Por Maria Alana Brinker >>

No segundo post da série “A cidade que nunca dorme”, sobre as tendências em Comunicação de Nova York, estou contando como foi minha visita ao The Museum of Public Relations e o que descobri sobre a criação das Relações Públicas. Confere aí!

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Placa da entrada do museu – Créditos da foto: própria autora

Um dos lugares que estava determinada a visitar durante a viagem era o The Museum of Public Relations. Confesso que esperava encontrar lá alguns quadros, livros e objetos dos primeiros relações-públicas do mundo – porque as Relações Públicas nasceram em Nova York -, mas não conhecer tanta história.

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Um dos livros do acervo – Créditos da foto: própria autora

O museu está localizado no Centro Financeiro de Nova York, mais precisamente na Brodway, 61, praticamente em frente ao famoso touro de Wall Street. Mas os planos são de tranferi-lo para a New York University (NYU) em breve, e deixá-lo mais próximo e acessível aos alunos.

POR QUE O CURSO DE RELAÇÕES PÚBLICAS FOI CRIADO?

Chegando lá, conversei com a criadora do museu e professora da NYU, Shelley Spector, e sua assitente Julie Dowsett, que falaram sobre Edward Louis Bernays, o pai das Relações Públicas. Mas… espera aí. E o Ivy Lee? Por que, aqui no Brasil, estudamos muito mais sobre Lee na faculdade e o consideramos o pai das Relações Públicas e mal ouvimos falar sobre Bernays?

Acontece que Lee foi discípulo de Bernays e teve grande importância no reconhecimento da atuação dos RPs no mundo empresarial, o que o tornou mudialmente famoso. Sabe-se que seu primeiro grande case foi assessorar John D. Rockefeller para melhorar sua imagem. Registros históricos ainda contam que o famoso Rockefeller Center só leva este nome por insistência de Lee, que convenceu seu cliente a colocar o sobrenome no empreendimento. Bastante influente, não? Mesmo assim, Lee é o segundo pai das Relações Públicas, porque o primeiro é o austríaco Bernays.

Segundo Shelley, Bernays foi morar nos Estados Unidos com um ano de idade. Lá, influenciado por seu tio e amigo Sigmund Freud (Sim, ele mesmo!), percebeu a importância de se trabalhar a opinião pública na Comunicação. Relacionou as ideias de Gustave Le Bon e Wilfred Trotter sobre a psicologia e o comportamento das massas com as ideias psicoanalíticas de seu tio, e com essa combinação trabalhou para que as Relações Públicas fossem firmadas e reconhecidas como profissão. Também lecionou no primeiro curso de RP do mundo, na NYU, contribuindo para a sua criação.

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Cartas (entre elas uma da NYU agradecendo Bernays por criar e lecionar no primeiro curso de Relações Públicas do mundo), fotos e recortes de jornais do acervo – Créditos da foto: própria autora

Depois de escutar isso, fica muito mais claro entender por que as Relações Públicas foram criadas e qual a sua função, não acham? Justamente para que a Comunicação tenha um braço, digamos, que não seja responsável apenas por divulgar (Publicidade) e informar (Jornalismo), mas também por entender como se relacionar e fazer comunicação dirigida (Relações Públicas).

OS NORTE-AMERICANOS GOSTAM DE DANÇA POR CAUSA DE UM RP!

A importância das Relações Públicas é bem ilustrada ao sabermos o que Bernays fez em 1915, quando, sem entender nada de dança, começou a assessorar o Ballet Russes de Diaghlev em sua turnê. Problema: os norte-americanos, incluindo ele, eram desinteressados em dança e não gostavam de ver homens nessa modalidade – o que era e ainda é bastante comum no balé russo. A solução era influenciar positivamente a opinião pública. Como? Usando quatro estratégias.

A primeira estratégia foi divulgar o balé como uma atração que unificava várias artes; a segunda, divulgá-lo para grupos diferenciados de pessoas, com maior nível de instrução; a terceira, mostrar seu impacto direto na vida norte-americana, no design e nas cores que ele traz nos espetáculos; e a quarta, ligá-lo a personalidades, tornando conhecida a história dos dançarinos (Olha o storytelling aí!).

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Capa de livro ilustrando Edward Bernays – Créditos da foto: própria autora

Para os jornais, Bernays desenvolveu um boletim informativo de quatro páginas, com fotografias e histórias de dançarinos, figurinos e compositores. Os artigos foram direcionados para seus quatro temas (estratégias) e públicos. Por exemplo, as páginas para as mulheres receberam artigos sobre trajes, tecidos e design de moda; os suplementos de domingo receberam fotos coloridas. Por causa da censura da época, Bernays teve que retocar fotos em que homens apareciam com saias acima do joelho, adequando-se às necessidades de seus públicos. Depois, ainda influenciou empresários da época a fabricarem produtos inspirados nas cores e designs das roupas dos dançarinos.

Só com esse exemplo dá para ver o quanto a comunicação dirigida – bastante usada pelos RPs -, contribuiu para tornar a dança parte da cultura norte-americana. Sabendo da paixão dos norte-americanos pela dança em seus espetáculos da Broadway e outros shows mundialmente famosos não resta dúvida de que funcionou.

Enfim, queria compartilhar com vocês um pouco sobre o que aprendi nesta visita. Foi emocionante saber que estive no mesmo prédio em que Ivy Lee teve seu escritório (sim, ele trabalhou na Broadway, 61). Quando saí de lá fiquei pensando quantas vezes ele, Bernays e talvez Rockefeller e outras personalidades passaram pela mesma porta que eu. Se emoção pudesse ser sentida pelo computador…

P.S.: Agradeço à Shelley e à Julie pela troca de conhecimentos! Em consideração a elas, também publicarei a versão do post em inglês em breve.

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  • Roberta Bertoi

    Muito legal Alana! Voltei um pouquinho no tempo da faculdade.. não lembrava nada da história da profissão e também nem imaginava que existia um museu! Que orgulho!! Queria que no Brasil a profissão tivesse a mesma valorização que em NY … mas ainda temos que pelear bastante pra isso!

    • Maria Alana Brinker

      Que pena, né Roberta. Eu também desejo que nossa profissão seja mais valorizada aqui. Mas acho que estamos no caminho. Cada vez mais vejo empresas contratando RPs e, o mais importante de tudo, sabendo o potencial que os profissionais dessa área têm para muitas atividades, e não somente organização de eventos. 😉

  • Carol Pulcineli

    Adorei ! Muitas pessoas vem perguntar o que exatamente um RP faz, nós precisamos divulgar a importância da nossa profissão no mercado. Com essa postagem você com certeza contribuiu em dados que relações públicas realmente funciona. Ainda sou estudante mas já sinto na pele como é preciso divulgar o que fazemos.

    • Maria Alana Brinker

      Olá, Carol! Também me deparei com essa mesma situação quando eu estava na faculdade. Muitas pessoas, inclusive familiares, me perguntavam: “Mas afinal, Alana, do que é mesmo a tua faculdade? O que faz um RP?” Caramba, era difícil explicar, porque um RP faz muuuiiitas coisas, e parece que no início da faculdade isso não fica tão claro assim para nós.
      Na verdade, eu atribuo essa certa dificuldade em se definir as funções e a importância das Relações Públicas à pouca divulgação da nossa profissão aqui no país. E também porque, em muitas situações, nossa atuação se confunde e se mistura com a de publicitário, jornalista e administrador.
      Fico feliz que eu tenha te ajudado com o post. Sejas bem-vinda ao blog e boa sorte na nossa profissão! 😉

  • Renato Nascimento

    Oi Alana! Valeu pela indicação do post! Contribuiu bastante com meu trabalho!!!
    Quando conclui-lo te mando… quem sabe consigo um espaço por aqui… hehehe…
    você é minha “RP inspiradora”… heheheh … admiro muito teu trabalho!!! Parabéns!

    • Maria Alana Brinker

      Olá, Nascimento! Que coisa boa saber que contribuí para o teu trabalho. Sempre que precisar, podes recorrer ao nosso blog. Sejas bem-vindo e muito sucesso para ti!

  • Érika Viegas

    Oi Maria Alana, vamos pontuar direitinho?
    Olha o que MaurityCazarotti fala neste link http://www.rpepp.com.br/2016/03/teste-de-dna-relacoes-publicas-quem-e-o.html

    Pode isso?