Por Daniela Seibt >>

Ao longo das minhas experiências na carreira de Relações Públicas, tive a oportunidade de trabalhar com a comunicação política e sempre acreditei no relacionamento como a grande arma das campanhas eleitorais. Sem desprezar o marketing político e suas estratégias, na minha concepção é o trabalho de RP que fundamenta e legitima a imagem pública dos candidatos, seja em que nível for a pretensão deles.

A essência das relações públicas, desde sua origem, está ligada à opinião pública e ao lobby, este entendido como uma atividade de defesa de interesses e não como tráfico de influências. Segundo Hebe Wey (1986), são as influências discretas, não vendedoras, das atividades de relações públicas que contribuem de forma valiosa sobre o desejo de compra do consumidor – que eu atualizo livremente para decisão dos públicos em favor de uma organização, causa, pessoa, partido político, projeto etc.

A comunicação política está para além do período eleitoral, embora suas atividades sejam mais visíveis nesse período. Afinal, a reputação de um candidato se forma a partir de sua trajetória pessoal e política, resultado das imagens construídas ao longo do tempo, exatamente como acontece nas organizações e empresas. Nesse sentido, o trabalho de relações públicas se apresenta como fundamental na prática das campanhas eleitorais, principalmente no monitoramento da imagem institucional dos candidatos, da coligação ou mesmo do partido político.

Falo de comunicação política com a experiência – mesma que pouca – de quem já esteve dos dois lados. Muito jovem ainda decidi me engajar politicamente, inspirada pelos líderes políticos que conheci e com quem convivi na minha cidade natal. Com pouco mais de 20 anos, ainda cursando a faculdade de RP, fui candidata à Câmara de Vereadores de Gramado, não por vontade própria, mas para compor a cota de mulheres necessária para garantir o registro da coligação na justiça eleitoral. Não fui eleita, mas aquele período me trouxe grandes lições de vida e de carreira.

Anos depois, tive a oportunidade de atuar na equipe de comunicação e estratégia de campanha para a prefeitura municipal. Foram dois meses de muito trabalho, com todos os percalços que envolvem uma eleição em cidades polarizadas politicamente, como é o caso de Gramado. Tínhamos um conceito de campanha bastante diferenciado em relação aos nossos adversários e aos pleitos anteriores, num alinhamento estratégico inovador para as tradições da cidade. Não fomos vencedores, mas novos aprendizados aconteceram.

Hoje, temos uma eleição muito mais tecnológica, com inúmeras ferramentas para que o candidato se relacione e se comunique com seus (possíveis) eleitores. Sou daquelas eleitoras que acompanha a política em todos os momentos, antes, durante e depois das eleições, sempre com olhos críticos para a estratégia adotada pelos candidatos. Ainda acredito que relacionamento e engajamento são os valores que alicerçam a boa política e conquistam os melhores resultados, sendo que um trabalho efetivo de Relações Públicas pode garantir a adesão dos públicos, independente da escolha partidária.

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