Por Daniela Seibt >>

Depois de dois anos de muito trabalho e dedicação à pesquisa, conquistei recentemente o título de Mestra em Comunicação. Talvez isso represente pouco ao mercado, mas eu tenho a convicção de que a pesquisa acadêmica pode auxiliar (e muito) as práticas comunicacionais, desde que saibamos o que fazer com o que produzimos.

Costumo dizer que o legado acadêmico só acontece de verdade quando podemos compartilhar o conhecimento produzido, ou seja, dividir com o mercado e os futuros profissionais as possibilidades que se abrem nesse processo. Nossas pesquisas precisam ser inspiradoras, e só conseguimos isso dando vida a ela, ou seja, tirando o impresso da prateleira e levando à público o nosso envolvimento com o projeto, as dificuldades, as emoções, as experiências e os aprendizados que vivemos.

Minha pesquisa trata da memória institucional, um tema ainda em desenvolvimento dentro da comunicação, mas com grande potencial à gestão de negócios. Depois de ler inúmeros artigos, monografias e livros (que são pouquíssimos) sobre o tema, precisava decidir qual caminho eu trilharia para desenvolver minha dissertação. Queria discutir algo novo, inovador, capaz de despertar o interesse das pessoas num assunto que, aparentemente, não apresenta tantas opções de estudo. Foi aí que surgiu a questão do discurso e das práticas de comunicação de memória nas organizações, porque a relação existe e precisa ser observada, analisada, compreendida. Além disso, num exercício inicial, pude trazer a influência das emoções ao estudo.

E agora? Como isso tudo está presente na realidade das organizações? Como se desenrolam as ações de memória nesse ambiente? Como elas atingem o seu público? Respondi a essas perguntas numa palestra recente para alunos de Relações Públicas, envolvendo meus achados de pesquisa e ações desenvolvidas dentro da instituição que foi objeto da minha pesquisa. Resultado: diálogo mais que produtivo entre teoria e prática.

Sou Relações Públicas e acredito na minha profissão, mas percebo uma carência muito grande de pesquisas acadêmicas na área. Quase não temos pesquisadores interessados em fazer evoluir a nossa prática organizacional, em avançar na análise de nossos cases e projetos, em assumir a responsabilidade de fazer ciência, de contribuir com o nosso futuro profissional e garantir nosso espaço como estrategistas da comunicação nas organizações. Falar de comunicação para futuros comunicadores passa pela academia e pela prática, desde que apuremos nosso olhar nessa relação. O legado acadêmico é um movimento do saber, não apenas um esforço de pesquisa; precisa circular para fazer sentido.

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