Por Rogelia Barbosa >>

O Comportamento de Tiago Silva, capitão da Seleção Brasileira, no jogo do Brasil nas oitavas de fin mais uma vez trouxe à tona discussões presentes no mundo corporativo sobre o perfil de liderança. Alguns autores defendem a existência do líder nato, que nasce apto a liderar equipes. No entanto, acredito nos autores que afirmam que liderança é uma habilidade que pode, sim, ser desenvolvida. É claro que alguns já têm na sua identidade características e comportamentos que favorecem no desenvolvimento.

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Liderança exige alinhamento no que acreditamos e no que exteriorizamos. Dr. Tom Chung, no livro Qualidade Começa em Mim, capítulo 4, fala sobre os cinco níveis cognitivos de Comunicação e Liderança, e explica como alinhar identidade, valores e crenças, capacidades, comportamentos e meio ambiente (mundo exterior) para que haja congruência entre os diferentes níveis mentais e podermos desenvolver nossas ações com entusiasmo, produtividade e excelência, e não nos tornarmos vítimas dos nossos conflitos internos.

1) IDENTIDADE: QUEM?

Este é o nível mais sagrado do ser humano.Alguns encaram como uma questão filosófica, outros como uma questão espiritual. Ok, mas quem é você? Qual o propósito da sua existência? Existe algum significado no que faz e no que é?

Para refletir, escreva e lá de vez em quando repeta a pergunta, para não se distanciar da pessoa mais importante para você, que é o seu eu verdadeiro.

2) VALORES E CRENÇAS: POR QUÊ?

Henry Ford dizia: “Se você acreditar que consegue ou que não consegue, em ambos os casos você estará absolutamente certo”.

Os valores e crenças determinam o motivo de você fazer determinada ação, assim como o foco e as prioridades vão lhe dar, ou não, a permissão para a realização da sua missão.

Conflitos e brigas costumam ser gerados a partir que um interlocutor, que começa a questionar o julgamento de valor pessoal, do que é certo ou errado, bom ou ruim. Nesta hora, formular perguntas estratégicas que concentrem na exploração dos processos comportamentais ajuda na qualidade da relação. Exemplo: ao invés de dizer “Por que você fez isso?”, faça perguntas de ordem comportamental, como “O que foi que aconteceu especificamente?”.

Esse tipo de ajuste na comunicação faz com que o interlocutor concentre-se no acontecimento e no ambiente, sem julgar valores e crenças de terceiros.

3) CAPACIDADE: COMO?

A capacidade pode ser definida como a maneira de aplicar o conhecimento e gerar ações e comportamentos para alcançar uma meta. O modo como o sujeito vai ouvir, falar, argumentar e quais linguagens não-verbais vai utilizar, quais reações irá provocar são resultados dos níveis de qualidade da capacidade. Ou seja, a capacidade está em um nível mais técnico, de estratégias e processos para melhorar a comunicação, percepção e comportamento.

4) COMPORTAMENTE: O QUÊ?

O comportamento é o que faz e diz. Pode ser verbal e não-verbal. É coordenado por nossas capacidades. Aí estão as habilidades adquiridas ao longo da nossa vida em aprendizados sucessivos (capacitações), o que aprendemos com nossos pais, professores e amigos. Este nível proporciona a direção para as nossas vidas. Um comportamento pode ser mudado a qualquer momento, com bom discernimento para aprender comportamentos de qualidade e excluir os fracos, que prejudicam o nosso crescimento.

5) CONGRUÊNCIA / MEIO AMBIENTE

O alinhamento dos níveis acima: Identidade, Valores e Crenças, Capacidade e Comportamento com o equilíbrio do contexto deixa as pessoas mais produtivas, prontas para contribuir positivamente dentro de um sistema maior.

Enquanto fizemos nossas ações, seja no piloto automático ou não, todas estas coisas estão acontecendo em um ser único e integrado. Há a necessidade de entender cada pecinha, para que juntas, alinhadas, funcionam bem, sem conflitos internos.

Não há líder sem controle emocional. Não há como convencer se você não acredita. Não há como inspirar se você não sabe qual sua razão de existir. Antes de ser um comunicador com gestos, expressões e tom de voz implacáveis é essencial se conhecer bem, pois um líder tem que ter entusiasmo, carisma e inteligência emocional. Sem essas habilidades, na primeira ventania o castelinho de areia desmorona.

Fonte: CHUNG, Tom. Qualidade começa em mim: manual neurolinguístico de liderança e comunicação. – Osasco, SP: Novo Século Editora, 2002.

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