Por Felipe Leduino

Nas últimas semanas, não houve fato mais chamativo no meio musical nacional do que o SWU (Starts With You). Grandes artistas nacionais e internacionais como Los Hermanos (\o/), Pixies, Joss Stone, Linkin Park e Rage Against The Machine foram as grandes atrações desse festival que até a Globo e o Multishow iam transmitir. Então é porque era bom!

O legal do SWU é que seria um evento autossustentável. Pô, por mais que ultimamente a Sustentabilidade tenha virado apenas uma modinha pra promover muita empresa (no meu ponto de vista), antes de abrir o bico esperei ver como se comporta este evento um tanto diferenciado.

E como agora está fácil de saber sobre os bastidores de qualquer evento através desta maravilha que é o Twitter, resolvi seguir quem estava por dentro do evento em jornais e rádios. Muitas celebridades, muita expectativa, muita badalação. Mas antes mesmo do festival começar, uma comunicadora de Sampa que cobriria o evento já acusava: “não é permitido entrar com comida ou bebida dentro das dependências do sítio do SWU.” Opa! Como assim? Ah, então eles têm um cardápio mais natural, melhor preparado e com um preço acessível, acertei? Não! Era o velho rango calórico de qualquer festival que existe por aí. Depois de ler a “denúncia”, fui procurar algo no campo de pesquisa do mesmo Piador e achei muita gente indignada com esta determinação dos organizadores do festival – ao melhor estilo #vouxingarmuitonotwitter. Imaginem a quantidade de comida e bebida barrada nos portões. E a de lixo produzido em três dias de festival. Vixe!

Outro fato relatado no mesmo Twitter foi de que havia estacionamento apenas pra carro (e nada para bicicleta). Além disso, o preço do estacionamento era exorbitante. O argumento? Era para estimular o uso do transporte público. AHAM! Isso sem ao menos fazer uma parceria com alguma empresa de transporte, para aumentar o número de ônibus para aquelas bandas de Itu.

Bem, a minha previsão acertara na mosca. Sustentabilidade zero! Acredito que, se o evento foi criado para estimular o consumo consciente entre o público jovem, deveriam ser tomadas algumas medidas BÁSICAS para que esta propaganda negativa não acontecesse. O SWU Brasil encerrou no seu terceiro dia servindo como mais um (mau) exemplo do que acontece caso a sua empresa não possua bons planejamentos para não morrer pela boca de seus stakeholders. Com o advento do Twitter, um relato, um comentário, uma foto, qualquer mínima manifestação já pode criar uma proporção muito maior.

Starts With You, seu SWU? Beleza! Quem foi lá, realmente começou e fez a sua parte. Agora quem sabe o festival de 2011 volta mais preparado!

Se tu quer ler mais sobre como não deixar os clientes te matarem pelas redes sociais, dá uma lida no texto do Fabrício ali embaixo e também nessa reportagem. http://migre.me/1BBxX

Ah, e se tu gostou do texto (ou não), comenta aí. É rapidinho e não dói! 😉

Um abraço!

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>> Veja também: SEO: o que é e como fazer

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  • Paula Vivas

    muito bem observado a falta de coerência no conceito do evento com a prática Felipe. Pena que os problemas não se refletem somente a tal bandeira da sustentabilidade. Se alegamos que voltar as atenções a essa “nova” temática ao futuro do nosso planeta, temos que agregar mais alguns pontos aí. Além do vandalismo e agressões apresentados no show do Rage Against the Machine, as drogas foram presentes em toda a jornada. Amigos afirmaram que a segurança na entrada não era suficiente permitindo diversos tipos de entorpecentes. Tudo bem que já era esperado essa reação com um número grande de jovens reunidos, mas as empresas que promovem a sustentabilidade não podem fazer apologia ou fazer vista grossa a problemas sociais.

  • Felipe Leduino

    Olá, Paula. Concordo sobre o teu comentário sobre o uso de drogas. Infelizmente em quase todos os grandes festivais musicais, os organizadores fecham os olhos para este problema. Ressaltei o caso da Sustentabilidade porque o evento em sua maior parte se desenvolveu na contramão da sua proposta principal – o que resultou em um dos motivos para que os holofotes da mídia se voltassem para aquela fazenda no interior de SP. Mas os problemas se estendem também para outros campos do evento. O fato de o Multishow (que transmitia ao vivo o SWU) cortar a transmissão no momento em que Tom Morello colocava o boné do MST foi no mínimo lamentável. Neutralidade em época eleitoral? E os funcionários da emissora que estão livres para abrirem seus votos na mídia?
    Erros como os que citamos sempre são eticamente incorretos, Paula. Porém, a atenção dada a essa tal ética talvez agora seja maior, crescendo com as formas de relação cliente/empresa. Mas o que se percebe ainda é uma falta de tato para lidar com as novas ferramentas de interatividade, que podem se transformar em uma bomba nas mãos de quem tem uma opinião negativa a externar. Então acho que não podemos dizer que nasceu mais uma preocupação para as empresas quanto às suas existências no mercado. Ela já existia, só que agora cresceu bastante, e irá crescer mais ainda. Qual é? É a opinião do consumidor.