Por Tauana Jeffman >>

Acredito que todo mundo um dia já usou slides em apresentações. Contudo, para fazer bons slides e uma boa apresentação é necessário ter algumas premissas em mente, pois apresentar é também captar a atenção de alguém tempo suficiente para transmitir uma mensagem. A seguir, você encontrará algumas dicas e princípios para começar (ou aperfeiçoar) as suas super apresentações brilhantes.

Super apresentações brilhantes: saiba como fazer a sua e impressionarOS TRÊS PASSOS DA APRESENTAÇÃO

1, 2, 3: os três passos básicos da apresentação são: roteiro, slides e ensaio. É um erro começar a fazer a apresentação diretamente no PowerPoint, Google Slides ou LibreOffice Impress. Você precisa do roteiro e retirar dele somente as informações principais, que serão colocadas nos slides. E, claro, sem treino você não terá noção completa do que (ou quando) precisará falar.

Escreva suas notas: se você quer memorizar de forma mais eficaz sua apresentação, faça anotações manuscritas. O ato de escrever envolve músculos diferentes daqueles relacionados ao ato de digitar. Há uma consolidação maior da memória quando as pessoas escrevem manualmente (WEINSCHENK, p. 252).

Não sufoque: um erro comum da maioria dos palestrantes é oferecer informações demais de uma vez só. Para revolver esse problema, utilize a técnica da Revelação Progressiva. Assim, você apresenta apenas uma informação por slide, para que a plateia não receba muita informação e muito texto ao mesmo tempo. É um grande erro lotar um único slide de informações (não se pode ler e ouvir ao mesmo tempo).

Imagens: nós lembramos mais facilmente daquilo que vemos do que ouvimos. Por isso, ilustre as informações que apresenta.

É bonita e é bonita: a estética dos slides influencia, sim, no modo como as pessoas os assimilam. Além de sua apresentação ser bonita e agradável aos olhos, ela precisa ter ordem, clareza e originalidade. Ou seja, nada de usar templates prontos.

Fontes: utilize fontes de leitura fácil. Quanto mais difícil de ler, mais difícil fica de assimilar e compreender. Algumas fontes mais novas como a Tahoma e a Verdana foram planejadas para que sejam mais fáceis de ler na tela. Novamente: prefira slides com menos informação e fontes maiores.

Cores: nunca misture o vermelho com azul, nem vermelho com verde nos slides. Além de feias, as combinações são cansativas e difíceis de ler. Também é importante não utilizar apenas cores como informações. Você pode ter na plateia pessoas com deficiência em distinguir cores.

A RELAÇÃO COM A PLATEIA

Dê um contexto: “fazer uma apresentação é como falar sobre suas ideias a estranhos na rua” (WEINSCHENK, p. 20). Para que sua plateia não fique “atordoada” ou perdida, dê um contexto a ela. Você pode fazer isto através de um organizador avançado, que pode ser a agenda da apresentação, um diagrama do que será mostrado, capas personalizadas para cada assunto ou até mesmo os títulos de cada slide. Um resumo breve ou uma história sobre a apresentação também funciona.

Conheça a plateia: as pessoas que te assistem não são uma “tábula rasa” sobre o assunto, seja ele qual for, elas possuem modelos mentais. Isto é, “o pensamento de alguém sobre como algo funciona” (WEINSCHENK, p. 27). Saiba sobre as experiências do público, se possível, antes da palestra. Assim, sua fala ficará mais informativa, interessante e persuasiva.

É o fluxo: Quando o tempo se altera, tudo mais desaparece e nos concentramos em apenas uma atividade, nós estamos em estado de fluxo. Tente levar as pessoas a um estado de fluxo durante sua fala. Ao preparar uma apresentação e quaisquer atividades com a plateia, proponha desafios suficientes para manter a atenção, mas não difíceis demais para desencorajar as pessoas. (WEINSCHENK, p. 59).

Avise que anotações não são necessárias: se as pessoas ficarem preocupadas em anotar as informações que você está oferecendo, é provável que esteja perdendo muita coisa do que está sendo falado. Para evitar essa dispersão, avise que um resumo será enviado posteriormente, junto com as referências que você menciona. Quando eu aviso meus alunos de que os slides da aula estarão disponíveis, eles relaxam e prestam mais atenção no que falo.

Desvie do tédio: é bem provável que a plateia se sinta entediada, principalmente se sua apresentação for muito extensa. O tédio pode ser afugentado se envolver a plateia na apresentação. Faça perguntas, proponha desafios, deixe-os ocupados e envolvidos.

A POSTURA DO APRESENTADOR

Posição: se você puder escolher, posicione-se do lado esquerdo da tela. Isso porque nós lemos da esquerda para a direita, então é importante que a atenção da plateia comece por você, que é o foco da apresentação, e não os slides.

Postura e atitude corporal: a forma como você se posiciona também influencia na sua apresentação. Encare a plateia com autoridade e controle. Remova barreiras, não fique atrás de mesas ou púlpitos. Mantenha a cabeça reta. Não se remexa (nada de tique nervoso). Mova-se com propósito. Lembre-se também de manter o semblante calmo, pois a plateia reage a sua expressão facial.

As mãos falam: se a sua plateia não puder olhar suas mãos, será difícil pra ela confiar em você. Mas as mãos também falam. Por exemplo: mãos em frente ao corpo podem passar que você está nervoso e hesitante. Mãos na cintura expressam agressividade. É bom lembrar também que alguns gestos possuem significados culturais. O sinal de ok de um americano é uma coisa bem feia para um brasileiro.

Tom de voz: grandes palestrantes alteram o tom de voz e fazem pausas quando necessário. Seu silêncio pode ser tão importante quanto suas palavras.

Um monitor, por favor: sempre que possível tenha um monitor para olhar o que está nos slides, sem precisar olhar para eles. Toda vez que você direcionar a atenção para os slides, a plateia fará o mesmo. Faça isso apenas quando desejar realmente que as pessoas deixem de prestar atenção em você e passem a prestar atenção na tela.

DICAS

A tecla “C”: se você quer conversar com a plateia e não quer que eles olhem para os slides, basta apertar na tecla C do seu teclado. Experimenta aí.

Repita informações: se você deseja que a plateia memorize a informação que está falando, ou seja, quer que a memória curta se transforme em memória longa, essa informação deve ser repetida. Um esquema é uma boa opção para repetir e associar informações. (As lembranças ficam armazenadas como conexões padronizadas entre neurônios. Quando dois neurônios são ativados, as conexões entre eles são reforçadas. Se repetirmos as informações o suficiente, os neurônios compõem um caminho ativo. Então, basta dar início à sequência para despertar o restante dos elementos e permitir que recuperemos a memória. Essa experiência provoca uma alteração física no cérebro. WEINSCHENK, p. 40).

Use exemplos: exemplifique as informações que você está tentando passar. Se esse exemplo for uma história, melhor ainda.

Histórias compartilham emoção: elas permitem que a plateia sinta o que a personagem sente. Nas histórias, o cérebro reage como se estivesse vivendo os eventos narrados. Uma boa história é curta, inspiradora, tem um personagem cativante e é relevante para o tema que é apresentado.

20 minutinhos: esse é o número mágico da atenção que alguém lhe dá, é o tempo apropriado para a duração de uma apresentação (as apresentações do TED duram 20 minutos). Depois disso, a concentração começa a dispersar. Para que você consiga captar a atenção, prepare uma bela abertura e um final marcante. Se sua apresentação tiver mais de 20 minutos, intercale com atividades, exercícios ou até mesmo perguntas. Procure introduzir alguma alteração a cada 20 minutos. Contudo, a atenção plena dura apenas 10 minutos.

4 categorias: tente agrupar as informações que serão apresentadas em grupos de quatro itens. Isso porque “as pessoas são capazes de guardar três ou quatro elementos na memória funcional desde que nada as distraia”. É por isso que memorizamos assim números de telefone: 96 58 79 57. Além disso, as pessoas gostam de categorias, se você não as criar, sua plateia criará por conta própria.

Horários: se puder, evite se apresentar em horários próximos das refeições. Quando as pessoas estão com fome, param de prestar atenção. Se você mencionar comida então, quem não estava vai ficar pensando nisso.

Referências

WEINSCHENK, Susan. Apresentações brilhantes: 100 coisas que você precisa sabe sobre as pessoas para se comunicar bem. Rio de Janeiro: Sextante, 2014.

PPT: http://www.slideshare.net/tauanamariana/super-apresentaes-brilhantes?ref=http://tauanaecoisasafins.blogspot.com.br/2015/06/apresentacoes-brilhantes.html

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