19
jan
2011

Tragédias naturais, prejuízos reais

Por Emanuela da Silva

O Rio de Janeiro está novamente na mídia nacional e internacional, só que agora não é nenhuma missão de pacificação como a do Complexo do Alemão, luta contra o narcotráfico. Desta vez, a força da natureza vem através das chuvas cobrar as ações do homem. Alagamentos, deslizamentos, escombros, mortes, flagelados, órfãos, doentes e sobreviventes.  Os cariocas estão passando por situações catastróficas. Localidades inteiras arrasadas.  A região serrana do Rio de Janeiro virou um cenário de horror não pela violência das armas, mas pela força das águas que teimam em cair sem piedade.

Polícia, bombeiros, Marinha, Cruz Vermelha, voluntários reunidos para salvar e resgatar sobreviventes das enxurradas. Importante alertar que os fenômenos naturais podem até ser previsto, mas a intensidade dos estragos são incalculáveis. Assim como o RJ, outros estados como SP, MG e demais regiões sofrem com problemas naturais: a falta de infra estrutura, educação ambiental e interesse político. Cariocas e paulistas estão pagando um preço alto pela falta de prevenção, pois algumas destas áreas não poderiam ser habitadas, como exemplificam especialistas nesta notícia.

As cidades vão crescendo de maneira acelerada. “Um verdadeiro inchaço”, diz a ONG Contas Abertas, levantando uma polêmica que não pode passar despercebida ao conhecimento do cidadão. As medidas preventivas e as verbas destinadas para este tipo de acontecimento vão diminuir, e as verbas pós -tragédias são maiores que as preventivas, segundo notícia de 11 de janeiro publicada no site globo.com. Mas estas informações são dadas de formas tão sutis quando chegam ao nosso conhecimento, que a relevância já foi absolvida pela dor da tragédia e pela exposição midiática do sofrimento alheio.

Onde estava a Secretaria de Desenvolvimento Urbano? A Defesa Civil e a fiscalização das construções irregulares? E agora, quem paga este prejuízo físico, emocional e moral? Catástrofes naturais estão virando rotina na vida dos brasileiros que até pouco tempo achavam que isso acontecia apenas fora do país. Os grandes centros urbanos como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais estão, de certa forma, pagando a conta do urbanismo desmedido sem planejamento.

HOMENS OU ESTATÍSTICAS DIANTE DOS FENÔMENOS NATURAIS?

Depois de acontecer, viramos números, estatísticas, dados, cálculos, relatórios, recursos e gastos. A presidente Dilma esteve numa das áreas atingidas prestando solidariedade e garantindo recursos federais. Confira a visita de Dilma clicando aqui.

Nos últimos dias, ficamos atentos aos regastes com e sem sucesso; nos sensibilizamos com a dor alheia e com a solidariedade dos voluntários. Tudo isso desperta a comoção nacional, e o brasileiro, emotivo por natureza, se dispõe a ajudar.

O conselho tutelar de Nova Friburgo (RJ) está ameaçando retirar as crianças dos pais que insistem em não deixar as casas. Sobreviventes  que viram voluntários solidários com a dor do próximo sem água potável, luz e condições de higiene. Apesar de tudo isso, os estabelecimentos comerciais que conseguiram sair ilesos da tragédia super faturam os preços das mercadorias. E o medo dos saques faz com que as vítimas da tragédia fiquem nos locais de risco, sem alternativa para deixar o pouco que ainda resta, contando apenas com a caridade e a solidariedade que está mobilizando a nação para ajudar a cidade maravilhosa. Cidade pólo na Copa 2014 e sede dos Jogos Olímpicos  2016. Será?!

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>> Veja também: Sites de compra coletiva: uma nova mídia estratégica

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