Por Emanuela da Silva

As cenas que presenciamos através das mídias tradicionais e das redes sociais mais pareciam saídas de um filme de ação norte-americano, ou até mesmo o famoso Tropa de Elite 2 em cartaz em todo o Brasil. Se a ficção teve mais de 10 milhões de espectadores, a realidade foi destaque internacional, superando todas as expectativas. A tomada do complexo do Alemão, sem dúvida, foi um acontecimento histórico para a população brasileira, principalmente a do Rio de Janeiro. A guerra contra o narcotráfico mobilizou as Forças Armadas, Bope, Marinha, policiais civis, militares, federais todos os órgãos de segurança. O governo do RJ recebeu apoio de outros estados para ajudar a controlar a situação emergencial. Tiros, bombas, mortos, feridos, ataques, saques, drogas e apreensões, prisões, suborno, fuga, carros e casas incendiados em vários pontos da cidade e, finalmente, a invasão pela polícia. Dias de pânico e horror, cenas reais protagonizadas pela população sem efeitos especiais, atores ou dublês.

Os principais traficantes fugiram. Agora, estão sendo procurados, mortos e feridos na guerra carioca. Ofertas de recompensa por informações que levem o paradeiro dos procurados. E agora quais as medidas serão tomadas para revitalizar o Complexo do Alemão?  O ministro da defesa civil Nelson Jobim anunciou, esta semana, que a Força de Pacificação deve começar a atuar em 10 dias no Complexo do Alemão e na Vila Cruzeiro. Tanto ele quanto o presidente Lula negam a permanência em longo prazo das tropas no Alemão a pedido do governador Sergio Cabral, de acordo com o site da Folha.

O OUTRO LADO DA MOEDA

De um lado, a crueldade do tráfico e seus códigos de obediência, os quais as comunidades obedeciam sem questionar. De outro, aumenta o número de denúncias contra os policiais. Mocinhos que viram bandidos agredindo, roubando, amedrontando a população traumatizada da guerra. Os populares precisam se defender das ações dos traficantes e dos policiais corruptos. As denúncias na Corregedoria Geral Unificada não param de chegar: abuso de autoridade, maus tratos, violência, apropriação ilegal de bens dos cidadãos. A inversão dos papéis, os órgãos de segurança passando por problemas de ordem moral prejudicando a imagem das corporações. Exatamente como o seriado da rede Record “ A lei e o crime”, ou a global “ Força-Tarefa”. O caso é preocupante a ponto do governo do RJ colocar anexado aos números de denúncia um item sobre violência policial. Confira os principais canais para ajudar no trabalho da polícia aqui.

Se de um lado as tramas cinematográficas ou telenovelas tentam alertar a sociedade para denunciar, mesmo que anonimamente, os crimes, por outro elas se contradizem, como na novela global Passione, onde os personagens protegem seus familiares escondendo a verdade ou servindo de álibi, no caso das personagens Cande, Stela e Totó. Muito diferente da realidade do Complexo do Alemão, onde algumas famílias de traficantes entregam os criminosos para as autoridades – foi o caso da Dona Josefa Martiniano, 59 anos, que pediu que seu filho, o Pezão, se entregue. Ele é um dos foragidos mais procurados pela polícia, e sua mãe escreveu um bilhete e pregou-o na entrada da favela. Foram 15 revistas ao todo, e ela continua sendo vigiada 24 horas por dia. O apelo da mãe desesperada foi notícia nacional, como mostra o Portal R7.

Poderíamos dizer que há uma inversão de valores quando a comunidade é vigiada dentro de casa devido à ação dos bandidos? Quem vai arcar com os prejuízos causados pela guerra se muitas casas foram destruídas e alvejadas? Escolas ficaram sem aulas, servindo de abrigo para os moradores. E o ano letivo destas crianças, como fica? E o prejuízo moral e psíquico na mente destes pequenos, convivendo com a morte, as drogas, a prostituição etc? Como recuperar a infância roubada pelo tráfico? Para essas pessoas que vivem abaixo da linha da pobreza a pacificação será acompanhada por ações sociais ou será apenas mais uma história diferente da ficção, sem final feliz?

Como será o Natal para os moradores destas comunidades?  E as autoridades que se comprometeram a tomar providências, tomarão mesmo ou foi apenas um discurso momentâneo? São tantos questionamentos acerca deste tema de tão difícil solução: pobreza, tráfico, corrupção, prostituição, miséria, violência, preconceito etc.

Em meio a este caos temos as Olimpíadas de 2016. Estaremos prontos para receber atletas de várias partes do mundo e assegurar a integridade física deles?

Fonte consultada: O Globo

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>> Veja também: Neuromarketing na Política é ético?

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