Por Daniela Seibt >>

O Carnaval Globeleza está de cara nova em 2017: a vinheta mais tradicional da televisão brasileira ganhou novos traços. Muda-se o conceito, muda-se a marca, muda-se a atitude, ou simplesmente mudou a propaganda? Alguém aí não se sentiu impactado pela nova vinheta de carnaval da Globo? Pois eu gostei bastante do vídeo e entendo a estratégia como inovadora, mesmo na sua simplicidade: depois de mais de 20 anos nua e sozinha sambando ao som das baterias de Escola de Samba, a Globeleza ganhou roupas e parceiros de folia, embalados por uma mistura de ritmos mais regionais.

Crédito da foto: Rede Globo/Divulgação

Com a nova vinheta, muito mais do que apostar na diversidade das manifestações carnavalescas no Brasil, acredito que a Globo acertou pela representatividade. Como a própria nota oficial da emissora afirma, “o Carnaval é uma festa popular, vanguardista, inclusiva, contestadora, múltipla. Já há algum tempo, estudamos uma maneira de enriquecer a vinheta com outros ritmos do carnaval brasileiro, representando a riqueza da diversidade dessa festa popular”. Pra mim, esse é o grande achado da estratégia por trás da criação do vídeo.

Unir o tradicional desfile de avenida ao frevo, ao axé, ao maracatu, ao bumba-meu-boi, promoveu também uma ressignificação da marca Globeleza (sim, ela é uma marca!), e aquela personagem nua, pintada e cheia de purpurina vestiu-se para sair da avenida e experimentar os outros ritmos. Grande sacada! Uma mensagem menos sensualizada e com figurinos em cores vibrantes para celebrar a riqueza da cultura do carnaval brasileiro, que não é feita só de mulheres gostosas, mas de mulheres bonitas em sua essência. Mais do que isso: fazem a festa com outros foliões, representados pelos dançarinos que compartilham a cena, numa alegria que atravessa os quatro cantos do país.

A mudança surpreendeu o público e gerou manifestações bastante polêmicas nas redes sociais. Entre críticas e comentários positivos, eu avalio essa postura como adequada à realidade que vivemos. Não vejo mais espaço para a superexposição do corpo feminino ou da exploração da sexualidade em campanhas de comunicação e publicidade de marca. Existem outras maneiras de se conquistar o engajamento do público e, no caso da Globeleza, isso aconteceu porque muitas pessoas se viram representadas ali.

Por mais simples que seja o ato de vestir a Globeleza, a postura soou como inovação e isso prova que não precisamos de grandes investimentos ou estratégias mirabolantes para inovar nas estratégias de comunicação. Ideias às vezes óbvias ou conservadoras, podem impactar melhor a recepção do público pelos valores agregados, pelos efeitos emocionais que provocam nas pessoas ou pela identificação que conquistam. Enquanto comunicadores, devemos compreender que jamais teremos aceitação unânime em qualquer iniciativa de comunicação, mas que é sempre possível encontrar formas de aproximar os públicos da nossa estratégia.

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