10
jun
2013

Por que entender sobre as comunicações oficiais

Por Elvira Costa >>

A redação oficial é a forma como o Poder Público redige atos normativos e comunicações.

redacaooficial_assinaturaNa última postagem do Comunicação e Tendências, Maria Alana Brinker falou sobre concursos públicos (clique aqui e confira o post). Logo comecei a pensar na minha coluna aqui no blog. Afinal, todos os concursos avaliam a Língua Portuguesa. Só que, mais que isso, alguns concursos avaliam conhecimentos específicos que exigem habilidades com o idioma. E não estou falando das redações, que ocorrem em milhares de processos seletivos.

Em alguns casos, os conhecimentos específicos versam sobre teorias já estudadas nas cadeiras de Comunicação, mesmo quando as vagas são para graduados em qualquer curso superior. E aí? Será que temos alguma vantagem nisso? Depende da sua memória… Você ainda lembra com facilidade dos ensinamentos da sala de aula, lá das disciplinas de Língua Portuguesa, de Linguagem Jornalística, ou de Comunicação Empresarial? O lado negativo é que o conhecimento do idioma exige esforço, e não bastam algumas aulas na graduação ou na pós. O lado positivo é que, invariavelmente, se você já viu o conteúdo antes e se dedicou a estudar durante o curso, a matéria será menos complicada para você. Vejamos um exemplo…

No início de 2013, houve concurso para o Ministério da Cultura. As vagas eram para graduados em Ciências Humanas ou Sociais. Entre os assuntos sobre Língua Portuguesa listados no edital, além de todos aqueles que estão na gramática (formação de palavras, sintaxe, pontuação, etc.), havia o assunto “redação oficial”. Sobre redação oficial, a Presidência da República disponibiliza um manual em PDF de 138 páginas. É muita coisa para absorver diante de tantos outros assuntos para estudar, então é melhor nem comentar os itens do edital que falavam sobre Direito. Já dá para imaginar que não eram poucos, e o nosso assunto aqui é Língua Portuguesa…

A redação oficial é a forma como o Poder Público redige atos normativos e comunicações. Possui suas regras específicas, entretanto, muitas delas já são do nosso conhecimento, adquiridas nos tempos de estudante. Vejam que ela deve ser redigida com impessoalidade, uso do padrão culto da língua, clareza, concisão, formalidade e uniformidade. Quanta coisa! Mas vejam que esses assuntos nós já estudamos antes, então é mais fácil. Lembrem-se dos professores que ensinaram a redigir releases; o que eles disseram mesmo? Objetividade, norma culta, concisão, etc.

Além disso, o manual fala sobre “comunicador”, “receptor”, “conjunto dos cidadãos”, expressões que a gente já conhece das aulas de Teorias da Comunicação. E, finalmente, uma conclusão interessante: a finalidade básica da redação oficial é comunicar. Assim, qualquer forma particular ou pessoal de redigir não é admitida.

O segundo capítulo do Manual de Redação da Presidência da República versa sobre as comunicações oficiais. Fala dos pronomes de tratamento relacionados a cada cargo público. Em seguida, trata das correspondências. Sim, são as mesmas correspondências que a professora Cleuza Cesca explica no seu livro Comunicação Dirigida Escrita na Empresa, especificamente o ofício. Vejam o que Cesca diz no livro sobre o ofício: “É quase que exclusivamente utilizado no serviço público, na comunicação entre chefias e com o público externo. Na empresa privada, só é usado quando for dirigir-se ao serviço público”. Cesca faz a ressalva de que como o texto do ofício é geralmente dirigido a autoridades, é necessário observar os pronomes de tratamento adequados a cada cargo.

A estrutura do ofício é semelhante à de qualquer correspondência, com as suas peculiaridades:

  1. Tipo e número do expediente, seguido da sigla do órgão que o expede. Exemplo: Of.123/2002-MME;
  2. Local e data em que foi assinado, por extenso, com alinhamento à direita. Exemplo: Salvador, 10 de junho de 2013;
  3. Assunto: resumo do teor do documento. Exemplo: Necessidade de aquisição de novos computadores;
  4. Destinatário: o nome e o cargo da pessoa a quem é dirigida a comunicação;
  5. Texto: composto de introdução, desenvolvimento e conclusão;
  6. Fecho: tem a finalidade de saudar o destinatário. Exemplo: Respeitosamente, (para autoridades superiores) ou Atenciosamente, (para autoridades de mesma hierarquia ou hierarquia inferior);
  7. Assinatura do autor da comunicação;
  8. Identificação do signatário: exibe o nome e o cargo da autoridade que expede o ofício.

Tratando em minúcias, o exemplo que trouxe é apenas um item de um assunto do edital de um concurso específico. E é verdade que qualquer concurso público exige do candidato um conhecimento quase enciclopédico. É verdade também que, na maioria das vezes, a avaliação aprova aquele que decorou mais, como vimos no último texto do Comunicação e Tendências. Ou seja, a aprovação em um concurso público exige muitas e muitas horas de estudo e decoreba.

Primeiro, a utilidade de entender sobre as comunicações oficiais é teórica, uma necessidade para aumentar as chances de acertar as questões da prova. Depois, prática, para aqueles que precisarão dominar os macetes da redação para o exercício da função no cargo público. Não havendo aprovação, por sua vez, é reconfortante pensar que o conhecimento adquirido não se perde. Mesmo que você não passe no primeiro, no segundo, ou no terceiro concurso, alguma coisa você aprenderá nesta trajetória. Até que, se não desistir de estudar e continuar tentando, você conseguirá uma vaga e a sonhada estabilidade. O bom é saber que, quando isso acontecer, será por merecimento. E, afinal, conhecimento nunca é demais. Bons estudos!

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