Por Rogelia Barbosa >>

“As pessoas não compram mais guiadas por meros dados técnicos, mas inspiram-se pelos valores, causas e visões de mundo das empresas com as quais escolhem se relacionar. É dessa identificação que surge o relacionamento. Os consumidores pesam cada vez mais em suas decisões de compra.”

Por que as novas gerações preferem se relacionar com empresas sustentáveis

Para começar nosso papo sobre a Sustentabilidade nas organizações e de como o consumidor ao longo dos anos foi desenvolvendo uma visão mais crítica sobre o assunto, vamos acertar o que não define que uma empresa é Sustentável.

Esqueça as propagandas verdes, o desenho de folhas e a reciclagem do lixo. Sustentabilidade é bem mais complexo, está para além do dito e escrito, está nas atitudes diárias, de como as organizações desenvolvem seus processos, garantindo o retorno mútuo para a empresa, a sociedade e as pessoas.

O mundo muda o tempo todo – isso é fato -, e, consequentemente, o meio ambiente foi apresentando os impactos sofridos. Isso tem influência direta no modo de como as gerações Y (nascidos de 1980 – 1991) e Z (nascidos a partir de 2000) passaram a cobrar a Responsabilidade social e Ambiental das empresas. Como são feitos os produtos, como tratar os colaboradores, quais são os impactos ambientais. Estas são algumas das questões que as novas gerações cobram das empresas, diferentemente dos Baby Boomers (nascidos entre 1940 e 1960), que vieram de uma época em que as questões sobre Sustentabilidade ainda não era disseminado nas organizações. Estes movimentos começaram a estar presentes na publicidade, nos veículos de comunicação de massa, nas universidades e na política na década de 1970, quando uma pequena parcela dessa geração começou a colocar suas preocupações sobre os temas. Veja como o comportamento das gerações tem influência no modo como as empresas terão que se adequar ao assunto para não ganhar o desprezo de seus consumidores.

A GERAÇÃO X (1960 a 1980)
Altamente empreendedora e cética, chegou ao mercado de trabalho consideravelmente desconfiada em relação às organizações. Juntamente com a atitude egocêntrica desta geração, fez com que assuntos ambientais e a Sustentabilidade fossem pouco disseminados nas empresas e tampouco cobrados pelos consumidores. Propagandas sobre um mundo melhor e preocupações com o próximo não eram argumentos de venda, talvez por isso, nesta geração, a Sustentabilidade não tivesse chegado à gestão da empresa, era vista como mais um gasto. Mas aqui começou o aprendizado sobre o tema e a transferência de conteúdos para as crianças e jovens da geração Y nas escolas e universidades.

A GERAÇÃO Y (1980 – 1991)
Esta, por sua vez, recebeu na escola informações sobre o mundo, globalização e tudo mais. Influenciada pela tecnologia, internet, assim como pela velocidade da transmissão de informação, aprendeu a ser autodidatas e buscam na internet respostas para muitas coisas. Por isso interiorizou conceitos de aproveitamento do tempo, colaboração, democracia, diálogo com o público e preocupações ambientais. Já escolhe produtos menos poluentes, pensa alternativas para economizar energia, na política é cético quanto aos partidos, inquieta e questionada, e as redes sociais são fortes aliadas para os jovens dessa geração, como vimos nas manifestações que ocorreram no país durante a Copa das Confederações. Segundo a pesquisa Sonho Brasileiro, “Os jovens acreditam mais em articulações colaborativas, pacíficas e simbólicas do que em conflitos, choques ou violência. “Bater de frente” não é inteligente, isso mostra um potencial nesta geração com a preocupação social.

 A GERAÇÃO Z
Os jovens desta geração, também conhecidos como Millennials (nascidos a partir do ano 2000), e da Y, cresceram escutando as discussões na mídia sobre impactos ambientais e conceitos de Sustentabilidade. Por isso, para eles o tema está mais suscetível ao engajamento do que para as outras gerações. Embora a Z ainda não tenha chegado ao mercado de trabalho, são imersos na tecnologia, crescem conectados à internet, chats, celular, e isso faz com que sejam imediatistas, discutam na escola e em casa, desde os anos iniciais, questões como consumo consciente, aproveitamento do tempo, separação de resíduos, meio ambiente, enfim, sobre diferentes temas ligados à Sustentabilidade.

O QUE Y e Z ESPERAM DAS ORGANIZAÇÕES?

Inquietos, informados e questionadores, eles não acreditam mais em ‘rótulos verdes sem conteúdo coerente’. Cobram que a Sustentabilidade esteja no cerne, na gestão da empresa e não apenas nas estratégias de comunicação e publicidade. O consumidor irá exigir cada vez mais que a Sustentabilidade faça parte dos processos, que a empresa esteja alinhada entre suas ações e a minimização de impactos, com a matriz da materialidade sendo uma análise norteadora. Como afirma Vanessa Cabral, diretora de Sustentabilidade da Agência Trio de Comunicação e Sustentabilidade, “As pessoas não compram mais guiadas por meros dados técnicos, mas inspiram-se pelos valores, causas e visões de mundo das empresas com as quais escolhem se relacionar. É dessa identificação que surge o relacionamento. Os consumidores pesam cada vez mais em suas decisões de compra. A responsabilidade do processo produtivo das empresas, analisando itens como ciclo de vida do produto, matéria prima utilizada, sua origem e impactos ambientais, econômicos e sociais inseridos na cadeia produtiva.”

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