Por Maria Alana Brinker >>

Um dos papeis da Comunicação é contribuir para disseminar informações de qualidade, certo? Bem, mas não é isso que parece acontecer quando vemos manchetes com títulos e notícias que valorizam mais assuntos polêmicos, não importando a qualidade do conteúdo, do que as informações que, de fato, agregam algo útil à vida das pessoas.

Vale a pena os veículos emburrecerem o povo para lucrar maisO (a) amigo (o), neste momento, pode estar indignado com a minha pergunta no título e achar que se o povo opta por ler muito mais notícias que falam de firulas e “assuntos de elevador” os veículos têm mais é que explorar esse tipo de conteúdo para aumentar suas vendas (ou acessos, no caso dos sites/blogs). Afinal de contas, a gente sabe que no país os veículos vivem dos anúncios, e quanto mais audiência, melhores serão os anunciantes.

OS FINS JUSTIFICAM OS MEIOS?

Ok!, os veículos precisam sobreviver, gerar lucro de alguma forma. Então, quer dizer que se Maquiavel estava totalmente certo, os fins justificam os meios. Se sim, vamos ignorar o papel social dos comunicadores – aliás, profissionais graduados em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, Publicidade e Propaganda ou Relações Públicas – em estimular a disseminação de informações que façam a diferença na vida das pessoas e não somente gerem assuntos para conversas?

Quem tem informações nas mãos tem MUITO poder. Quem tem AUDIÊNCIA tem mais ainda. E quanto mais poder, maior a responsabilidade. Responsabilidade de influenciar, de pautar os assuntos dos leitores/telespectadores/ouvintes, de ditar tendências, de sensibilizar, de colocar em estado de alerta ou tranquilizar uma população.

Sendo mais radical (mas nem tanto assim), eu comparo a responsabilidade de quem trabalha em qualquer mídia à responsabilidade de um médico: as informações que “receitamos” podem influenciar a vida das pessoas e o modo como elas olham os fatos. Senso crítico todo mundo tem (ou, pelo menos, todo mundo acha que tem), mas como saber se a nossa decisão não está sendo influenciada pelo que vimos na mídia – e aqui incluo jornais, revistas, sites, blogs, TV, rádio, …?

Se o leitor ainda está incrédulo sobre o que falei até agora, veja esse caso: um jornal gaúcho noticiou a visita de Tony Blair a Porto Alegre nesta semana. O ex-primeiro ministro britânico falou para estudantes universitários sobre a importância da educação na globalização e o perfil do líder desse século. Mas uma notícia da seção de ECONOMIA do jornal, intitulada Tony Blair cita Grêmio em discurso em Porto Alegre deu destaque para sua citação SOBRE O GRÊMIO E O BEIRA-RIO (estádio do Internacional) em seu discurso, como se isso fosse mais relevante do que todo o restante da fala. Veja a notícia clicando aqui.

Só para constar, eu sou gremista. Mas isso é de chorar, né!

Fonte da imagem: capasparafacebook.vemquetem.net

 

 

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  • Pedro Prochno

    É, Alana, não tá fácil pra ninguem… Vou resumir nisso pra não ter que gastar mais fosfato do que o cara que escreveu a matéria gastou, rsrsrsrs