23
ago
2010

Tryverting: uma nova maneira de encarar o consumidor

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Por Sabrina Raupp Souza

Se você é como eu, que assume seu lado consumista, já deve ter imaginado uma loja na qual o consumidor pudesse escolher o produto, pegar e levar sem desembolsar qualquer centavo. Pois é, se essa é a loja dos seus sonhos, acredite, ela existe!

Em São Paulo, foram inauguradas esse ano duas lojas de tryverting que desenvolvem o conceito ‘teste antes de usar’, o Clube Amostra Grátis e a Sample Central. Esta é uma nova maneira de entrar em contato com o cliente por meio da experimentação. Ou seja, o tryverting é uma evolução do sampling, é a técnica de amostragem elevada a um nível superior.

Do inglês try + advertising (teste+publicidade). As lojas que desenvolvem esse conceito disponibilizam para o consumidor produtos que estão no mercado ou que vão entrar no mercado para que este adquira gratuitamente, teste e avalie o produto. A prática pode ser vista como uma pesquisa de mercado para avaliar o índice de aceitação ou um modo de investigar os erros e os acertos antes do produto entrar no mercado.

COMO FUNCIONA?

Antes de chegar em terras brazucas, o tryverting foi experimentado na Autrália, Japão, China, EUA e Espanha. Em cada local, o processo adquiriu uma característica. Por exemplo, no Japão, o cliente deve marcar hora para ir na loja, e, na Espanha, é pago uma taxa por visita, segundo o site Mundo do Marketing.

As versões brasileiras funcionam de maneira um pouco diferente entre elas. No Clube Amostra Grátis, o cliente pode chegar na loja em qualquer horário, ele não precisa agendar. Após se inscrever no site, pagar a primeira anuidade (o valor é de R$50,00), o cliente ganha um cartão que lhe dá o direito de pegar até 5 produtos por mês, não sendo acumulativos e de acordo com um sistema de cores. Conforme responde os questionários, ele ganha pontos que são convertidos no aumento do número de produtos que ele tem direito a pegar. É importante dizer que, apesar do nome, no Clube Amostra Grátis os produtos são iguais aos que vão para o mercado, não são reduzidos, como uma amostra.

Já no Sample Central, a visita à loja é condicionada ao agendamento; porém, a anuidade é bem menor (R$ 15,00), e o cliente também pode acumular pontos respondendo os questionários para aumentar a quantidade de produtos que pode levar.

Empresas como Nestlé, Unilever, Procter & Gamble e L’Oreal já aderiram à novidade para pesquisar como os novos produtos serão recebidos no mercado. E o retorno da pesquisa pode ser excelente, já que os números japoneses dizem que 94% das pessoas que levaram produtos para casa responderam os questionários.

Aqueles que consomem nessas lojas e respondem o questionário, colaborando para o desenvolvimento do produto, tornam-se ‘Trysumers’ (try+consumers, sacou!?). A análise do consumidor, ou Trysumer, sobre o produto não é a única informação que a empresa fabricante do produto pode receber da loja. O comportamento do Trysumer também pode ser observado no ato da visita. Este pode ser um dado importante, pois como os produtos estão lá, sem ninguém estar dando nas suas mãos, ele vai escolher o que quer experimentar. E o fato de pegar um produto e devolver para a prateleira pode ajudar a empresa a tornar a apresentação dele mais interessante, por exemplo.

Não sei de vocês, mas estou muito curiosa para conhecer essas lojas. Com certeza, se for para Sampa vou dar uma passadinha por lá. Por agora, é isso! Até!

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>> Veja também: Caçadores de Tendências ou Cool-Hunters: um novo olhar para o consumidor

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