicação e relacionamento com os stakeholders, além de servir como ferramenta no gerenciamento de possíveis crises de imagem.

Nas relações interpessoais, o maior paradoxo que vivenciamos atualmente está imposto pelas redes sociais, ambiente que promoveu a aproximação virtual das pessoas ao mesmo tempo que as distanciou do convívio real. A comunicação mediada por computadores e outras tantas telas acessíveis ao toque não passa de interação e não substitui a comunicação dos gestos, do olhar, do tom de voz, expressões possíveis somente na presença física dos interlocutores. Comunicar, como já afirmei, é muito mais do que interagir, e reinventar a comunicação é o segredo para atravessarmos essa era.

Reconhecer o valor da comunicação como produtora de significados nesses tempos hipermodernos, caracterizados pelo movimento, pela fluidez e pela flexibilidade, uma aceleração quase desmedida do tempo real que nos faz perder o sentido do cotidiano, significa promover relações mais corajosas, emocionais, que valorizem a experiência de comunicar-se e de relacionar-se. Reinventar e nunca perder a capacidade de refletir a comunicação é o caminho para ultrapassarmos esse turbilhão de transformações sociais e políticas, infinitas crises de imagem e uma carga de reputações vazias. Às vezes, é num cantinho escuro que se pode ter a melhor luz.

Fonte da imagem: https://pixabay.com/pt/rede-sociedade-social-comunidade-1020332/

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