Por Maria Alana Brinker >>

Quando eu e centenas de pessoas escolhemos ser relações públicas num país como o Brasil, também decidimos enfrentar um mercado que pouco entende a nossa profissão. Um mercado que enxergou por muitos anos, e ainda vê assim, só que em menor proporção, o RP como um profissional ligado somente à atividade de promoção e organização de eventos – que é uma excelente área de atuação, mas não é a única para nós.

Todo mundo ama bacon. Agradeça a um relações públicas!Adoro explorar a história de tudo, e por que não, da minha profissão? Quando nos dedicamos a pesquisar o que já foi feito no passado por outros profissionais da velha guarda, descobrimos que outras possibilidades de atuação não surgiram agora nesta área, mas já existem há dezenas de anos e influenciaram sociedades inteiras graças ao poder de técnicas como a gestão de imagem. Salve os antigos RPs!

Se você quiser saber, por exemplo, por que os musicais nos EUA começaram a existir e fazem tanto sucesso ainda hoje, leia este post que escrevi. E se, por acaso, você quiser saber como o Sigmund Freud (sim, o pai da psicanálise) influenciou o pai das Relações Públicas, clique aqui. Mas se você estiver afim de entender por que os norte-americanos comem tanto bacon no café da manhã e qual a relação disso com as relações públicas, continue nesta página! Não é piada, gente.

RELAÇÕES PÚBLICAS E BACON

Em 2015, os norte-americanos consumiram em torno de $ 4 bilhões de dólares em bacon. Mas o amor por essa proteína não surgiu do nada. Quando a maioria dos gringos vivia na zona rural, os cafés da manhã em família incluíam este alimento, mas depois da Revolução Industrial e com a invenção dos cereais processados (como os da Kellogg’s), os grandes e demorados breakfasts deixaram de ser uma prática. E aí o bacon teve uma grande queda nas vendas.

Edward Bernays, o pai das Relações Públicas, entrou em cena. Seu parentesco e aproximação com Freud influenciou-o de forma muito importante na tentativa de compreender a psicologia e associá-la a suas estratégias de Marketing. Tentar entender o que se passa no subconsciente, para ele, era fundamental. Campanhas da Lucky Strike, como as que mostravam que mulheres também podiam fumar numa época em que cigarros não eram considerados prejudiciais à saúde, tiveram a influência dele. E em 1920, para aumentar novamente as vendas de bacon, Bernays recorreu à medicina. Pediu a 5.000 médicos que escrevessem para ele por que era importante para a saúde tomar um café da manhã maior e mais completo do que um rápido e com poucos alimentos. Ele analisou as respostas e algumas foram publicadas no jornal. Muitas declarando que ovos e bacon deveriam ser incluídos no café da manhã como importantes fontes de proteínas. Como resultado, as vendas de bacon dispararam, e as tirinhas continuam sendo muito consumidas até hoje.

Depois de ler estratégias assim, que já eram praticadas no início do século XX, fica mais fácil entender por que precisamos batalhar para que mais pessoas entendam o que um RP pode fazer.

Referência:

The secret history of bacon – The Whashington Post
The Museum of Public Relations

 

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