Por Fernanda Sarate >>

O que você acharia de entrar numa loja vazia dentro de um shopping?

“A Loja Vazia” uma campanha do agasalho diferenteO inverno está chegando e empresas e sociedade começam a se engajar em diversas campanhas do agasalho. Recentemente, uma das campanhas chamou atenção por sua originalidade.

Anualmente, o Fundo Social de Solidariedade do Estado de São Paulo realiza campanha para recebimento de doações. Neste ano, integrando a campanha e com a criação da agência Loducca, foi criada uma ação inusitada no Shopping Villa Lobos, na zona oeste de São Paulo.

No shopping foi instalado um espaço de vidro, simulando uma loja, estilo flagship store, onde, ao invés de comprar, os visitantes poderiam colocar roupas nas prateleiras vazias. Estilistas, diariamente, montavam looks com as roupas doadas e celebridades, como o jogador Neymar, foram convidadas a doarem algumas peças.

Resultado: em menos de um mês de campanha, 3.2 toneladas de roupas foram recebidas e encaminhadas a entidades assistenciais, albergues e hospitais de São Paulo.

Gostou da ação? Saiba que ela foi registrada como projeto Creative Commons: tanto a planta da ‘loja’ quanto sua linguagem visual podem ser utilizadas por quem quiser replicar a ação.

Abaixo, confira o vídeo produzido pela Loducca, apresentando o case:

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Fontes:
http://exame.abril.com.br/marketing/noticias/projeto-a-loja-vazia-arrecadou-3-2-toneladas-de-roupas
http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2013/04/shopping-em-sp-cria-loja-para-receber-roupas-da-campanha-do-agasalho.html

Fonte da imagem:
msn.lilianpacce.com.br

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  • Eva Lacerda

    Cada vez mais recebemos mensagens e estímulos publicitários e, por isso, tendemos a ser mais passivos ao convencional e exigentes no que diz respeito à criatividade e novidade das ações. De forma a adaptarem-se a esta realidade e a destacarem-se, as marcas e instituições têm vindo a apostar em formas novas e apelativas de divulgação. Exemplo disso – e de grande sucesso – foi a campanha relatada no texto, levada a cabo pelo Fundo Social de Solidariedade do Estado de São Paulo, entidade governamental. É possível interpretar a campanha à luz da estratégia da comunicação, uma vez que apresenta diversos aspetos interessantes relativos ao merchandising, endorsement, marketing social, insights, entre outros.
    A campanha teve como objetivo a recolha de roupa para ser doada a instituições, albergues e hospitais de São Paulo, de forma a melhorar as condições de vida de pessoas desfavorecidas. Hoje em dia, existem imensas campanhas desta natureza, pelo que por vezes a escolha da instituição a ajudar torna-se uma indecisão, fazendo em último caso com que as pessoas fiquem indiferentes e não ajudem. Nesse sentido, a campanha em análise destaca-se não propriamente pela mensagem nuclear, mas sim pela abordagem. Em primeiro lugar, há uma
    inversão do conceito convencional de loja e compras. Isto porque, contrariamente ao habitual, a campanha pretende que as peças de roupa sejam levadas para a loja em vez de serem dela tiradas – compradas. Em segundo lugar, à partida ao entrar no shopping e ao ver a caixa de vidro branca e vazia que é a loja da campanha, o consumidor recebe mais facilmente a mensagem devido ao grande impacto visual da primeira, podendo ser levado a contribuir para recolha de roupa. Ainda relativamente à temática da campanha, é possível considerar outro aspeto com o qual a empresa ou organização tem de se preocupar aquando a comunicação de determinada mensagem: o insight. De facto, e pelo que foi anteriormente dito, a população recebe cada vez mais alertas para ações de cariz social e de ajuda aos mais desfavorecidos. Assim, é possível considerar que a campanha em foco é construída em torno de algo em voga, de um insight que aliado à abordagem criativa potenciará o seu sucesso.
    O artigo e o vídeo a ele anexado referem também que a campanha contou com a presença e colaboração de diversas figuras públicas, o que alude ao endorsement, muito utilizado em comunicação e publicidade. Neste caso, esta técnica não é usada com o intuito de criar maior notoriedade em determinada marca ou potenciar as vendas de um produto. Aqui, a utilização de figuras públicas é feita com o objetivo de chamar a atenção dos media e da população para as dificuldades extremas que tantas pessoas passam – durante o inverno – e de incentivar a
    adesão à campanha e contribuição com peças de roupa.
    Ainda no seguimento dos dois parágrafos anteriores, podemos entender a campanha e o modo como foi feita enquanto comunicação de marketing social. O marketing social pode ser definido como o uso de princípios e técnicas de marketing para persuadir determinados públicos-alvo de forma a, deliberadamente, aceitarem, rejeitarem, alterarem ou abandonarem um comportamento para proveito de indivíduos, grupos ou da sociedade em geral. De facto, o objetivo principal da campanha é potenciar a ajuda a pessoas desfavorecidas através de doações de roupa, o que vai ao encontro do que foi definido sobre marketing social.
    Como já referido, o primeiro aspeto da campanha a reter, pelo menos no que concerne à componente visual, é a loja e a forma como se apresenta. No que diz respeito a estratégias de comunicação, incluímos este aspeto no instrumento merchandising, que se caracteriza por ser a otimização do ponto de venda e, consequentemente, das vendas efetuadas. Como vimos, o
    conceito de vendas neste caso não é literal, pelo que é correto entendê-las como doações. Mais, todo o estudo do merchandising aplicado a este caso deve ser feito de uma forma especial. No vídeo são visíveis balcões, lineares e charriots completamente brancos, vitrinas em todo o perímetro da loja, – desde o chão até ao teto – e a loja bastante iluminada. Estes três fatores conferem ambiente muito clean ao espaço, livre de distrações visuais e de qualquer tipo de publicidade que não seja o nome da loja e a quantidade de roupa que já foi
    recolhida. Uma vez que a loja pretende chamar a atenção apenas pelo fim a que se propõe, de cariz social, e não publicitar qualquer tipo de marca, infere-se que a política de merchandising vai ao encontro desses mesmo objetivo, sendo bastante eficaz no referido contexto.
    Adicionalmente, outro ponto positivo da campanha é disponibilizar gratuitamente via Internet os seus materiais de comunicação para que a iniciativa possa ser replicada por todo o mundo.
    Nesse sentido, e por tudo o que foi dissertado anteriormente, conclui-se que a campanha em análise foi muito bem construída, emanando diversos princípios que devem ser tidos em conta no âmbito deestratégia de comunicação.