Por Fernanda Sarate >>

Desde sempre foi assim: se não há comunicação formal, a informal ganha espaço. E, hoje, com a liberação do pólo emissor, web 3.0, mídias sociais, etc., este fenômeno encontra território fértil para se desenvolver.

MUITOS NOMES PARA UMA COISA SÓ

Rádio Peão, rádio corredor, rádio fofoca, boato organizacional e outras variações. Todas, denominações para o mesmo mecanismo: se a empresa e suas lideranças não se comunicam com os funcionários, utilizando canais formais de forma clara, efetiva e honesta, com espaço para a sua expressão, surge, na informalidade, a disseminação de informações de forma horizontal, de funcionário para funcionário, com grande poder de propagação.

A ORIGEM

Em inglês, este fenômeno é chamado de grapevine. O termo teve origem na guera civil, quando o governo americano utilizava, instalados em árvores em formato de vinhas, seus telégrafos à serviço do exército. Porém, as condições de uso não eram as melhores, gerando muito ruído na comunicação, as mensagens chegavam desconexas. A partir disso, o termo passou a ser utilizado para denominar este tipo de comunicação informal, existente em paralelo à comunicação formal.

POR QUE ACONTECE?

Muitas vezes, a empresa não oferece espaço ou canais para que seus funcionários se manifestem. Além disso, se não há um conforto do funcionário em dialogar com seus gestores, a comunicação informal também é favorecida. Há, ainda, empresas que não comunicam informações importantes a seus funcionários ou, ainda, que comunicam primeiro o público externo e, quando sobrar um tempinho ou verba, o público interno é lembrado.

E O AMBIENTE DIGITAL?

No ambiente digital todos podemos passar de meros receptores para pólos emissores de mensagens. É fácil, há muitas ferramentas e uma plateia nos esperando. A conversa que antes iniciava no cafezinho, com duas pessoas, agora, pode estar no ambiente digital, atingindo centenas – inclusive clientes, fornecedores e demais públicos de interesse da empresa. A web e as mídias sociais são convidativas e disponíveis. Iniciar um boato é simples e fácil, as opções de compartilhamento são inúmeras. O que é difícil, é manter a imagem e a reputação da marca sem um plano de gerenciamento de crises aplicável no ambiente digital.

ENTÃO, DEVEMOS BANIR AS MÍDIAS SOCIAIS NAS EMPRESAS?

A questão não é tão simples. Mesmo que não se tenha um perfil corporativo, grande parte das empresas está nas mídias sociais, mesmo sem saber, através dos comentários de outros usuários. Além disso, as plataformas digitais não são essencialmente boas ou más, são instrumentos que podem ser utilizados de acordo com o interesse. O problema não é a mídia social/blog/etc., o problema, nestes casos, está dentro da organização, que deve avaliar seus canais, o momento oportuno para divulgar informações estratégicas a seus colaboradores, treinar suas lideranças para que se comuniquem de forma eficaz e eficiente com seus liderados e ter políticas de comunicação que permitam aos funcionários se manifestarem, serem ouvidos e manterem um diálogo de qualidade com seus gestores.

Além disso, é importante manter um monitoramento ativo na internet, sobretudo, nas mídias sociais e, antes de pensar em punição, lembre-se de deixar claras as diretrizes da empresa e suas recomendações de utilização destes canais, sobretudo, em relação a informações sigilosas da organização. Temos que lembrar que não basta a inclusão no ambiente digital,  estes novos usuários precisam ser educados para esta plataforma. Por fim, quando o boato surge, é importante avaliar se ele não reflete uma disfunção organizacional, ouvir o que os funcionários dizem, mesmo que através de boatos organizacionais, pode ajudar a empresa a detectar falhas e, agindo em tempo, a transformar os rumores negativos em algo positivo.

Fonte: http://marciusvitale.com.br/?p=1104

Fonte da imagem: hsacaduracabral.blogspot.com

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  • lbfleck

    Olá Fernanda e leitores do C&T. 

    Legal este Post. Eu me lembrei de alguns amigos que trabalham em empresas que tem uma boa comunicação com seus colaboradores. Eles sabiam o que estava acontecendo com a empresa, se posicionavam claramente quanto à críticas feitas e representavam a empresa. Como comentou no Post, as ferramentas do ambiente digital, que não são boas nem ruins, tem um potencial enorme em temos de agilidade e alcance. Neste contexto existe um elemento que está no controle da organização: “o que ela coloca no ar e o que ela transmite para seus funcionários”. Acredito que este conflito faz com que as empresas tenham uma oportunidade para fortalecerem a sua relação com seus públicos. Transparência e ética sempre foram e continuarão sendo uma questão de sobrevivência.

    • Olá! Agradeço o comentário! Com certeza, o ambiente digital vem favorecer ainda mais a transparência. E ela é essencial em programas de endomarketing bem desenvolvidos e para empresas que percebem o valor estratégico de seu público interno para além de cumpridor de tarefas. Transparência e ética passam agora também a ser fatores de retenção de talentos, as pessoas buscam cada vez mais empresas alinhadas aos seus valores. Concordo com seu ponto de vista!