Por Maria Alana Brinker >>

Como um hormônio pode afetar os níveis de moral e preocupação com o próximo? O que isso impacta nas nossas relações e na vida financeira?

A palestra de Paul Zak em Porto Alegre oxitocina, a molécula da moralidade e da prosperidadeNo dia 4 de novembro, tive a bela oportunidade de assistir à palestra A molécula da moralidade, ministrada por Paul Zak, neuroeconomista norte-americano. Também conhecido como Dr. Love, após 10 anos de pesquisa descobriu a relação entre a produção de oxitocina e comportamentos relacionados à moral e ao cuidado com os outros. O evento aconteceu no Salão de Atos da UFRGS e encerrou a edição 2013 do Fronteiras do Pensamento, com a mediação do jornalista Silio Boccanera.

PAUL ZAK E A PESQUISA

Zak é um dos fundadores do Centro de Neuroeconomia da Universidade de Claremont, nos EUA. Lá, ele pesquisa a relação entre o funcionamento do cérebro e o comportamento econômico. Durante sua investigação, fez uma grande descoberta: o volume de produção do hormônio oxitocina está relacionado com a empatia (capacidade psicológica para sentir o que sentiria uma outra pessoa caso estivesse na mesma situação vivenciada por ela) e, consequentemente, com a moral.

AS EXPERIÊNCIAS

Este hormônio, antes conhecido por ser produzido, predominantemente, em mamíferos do sexo feminino, hoje, graças à esta pesquisa, sabe-se que também é produzido por mamíferos do sexo masculino, e sua produção pode ser estimulada pelas interações sociais. Zak concluiu isso após realizar vários experimentos. Entre eles está o recolhimento de amostras de sangue em um casamento. Zak e sua equipe coletaram amostras dos noivos, de familiares, incluindo os pais, e de amigos no início e no final do evento, e comparou as quantidades de oxitocina. O resultado não só mostrou a elevação dos níveis durante a festa como a baixa produção de testosterona (hormônio inibidor da oxitocina) pelo noivo.

Já em uma pesquisa realizada com psicopatas, Paul identificou danos nos receptores de oxitocina. Segundo ele, 30 a 40% da população carcerária dos EUA possuem este problema.

E quando o assunto envolve finanças? Em um experimento o neuroeconomista oferecia uma quantidade de dinheiro a um grupo de pessoas e, em seguida, perguntava a cada uma se desejava ou não compartilhá-lo. Após a análise ele notou maior presença do hormônio no sangue das pessoas que tinham mais facilidade de distribuir dinheiro do que no daquelas que ficaram com toda a quantia para si.

A MOLÉCULA DO AMOR E DA MORALIDADE 

Olhando a moral do ponto de vista social e não religioso, Paul diz que existe uma relação entre ela e a oxitocina,e que em países com os níveis de moral elevados, como na Noruega, por exemplo, as pessoas produzem grande quantidade do hormônio. A consequência é o aumento no nível de confiabilidade que a população tem em pessoas estranhas, o que mostra que elas não têm medo de serem enganadas. O pesquisador relaciona esse comportamento ao desempenho econômico dos países.

Uma das perguntas recebidas pelo palestrante durante o evento questionava sobre a indução de comportamentos morais na sociedade através da aplicação artificial do hormônio. A resposta veio em seguida, quando ele afirmou que esta molécula aje em conjunto com a produção de outros dois hormônios: a dopamina e a serotonina. Ou seja, o efeito se dá em ciclo: quanto mais oxitocina produzimos, mais ficamos com vontade de realizar ações que incentivam a sua produção por causa dos efeitos e das sensações que elas causam. Como no caso da prático de trabalho voluntário, fazer doações, dar presentes. Ao testemunhar os benefícios que isso proporciona, mais se tem vontade de praticar essas ações.

Se algumas atitudes e situações estimulam a produção de oxitocina, por outro lado o estresse a diminui. Segundo o palestrante, isso acontece porque quando nos vemos em disputa, com dificuldades ou em situações de risco o instinto de sobrevivência fala mais alto, e aí deixamos de nos importar tanto com o outro.

O estímulo da produção de oxitocina está bastante vinculada à interatividade. Ou seja, à vida social. Isso significa que quanto mais interagimos de forma positiva com outras pessoas, seja de maneira  real ou virtual, mais produzimos oxitocina, e mais temos vontade de nos relacionarmos.

Zak encerrou respondendo a pergunta do mediador sobre qual a melhor maneira de incentivarmos, naturalmente, a produção de oxitocina. E a resposta foi: abraçando. O recomendado são 8 abraços por dia, disse o pesquisador.

Claro, nada substitui o contato cara a cara. Mas na falta de tempo para praticá-lo, valem conversas pelo Facebook ou pelo telefone. O importante é produzirmos a molécula do amor!

Fontes:
http://www.fronteirasdopensamento.com.br/adm/sys/dl.aspx?ct=resumo,59,pdf,20131106_Paul_Zak

http://www.significados.com.br

Fonte da imagem:
http://www.acisat.org.br/noticia.php?not_id=2556

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