Por Fernanda Sarate >>

A cada dia ouvimos falar de uma nova mídia social, novos canais de comunicação e estratégias de motivação. Estar atento a tudo e incorporar estas novidades na gestão de endomarketing da empresa pode parecer um desafio. Ninguém quer parecer obsoleto sugerindo o lançamento de um jornal mural ou informativo impresso. O high tech está cada vez mais presente. A partir disso, surgem questões como “será que estes novos recursos realmente são válidos para todos os ambientes corporativos?”, e “será que minha empresa tem o perfil para aderir a estes canais e estratégias?”. No final, há diversas companhias transformando seu endomarketing num caldoso sundae de almôndegas.

O escritor, blogueiro e CEO da Squidoo, Seth Godin, reforça em seu livro “Sundae de Almôndegas: Sua empresa está sintonizada com o Novo Marketing?”, que paira no ambiente corporativo um consenso de que todas as empresas precisam estar nas mídias sociais, criar virais e lançar mão de estratégias inusitadas. Falar do marketing e dos canais mais tradicionais é quase um ultraje. Neste cenário, adotar estas novas ferramentas passa a ser uma ideia quase irresistível. Porém, será que estes novos recursos funcionam para todos? É sobre este questionamento que Godin desenvolve o argumento do livro, “as almôndegas representam os produtos básicos, os bens de que as pessoas necessitam (…), a cobertura é o Novo Marketing (…). O Novo Marketing exige mais do que uma almôndega. Ele requer uma reinvenção de toda a empresa e dos produtos que ela cria” (GODIN, 2010, p.8).

É possível relacionarmos este conceito também ao endomarketing. Percebe-se que empresas com gestão tradicional por vezes buscam incorporar as novidades em suas estratégias, contudo o funcionário percebe que o discurso é diferente da prática. E, para funcionar, tudo precisa estar alinhado. Outro exemplo, uma indústria na qual pouquíssimos funcionários têm acesso a computador, será que a melhor estratégia seria lançar uma intranet? Conforme Godin, este poderia ser “o resultado da combinação de dois elementos perfeitamente bons, mas que não casam bem” (GODIN, 2010, p.8). Se adotada uma estratégia aleatória, sem relação com a cultura da empresa, as chances de sucesso tendem a diminuir e este fracasso não é indício de que aquele canal ou ação sejam ruins ou não funcionem, mas que estes só funcionarão quando utilizados pela empresa adequada, no momento adequado, para o perfil adequado.

O que se percebe é que as plataformas digitais se fazem cada vez mais presentes também enquanto táticas ou canais de endomarketing. Isso parece fazer todo o sentido, pois somos seres cada vez mais ‘conectados’.

Se avaliarmos os sete pecados do clima organizacional, segundo a Great Place to Work, verificaremos que todos estão, sim, conectados, mas não à tecnologia e, sim, às relações humanas. São eles: “não comunicar, não escutar, não liderar, tratar o indivíduo com indiferença, agir com parcialidade, não reconhecer e recompensar e não comemorar”. Poderia-se dizer que estas questões são um tanto ‘almôndegas’ ainda, isto é, são o básico e necessário para se ter um bom clima. Será que é possível melhorar estes pontos colocando mais confeitos e cobertura neste sundae?

No livro High tech, High touch, destaca-se que cada vez mais, além da high tech o ser humano busca o high touch – algo que toque profundamente seu coração. Isso não quer dizer que se deve dar as costas à tecnologia e à inovação. Apenas que é preciso aprender a “expressar o que significa ser humano e usar a tecnologia com proveito nessa expressão” (NAISBITT, 2006, p.44) e que se deve “saber recuar diante da tecnologia, no trabalho e na vida, para afirmar a nossa humanidade” (NAISBITT, 2006, p.44). Em outras palavras, num aconchegante almoço de domingo – ou ação interna de endomarketing – combine almôndegas com macarrão e não com sorvete.

Hoje há empresas mais preocupadas em procurar ideias em detrimento do pensar. Se a concorrente lança novo canal, se saiu na imprensa que determinada prática está sendo adotada por grandes empresas ou se você acha algo muito legal e quer ‘encaixar’ isso na sua empresa, lembre dos exemplos já citados e não lance uma “solução cabeça para baixo” [1]. Avalie a cultura de sua empresa e o perfil dos funcionários para oferecer um cremoso sundae com chantilly ou um saboroso espaguete com almôndegas.

Referências:

GODIN, Seth. Sundae de Almôndegas: sua empresa está sintonizada com o Novo Marketing?. Rio de Janeiro: SENAC Rio, 2010.

NAISBITT, John; NAISBITT, Nana; PHILIPS, Douglas. High tech, High touch: a tecnologia e a nossa busca por significado. São Paulo:Cultrix, 2006.

COGO, Rodrigo. Entre comunicação interna e endomarketing, interessa é dialogar com funcionários. Disponível em: <http://www.conrerp2.org.br/index.php?pagina=entre-comunicacao-interna-e-endomarketing-interessa-e-dialogar-com-funcionarios >. Acesso em: 17 out. 2011.



[1]           Conceito desenvolvido por Oscar Motomura, na introdução do livro High tech, High touch, para designar quando a solução surge antes do problema, sobretudo no âmbito da tecnologia.

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