Por Maria Alana Brinker

Este post também foi publicado em www.abordodacomunicacao.com.br

Existe um projeto muito legal aqui no Brasil chamado Nova Geladeira, que oportuniza, às pessoas de baixa renda, a troca da geladeira antiga por uma nova e a aquisição de três lâmpadas econômicas. O projeto existe há quatro anos, e já distribuiu cerca de 40 mil geladeiras e 500 mil lâmpadas. O objetivo do projeto ajudou muito a diminuir os gastos com energia elétrica, contribuindo para o bolso de quem adquire os produtos e para a natureza.

E computadores? Por que não criar um projeto que dê computadores às pessoas de baixa renda? Sim, computadores e acesso à Internet a baixo custo ou de graça para quem não pode pagar.  Levar a oportunidade de ter acesso à informação para quem vive na pobreza também ajuda o país a se desenvolver. Tudo bem, as pessoas têm necessidades muito maiores do que ter seu próprio computador, como ter o que comer, por exemplo. Mas pense na inclusão digital de uma maneira mais abrangente, ou seja, sendo parte de um grande planejamento para melhorar o nível de educação e, consequentemente, os pensamentos e as atitudes dos brasileiros.  Quanto mais informações pudermos levar às pessoas, independente da classe social, mais questionadoras elas tenderão a se tornar, e terão mais consciência da contribuição que devem dar para melhorar a sociedade em que vivem. Além disso, o acesso à informação estimula a troca de conhecimentos e abre portas na vida profissional.

ENSINAR A PESCAR

Como eu disse, um projeto desses precisa ser visto como a etapa de um grande planejamento para reestruturar a educação da sociedade brasileira, pois não adianta dar computador para quem não sabe usá-lo. Ou seja, acompanhado de uma ação dessas deve estar a facilitação do acesso aos cursos de informática, ensino superior, cursos técnicos e profissionalizantes via Ensino à Distância, os conhecidos EADs – que já são reconhecidos pelo MEC e oportunizam o estudo a muitas pessoas que não têm condições de se deslocar até uma instituição de ensino.

ALGUNS NÚMEROS

No Brasil, somos mais de 200 milhões de pessoas, dos quais, aproximadamente, 76 milhões estão conectadas à Internet. Apesar de parecer grande, este número corresponde a apenas 38% da população. Veja o quadro abaixo, que mostra o crescimento do acesso à Internet pelas classes C, D e E.

Fonte: Ibope Nielsen Online

Os dados revelam um expressivo aumento do acesso à Internet pela classe C, mas mostram que as classes D e E continuam excluídas do mundo digital. Agora, vamos comparar alguns dados a nível mundial:

Não precisa ser um bom observador para notar a diferença do gráfico, que mostra a penetração da Internet como um indicador de desenvolvimento. Afinal de contas, é de interesse de países desenvolvidos que a população tenha acesso às informações e à educação de qualidade, principalmente porque investir na educação do povo ajuda o país a progredir, a produzir mais pesquisas, a formar mais profissionais em áreas estratégicas e a tornar-se mais independente.

ESTAMOS CHEGANDO LÁ, MAS AINDA FALTA!

O governo federal criou o projeto Computador para Todos, que através da inclusão de softwares livres e de muita insistência com os fabricantes – que não acreditavam ser possível vender um bom pc por R$ 1.000,00 – conseguiu baixar muito os preços e facilitar o financiamento das máquinas. Apesar disso, pagar este valor ainda está longe da realidade de muitos brasileiros.

Acredito que, no futuro, o interesse de empresas em investir no e-commerce voltado às classes socioeconômicas menos abastadas impulsionará o governo a destinar mais recursos a projetos que tenham como objetivo a inclusão digital dessas classes (D e E, principalmente), já que o aumento das ações de compra e venda pela Internet gera benefícios para a economia do país (cauda longa, crescimento das pequenas e médias empresas, aumento do poder de compra, essas coisas…). Pode estar aí uma possível solução para o problema!

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>> Veja também: Afinal, o que é comunicação sustentável?

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