09
dez
2014

Você sabe o que é resiliência?

Por Fernanda Sarate >>

Sabe aquelas histórias que todos conhecemos de pessoas que superaram situações difíceis e conseguiram se fortalecer mesmo em situações adversas? Elas envolvem a resiliência, uma habilidade cada vez mais importante para nossa vida pessoal e profissional.

O físico britânico Stephen Hawking, formulou a teoria da cosmologia quântica após ser acometido por esclerose amiotrófica que comprometeu toda sua mobilidade.

O físico britânico Stephen Hawking, formulou a teoria da cosmologia quântica após ser acometido por esclerose amiotrófica que comprometeu toda sua mobilidade.

Biografias, filmes, séries, notícias e mídias sociais são apenas alguns meios pelos quais temos contato com histórias emocionantes de pessoas que sobreviveram a situações adversas dos mais variados tipos. Sabemos que o caminho mais fácil para lidar com circunstâncias assim pode ser a amargura, o negativismo e a frustração. Mas, nesses exemplos as pessoas superaram as dificuldades, tornando-se ainda mais fortes. Percebemos que nesses casos elas apresentaram muita vontade em superar a adversidade e em ver algum significado construtivo para a sua luta; elas escolheram que atitudes deveriam ser tomadas para lidar com a situação. Conforme Michael Neenan, autor do livro Desenvolvendo a resiliência: uma abordagem cognitivo-comportamental, “em geral, as pessoas não respondem aos acontecimentos nas suas vidas, mas às interpretações que elas fazem dos acontecimentos”. Por isso, o mesmo acontecimento pode gerar reações bem diferentes. Essa capacidade de encontrar um equilíbrio emocional perante situações difíceis ou estressantes é chamada de resiliência.

O termo que originalmente foi empregado na física para designar a capacidade que alguns materiais têm de absorver impactos e retornar à forma original teve seu uso estendido para denominar, também, este comportamento humano.

A resiliência é, portanto, uma habilidade de lidar com situações difíceis, transformando as dificuldades em aprendizado e em oportunidades de mudança; a pessoa resiliente consegue se fortalecer a partir de circunstâncias adversas. Ser resiliente, porém, não é o mesmo que ser persistente. Conforme Ana Maria Rossi, presidente do International Stress Management Association – Brasil (Isma-BR), “uma pessoa resistente é aquela que ‘segura as pontas’, resistindo a situações de pressão. Já uma pessoa resiliente, além de suportar a pressão, aprende com as dificuldades e os desafios, usando sua flexibilidade para se adaptar e sua criatividade para encontrar soluções alternativas”. Michael Neenan,  explica que a resiliência  abrange diversas “respostas cognitivas, comportamentais e emocionais a adversidades agudas ou crônicas, as quais podem ser incomuns ou triviais. Essas respostas podem ser aprendidas e estão ao alcance de todos; a resiliência não é uma qualidade rara que é concedida a uns poucos escolhidos. Embora muitos fatores afetem o desenvolvimento da resiliência, o mais importante é a atitude que você adota para lidar com a adversidade. Dessa forma, atitude (significado) é a essência da resiliência (Neenan, 2010, p. 29).

O romancista húngaro Imre Kertész, sobrevivente de campo de concentração e hoje Prêmio Nobel de Literatura.

O romancista húngaro Imre Kertész, sobrevivente de campo de concentração e hoje Prêmio Nobel de Literatura.

A resiliência é importante em todas as esferas de nossa vida, inclusive no mercado de trabalho, onde as empresas buscam profissionais que saibam lidar com a pressão e com situações estressantes, que sejam flexíveis e aprendam com os erros e que consigam resolver problemas de forma criativa.

A partir da leitura de Neenan é possível estabelecer alguns pilares que auxiliam para que se tenha uma atitude mais resiliente:

– administrar as emoções negativas;
– lembrar-se de que sempre existe mais de uma maneira de encarar o problema;
– entender o que está dentro e o que está fora de seu controle;
– aprender com tudo o que acontecer em sua vida;
– desenvolver autoconfiança e;
– manter sua perspectiva resiliente.

O psiquiatra austríaco Viktor Frankl, que sobreviveu a quatro campos de concentração, nos ensina que “tudo pode ser tirado de um homem, exceto uma coisa: a última das liberdades humanas – escolher a sua atitude em um determinado conjunto de circunstâncias, escolher seu próprio caminho”.

Desejo que nesta época na qual muitas pessoas acabam sucumbindo ao estresse, todos possamos ter uma atitude resiliente e que essa nos acompanhe neste novo ano que, em breve, iniciará! Um 2015 com muita felicidade, boas oportunidades e atitudes resilientes para todos nós!

Fontes:
Neenan, Michael. Desenvolvendo a resiliência: uma abordagem cognitivo-comportamental. Porto Alegre: Artmed, 2010.

http://noticias.uol.com.br/

Imagens:
http://www.ptgrr.com/about-buddy-care-3/buddy-care/resilience-is-mental-fitness
http://www.las2orillas.co/imre-kertesz-el-nobel-de-los-campos-de-concentracion-nazi/
http://time.com/3531/hawking-myth-or-legend/

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